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terça-feira, 31 de maio de 2011

A Teia de Aranha

Certo homem estava fugindo de alguns ladrões e clamando a Deus por socorro, ele não sabia mais o que fazer e temia por sua vida.

Num dado momento ele se vê próximo a um bosque e escuta uma voz dizendo para ele entrar no meio do mato para se salvar, e julgando ser a voz de Deus ele entra e caminha dificultosamente em meio aos árvores e arbustos, mas ao olhar para traz vê que os malfeitores o seguem...

O homem então entra em uma fenda na rocha (uma espécie de caverna) e se abriga esperando passar o perigo; ao ver que seus inimigos se aproximavam e não desistiriam até encontrá-lo começa a orar intensamente dizendo:

- Senhor, sou um homem temente a ti e não fiz nenhum mal a estes homens, livra-me desta situação se tu me amas oh Pai!

Neste momento ele sente uma paz no seu coração e uma doce voz dizer:

- Não temas meu filho Eu estou contigo eis o seu livramento, olhe para a entrada da caverna!

O homem olha e não vê nada a não ser uma aranha a tecer sua teia na frente da caverna e incrédulo diz:

- Mas Senhor! Não vejo nada, o Senhor não me amas? Além de ser perseguido agora vou ser envenenado por esta aranha?

Nesta hora Deus se cala (às vezes o silêncio de Deus é resposta a nossa falta de fé e sinal de que Ele está trabalhando); enquanto o homem murmurava e observava os malfeitores se aproximarem pensando que era seu fim, a pequena aranha continuava a fazer sua teia calmamente, fio a fio...

Ele então percebe os homens se aproximar e ouve um deles dizer ao outro:

- Olha aquela caverna, ele deve esta lá dentro vamos pegá-lo!

O homem já se preparava para o pior quando ouve a resposta do outro ladrão dizendo:

- Não ele não entrou aqui, esta caverna está escura, abandonada e CHEIA DE TEIA DE ARANHA; Ninguém passa por aqui há dias!

Assim o homem pôde trocar as lágrimas de dor e medo por lágrimas de agradecimento a Deus.


Campos Magnéticos Afetam O Julgamento Moral Das Pessoas

A Ciência ainda está engatinhando no que diz respeito aos efeitos mediúnicos, mas este estudo recém publicado mostra que campos magnéticos são capazes de afetar o julgamento moral das pessoas influenciando partes do cérebro. Isso explicaria as maneiras como os passes magnéticos em centros espíritas ou terreiros auxiliam as pessoas a perdoarem seus agressores ou seus inimigos.

De acordo com um estudo recém-publicado na revista americana PNAS, um ímã aplicado ao lugar certo da cabeça, no momento certo, é capaz de afetar sua capacidade de fazer julgamentos morais, ou seja, decidir o que é certo ou errado. Como resultado, a pessoa “magnetizada” fica menos propensa a condenar o comportamento de pessoas que tentam causar o mal a alguém, mas não conseguem. Soa… moralmente errado, certo? Para Phillip Ball, que escreve a respeito no blog da revista Nature, a descoberta nos traz o mais perto que já chegamos de fantasias paranóides sobre ditadores controlando as mentes alheias.

Mas não é bem assim. Não se trata de encostar um ímã de geladeira na cabeça alheia para que alguém não condene os outros por suas intenções, e sim de lhe aplicar um campo magnético de 2 Tesla (400 vezes mais forte que um ímã de geladeira!) com um aparelho de estimulação magnética transcraniana (TMS, na sigla em inglês), que fica ligado a uma grande máquina contendo um enorme e pesado capacitor. Quando o capacitor é descarregado, a corrente elétrica aplicada às bobinas em forma de 8 produz um campo magnético que se espalha desimpedido ao cérebro através do crânio; por sua vez, esse campo magnético perturba a atividade elétrica dos neurônios na região específica diretamente abaixo da bobina. Dependendo da intensidade e da frequência da estimulação magnética, o resultado pode ser um aumento da atividade neuronal naquela região ou, ao contrário, uma redução da atividade, efetivamente “desativando” o local.

O objetivo do estudo, feito por Liane Young e colaboradores, incluindo o neurocientista espanhol Alvaro Pascual-Leone, especialista em TMS, e Marc Hauser, interessado em julgamentos morais, era justamente perturbar via TMS a junção têmporo-parietal do lado direito do cérebro, que se acredita ser necessária para que consigamos avaliar as intenções dos outros. Tal avaliação é fundamental quando julgamos, no comportamento alheio, os resultados efetivos e os resultados desejados separadamente.

Por exemplo: Marta troca intencionalmente o açúcar do açucareiro por um veneno em pó branco, semelhante ao açúcar, mas capaz de matar com uma pequena dose, e o oferece junto com o café a Rita. Rita, justo daquela vez, decide tomar seu café sem açúcar, e escapa da morte. Marta agiu certo, ou seu comportamento é condenável?

Donos de uma junção têmporo-parietal saudável são capazes de condenar moralmente o comportamento de Marta apesar do resultado inócuo. Por outro lado, conforme mostram Liane Young e seus colaboradores, a perturbação por TMS da atividade dessa parte do cérebro é capaz de tornar os voluntários do estudo muito mais complacentes, focados agora no resultado (inócuo ou fatal) e não na intenção maléfica do ator da estória. Pessoas autistas parecem ter uma dificuldade semelhante em levar em consideração as intenções alheias, focando-se ao invés disso apenas no resultado das suas ações.

O estudo atesta que a vida em sociedade é calcada muito mais em intenções do que em resultados efetivos – graças, justamente, à capacidade de nossa junção têmporo-parietal em representar a intenção alheia independentemente de seus resultados. Se não fosse assim, não haveria condenações por tentativas de homicídio mal-sucedidas… No final das contas, o que vale é a intenção – seja para o bem ou para o mal. E não será um ímã de geladeira que mudará isso! (SHH, 30/03/2010)

Fonte: Young L, Camprodon JA, Hauser M, Pascual-Leone A, Saxe R (2010) Disruption of the right temporoparietal junction with transcranial magnetic stimulation reduces the role of beliefs in moral judgments. Proc Natl Acad Sci USA, doi: 10.1073/pnas.0914826107

Fonte: http://www.cerebronosso.bio.br/descobertas/2010/3/30/e-se-um-im-puder-afetar-o-seu-julgamento-moral.html

domingo, 29 de maio de 2011

sábado, 28 de maio de 2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O Poder das Palavras

A Palavra é um dos instrumentos do Professor. É com ela que ensinamos, que colocamos no mundo aquilo que entendemos sobre nossa disciplina e sobre o mundo. Também ensinamos sem palavras, mas elas são ferramentas fiéis para desempenharmos bem o nosso trabalho. Podem construir mundos ou destruí-los em segundos. Palavras podem mudar o mundo, acredite nisso! Use sempre suas palavras para colocar coisas boas no mundo. Um dia ele muda...






quarta-feira, 25 de maio de 2011

Comunicação

Por Luis Fernando Veríssimo
É importante saber o nome das coisas. Ou, pelo menos, saber comunicar o que você quer. Imagine-se entrando numa loja para comprar um... um... como é mesmo o nome?
"Posso ajudá-lo, cavalheiro?"
"Pode. Eu quero um daqueles, daqueles..."
"Pois não?"
"Um... como é mesmo o nome?"
"Sim?"
"Pomba! Um... um... Que cabeça a minha. A palavra me escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima."
"Sim senhor."
"O senhor vai dar risada quando souber."
"Sim senhor."
"Olha, é pontuda, certo?"
"O quê, cavalheiro?"
"Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra volta, só que está e mais fechada. E tem um, um... Uma espécie de, como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso. Uma coisa pontuda que fecha. Entende?"
"Infelizmente, cavalheiro..."
"Ora, você sabe do que eu estou falando."
"Estou me esforçando, mas..."
"Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa ponta, certo?"
"Se o senhor diz, cavalheiro."
"Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe. Mas sei exatamente o que eu quero."
"Sim senhor. Pontudo numa ponta."
"Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?"
"Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?"
"Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da chaminé. Sou uma negação em desenho."
"Sinto muito."
"Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou muito bem de vida. Não sou um débil mental. Não sei desenhar, só isso. E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum problema com os números mais complicados, claro. O oito, por exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil mental, como você está pensando."
"Eu não estou pensando nada, cavalheiro."
"Chame o gerente."
"Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feito do quê?"
"É de, sei lá. De metal."
"Muito bem. De metal. Ela se move?"
"Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim."
"Tem mais de uma peça? Já vem montado?"
"É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço."
"Francamente..."
"Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa."
"Ah, tem clique. É elétrico."
"Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar."
"Já sei!"
"Ótimo!"
"O senhor quer uma antena externa de televisão."
"Não! Escuta aqui. Vamos tentar de novo..."
"Tentemos por outro lado. Para o que serve?"
"Serve assim para prender. Entende? Uma coisa pontuda que prende. Você enfia a ponta pontuda por aqui, encaixa a ponta no sulco e prende as duas partes de uma coisa."
"Certo. Esse instrumentos que o senhor procura funciona mais ou menos como um gigantesco alfinete de segurança e..."
"Mas é isso! É isso! Um alfinete de segurança!"
"Mas do jeito que o senhor descrevia parecia uma coisa enorme, cavalheiro!"
"É que eu sou meio expansivo. Me vê aí um... um... Como é mesmo o nome?"

Luiz Fernando Veríssimo, Para gostar de ler, Volume 7 - Crônicas. Ática, 1982. 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A Professora, o You Tube e o Hipnotizador de Galinhas

Um dos assuntos mais comentados nessa semana ainda é o vídeo da professora de Língua Portuguesa potiguar Amanda Gurgel que tornou-se mais uma celebridade instantânea depois de protagonizar uma fala na tribuna da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte na presença da Secretária de Educação e de vários deputados. Como já disse aqui mesmo no blog quando postei o vídeo, ela não falou nada demais. Tudo o que ela disse está aí mesmo para todo mundo ver, em situações até piores, como no Rio de Janeiro, onde os professores do Estado não chegam a ganhar nem os 930 reais que ela mostrou em seu contra-cheque.


“O que a professora Amanda fala no vídeo é uma realidade conhecida por todos os professores, por todos os alunos, pais de alunos, por toda a sociedade, e vem ocorrendo há séculos, desde que a primeira escola pública foi inaugurada no Brasil. Mas então por que a repercussão do vídeo? É que o discurso contido nele não é um boom midiático, mas se constitui num enunciado, segundo o conceito do filósofo Michel Foucault. É isso que Amanda percebe na entrevista que deu ao jornal Tribuna do Norte: ‘Quem é professor há 20 ou 30 anos conhece o processo de degeneração pelo qual as escolas vêm passando. Isso é o principal e não a minha imagem ou até mesmo as minhas palavras, mas a situação.’

O enunciado de Amanda se liga ao enunciado de tantos outros professores, quando falam da degradação do ensino público: escolas deterioradas, baixos salários, ausência de recursos didáticos, superlotação das salas de aula, infinitos problemas familiares e outros que afetam a aprendizagem dos alunos, doenças advindas da atividade de docência, etc. Assim, o enunciado de Amanda vai além do espaço restrito da escola e se expande até a crítica à forma como o Estado é governado. Ele se constitui em um enunciado a partir da posição de Amanda: numa Audiência Pública dentro da Assembleia Legislativa, à frente de deputados fantasistas e da própria secretária de Educação do RN.

Amanda se diz surpresa com a repercussão, uma vez que, repetimos, a realidade que ela descreve não é nova. Mas o que é novo é o enunciado. É uma repetição, mas uma repetição que carrega algo novo. O enunciado de Amanda reúne uma multiplicidade de elementos que lhe possibilita sair da condição de sujeito sujeitado, como se encontram muitos professores, e se torne um sujeito de enunciado atuante.

Para diminuir sua atuação é que armadilhas já vão sendo forjadas instantaneamente, como uma tentativa de personalização, de transformá-la em celebridade. Mas Amanda não cai nessa. ‘Queria focar no discurso político, porque eu não tenho o menor interesse de focar na minha imagem’, corta ela na entrevista.

Ela não cai nem mesmo na sutil tentativa de transformá-la num símbolo de luta dos professores, esvaziando sua potência real. ‘Nem símbolo de uma luta. Eu sou apenas mais uma peça. Assim como eu, há outros, milhares de trabalhadores. Eu não sou símbolo de nada e nem pretendo ser.”


***

Nesses tempos de YouTube e redes sociais a fala da professora na tribuna repercutiu muito e isso a levou a ser convidada para participar no programa do apresentador Fausto Silva da Rede Globo, no último domingo (a entrevista  pode ser vista abaixo), onde ela demonstrou mais uma vez a articulação e a firmeza que já havia ficado patente no discurso que a lançou para a fama. Disse entre outras coisas, que não pensava em ficar famosa, e reiterou que não tinha ideia de lucrar com a sua imagem: “Já que estou tendo essa oportunidade, minha missão é ser a porta voz da minha categoria. E vou continuar lutando e representando em favor da educação”. Uma atitude louvável, mas como ela é filiada ao PSTU, não creio que o partido político vai deixar passar em branco a visibilidade que ela está tendo... além disso as prebendas e sinecuras que advirão de um cargo público dificilmente podem ou devem ser desprezadas...


Não tenho o “pensamento mágico” ou quixotesco de que por conta desse evento de mídia, ratificado pelos 98% de aprovação popular conseguidos na enquete do programa dominical da Rede Globo, haverá alguma diferença no atual estado de coisas, que já se arrastam a dezenas de anos, sem que as autoridades, que com toda certeza sabem muito bem tudo que está acontecendo, tentem melhorar. A mesma Globo que deu visibilidade a moça no horário nobre havia terminado na sexta-feira anterior uma “série de reportagens” sobre a educação no Brasil no prestigiado "Jornal Nacional", utilizando extensivamente a tecnologia de que dispõem com deslocamentos cinematográficos, cruzando o país de uma ponta a outra para “revelar o estado do ensino” nos diversos estados e concluiu que o que faltava para melhorar a educação era o “comprometimento dos pais com o ensino” e uma melhor qualificação dos profissionais em sala de aula.

Nunca, em nenhum canto visitado na(s) reportagem(ns) se discutiu sobre a baixa remuneração dos professores; parecia um assunto tabu que não poderia ser tocado sob pena de atrair alguma maldição arcana sobre os repórteres envolvidos. O salário era citado, por que não havia como não fazê-lo, mas descontextualizado e quase casualmente como um dado de somenos importância para o bom andamento da educação. E todos sabemos que não é.

Um professor que trabalha em três, quatro lugares para receber um salário condigno não tem como realizar todo potencial de que é capaz no exercício da sua disciplina, isso é óbvio. Seria a presença da professora Amanda Gurgel na telinha uma forma velada de redenção a esse lapso da emissora no tratamento do assunto? Não creio.

Já faz muito tempo que a(s) midia(s) trocaram a sua missão precípua de informar, pelo entretenimento rentável. O que vale hoje é manter o espectador o mais tempo possível ligado no respectivo canal e/ou ser levado a comprar o jornal, a revista ou seja lá o que esteja sendo oferecido, afinal: “business is business”.

No caso da TV aberta, como exemplo em larga escala dessa orientação, podemos citar o apelo ao sensacionalismo, ao “circo” montado nas grandes tragédias que comovem e mantém presas com detalhes exaustivos as atenções de uma audiência que parece ter um alto grau de morbidez. Os exemplos são muitos: o caso Nardoni, o massacre de realengo e qualquer desastre natural da vez. Em pequena escala podemos ver uma amostra disso no close fechado no rosto sempre que alguém se emociona e chora na tentativa de criar a empatia (do grego empatheia= sentir junto) em quem está conectado e mantê-lo o maior tempo possível assim.

Como já disse antes, não acredito que o desabafo ou a reivindicação da professora do Rio Grande do Norte vá ser o catalizador de nada. Não acredito que alguma coisa vá mudar. Para justificar meu pessimismo embasado em causas sólidas, após muitos anos na linha de frente da educação, trabalhando como professor da rede pública e privada, chamo atenção para um fato pitoresco que para mim é emblemático sobre o desenvolvimento da questão que foi trazida à luz naquela assembleia do Rio grande do Norte: após a boa entrevista da professora, que manteve uma dignidade que nem as gracinhas do apresentador conseguiram empanar e ela se retirar do palco, a próxima atração do programa era um homem que conseguia hipnotizar galinhas!

Um assunto realmente importante e muito relevante, com largas aplicações práticas. Quem sabe se eu aprender hipnose não possa, através da sugestão, fazer aqueles alunos mais difíceis prestarem atenção nas aulas...






Água Doce Ninguém Quer!

Quando eu era criança nos dias quentes de verão, uma das coisas que me lembro era uma cantilena que era ouvida durante quase toda a época de calor: “Olha aí o picolé!” Um grito ao qual as crianças retrucavam (escondidas é claro) para aborrecimento do vendedor: “Água doce ninguém quer!” (ou segundo outros: "água pura ninguém quer!"). Sempre havia alguém passando pelas ruas do subúrbio com uma caixa de isopor a tiracolo oferecendo aquelas “delícias geladas” em troca de centavos, que na maioria das vezes não passava de – adivinha? – água doce com corante ou uma solução de algum popular refresco em pó (geralmente Ki Suco), mas que faziam a alegria de todos. Na praia o grito era: "olha o picolé do china!" (que também tinha sua resposta: "pura água e anilina!") que era um dos melhores da época, por que era feito com leite ao invés de água (acho que depois virou o "dragão chinês" e hoje não sei mais se ainda existe). Um dos medos que eu tinha quando era bem moleque, era quando minha mãe dizia que ia me mandar vender picolé pelas ruas do bairro para ajudar nas despesa da casa. Eu era muito tímido e retraído; e só de pensar em sair pela rua gritando, como alguns de meus amigos faziam (e já ganhavam seu próprio dinheiro): “Olha o picolé!”, com todo mundo olhando para mim, entrava em pânico. Hoje penso que talvez se isso tivesse acontecido naquele tempo, eu teria desenvolvido uma relação melhor com a necessidade imperiosa de “ganhar dinheiro” que a vida me impôs, diferente daquela que eu tenho hoje; e talvez soubesse administrá-lo melhor também... (os grifos em itálico no texto são meus)

***

A História do Picolé
A primeira delicia gelada provavelmente surgiu na China há cerca de 3.000 anos. No início, ele era mais parecido com a atual raspadinha, não levava leite e geralmente era feito com neve, suco de frutas e mel.

Consta que num dos mais antigos livros de receitas do romano Apicius, havia uma que os árabes chamavam de “sciarbát” que levava neve trazida em caixas de madeira isolada que deveria ser servida com mel de flores, evidentemente para gente muito rica (na Sicília juntava-se à neve trazida do Etna, as essências perfumadas de cítricos, frutos e flores, de onde deriva o “sorbetto” que os sorveteiros sicilianos levaram à fama mundial, mas isso não é o nosso assunto...).

Hoje existe algo parecido com essa receita romana que é muito vendida nas feiras, nas praias, na entrada dos campos de futebol e nas ruas das cidades do Nordeste. É uma mistura de gelo raspado com xarope (ou mel) de frutas. Já ouvi dizer que em alguns lugares ele é proibido por causa do gás, nocivo para os humanos, usado em geladeiras e também na fabricação do gelo comercializado em barras que é usado. Mas isso não é picolé...

Atentem para o detalhe da tradução ipsis literis do raspa-raspa nordestino para o inglês...

Como muitas descobertas importantes que mudaram os rumos da ciência, o picolé foi inventado meio por acidente, em 1905, por um menino de 11 anos chamado Frank Epperson.

A ferramenta para raspar o paralelepípedo (adoro essa palavra) de gelo e servir 

Ele esqueceu um refresco contendo um palito de madeira fora de casa durante uma noite invernal. De manhã ele notou que a bebida e o palito congelaram juntos. O picolé é consumido no mundo inteiro por um público de todas as idades.

O picolé tradicional

O picolé com seu palito de madeira ou plástico tem um “primo pobre”, o Sacolé ou geladinho, que é o picolé, feito de modo bastante artesanal, preparado dentro de pequenos sacos plásticos.

Esta iguaria surgiu durante a Segunda Guerra Mundial. Inicialmente salgado era usado como fonte proteica pelos mariners norte-americanos.

Por ser uma sobremesa bastante popular e fácil de fazer, recebe diversos nomes conforme a região do país, como sacolé, din-din, chupa-chupa, chup-chup, juju, gelinho,"suquinho" etc.

O termo em inglês para esse tipo de picolé artesanal é "Ice candy" muito comum nas Filipinas. Em Tremembé (SP) é também conhecido como sacolete, uma mistura de saco com sorvete.

Na região da cidade de Serra dos Aimorés, em Minas Gerais, o sacolé é conhecido como "brasinha". Nessa região, a "brasinha" é muito comercializada como fonte de pequena renda. Sua preparação é bastante simples, podendo ser de todos os sabores, naturais ou artificiais.


O sacolé tradicional

É possível, ainda, incrementar o picolé, usando-se leite, polpa de fruta, com achocolatado. Há, também, possibilidade de se criar outras receitas de modo a tornar a guloseima mais sofisticada, colocando-se bebidas alcoólicas, caldo de cana e outros ingredientes como os vendidos por grandes marcas na maioria das cidades do país.

Texto retirado e adaptado de:
Imagens da internet.

domingo, 22 de maio de 2011

Sinais de Fumaça

O único sobrevivente de um naufrágio conseguiu chegar a uma pequena ilha deserta.

Ele orou fervorosamente para Deus o salvar.

Diariamente ele olhou atentamente o horizonte à espera de ajuda, mas parecia que não havia esperança.

Exausto com o passar do tempo, ele conseguiu construir uma pequena cabana de madeira para se proteger e guardar os poucos pertences que lhe restavam.

Entretanto, um dia, depois de sair buscando algo para comer, ele chegou em casa para achar a pequena cabana dele em chamas, a fumaça subindo para o céu.

O pior tinha acontecido; tudo estava perdido.

Ele ficou atordoado com aflição e raiva.

“Deus, como pôde você fazer isso comigo!” ele gritou.

Porém, cedo no próximo dia, ele foi despertado pelo som de um navio que estava chegando à ilha.

O navio havia chegado para salvá-lo.

“Como vocês sabiam que eu estava aqui?” ele perguntou.

“Nós vimos o sinal da fumaça”, eles responderam.

É fácil ficar desanimado quando coisas más acontecem.

Mas não deveríamos perder a esperança, porque Deus está trabalhando em nossas vidas, até mesmo no meio de dor e sofrimento.

Lembre-se, da próxima vez em que sua cabana estiver em chamas, aquilo pode fazer um sinal de fumaça que chama a Graça de Deus.

(Autor Desconhecido)





sábado, 21 de maio de 2011

Decoração Wabi Sabi

De inspiração japonesa, a arte do wabi-sabi surge durante o século XV, numa clara oposição à riqueza e luxo emergentes. Intimamente ligado ao budismo zen, o wabi-sabi serve-se da sua base estética minimalista e simples para transmitir energias positivas e uma certa espiritualidade para a casa e, principalmente, para os seus habitantes. O wabi-sabi é a arte da beleza imperfeita, ou seja, dá-se valor à autenticidade, natureza e simplicidade, em detrimento da ostentação, alta tecnologia e design contemporâneo.


(agora quando os amigos virem a minha casa e perguntarem sobre meus cacarecos objetos espalhados sobre as estantes e móveis eu vou dizer simplesmente que é decoração Wabi Sabi...)

O wabi-sabi defende que o nosso lar deve ser, acima de tudo, um santuário e não um local apetrechado de objetos, distrações e ruídos visuais. Os "wabibitos" (quem segue este estilo de vida) colocam de lado a procura constante pela perfeição e concentram-se na beleza das coisas tal e qual elas são; no conforto e no bem-estar que essa naturalidade transmite. No que toca ao wabi-sabi, menos é definitivamente mais.

“Wabi” significa “coisas simples e frescas” e “Sabi” significa “coisas cuja beleza foi adquirida com a idade”. O conceito subjacente a esta arte secular é simples: encontrar beleza na imperfeição, ou seja, o wabi-sabi valoriza mais a beleza singular, aquela que é naturalmente bela; do que aquela que é obviamente bela, mas que foi artificialmente construída, por exemplo. Viver de forma modesta e aprender a sentir-se satisfeito com aquilo que tem depois de eliminado o supérfluo é a filosofia do wabi-sabi. Aplicado à decoração, não difere muito deste conceito.

Ambientes minimalistas, simples, orgânicos e modestos. Requerem-se espaços pouco cheios onde os artigos dominantes são exclusivamente os essenciais. Essa escolha é feita baseada na sua utilidade, beleza ou sentimentalismo (ou os três).


A palete de cores da decoração wabi-sabi está assente no branco e nos tons terra. Privilegia-se o uso de materiais naturais (madeira envelhecida, pedra esfarelada, barro, lã, algodão cru, linho, caxemira, papel de arroz…) em vez de materiais artificiais e/ou luxuosos (plástico laminado, mármore polida, placa de vidro, porcelana, poliéster, licra…).

Em termos de peças de decoração, aprecia-se as artes decorativas, mobília e elementos reciclados/reaproveitados, objetos feitos à mão e encontrados em feiras de usados, antiguidades e outras do gênero.

A Mãe Natureza deve ser uma companhia constante e deve ser trazida do exterior para o interior sempre que possível: plantas e flores, de preferência do campo, e até ramos de árvore são bem-vindos. Neste contexto, a única “exigência” é que a flora utilizada seja da estação do ano em vigor.

Proteger a casa contra o ruído, o que significa um melhor isolamento de portas e janelas, cortinados mais pesados, chão de cortiça, menos gadgets e electrodomésticos ou então protetores para pousar as máquinas de lavar roupa e louça.

Organizar a casa de cima a baixo, deitando fora, reciclando ou doando o que está a mais; encontrar um lugar específico para cada coisa para manter a organização. Privilegiar a luz natural e a de velas em detrimento da iluminação artificial. Gosto especial por formas irregulares e que não têm necessariamente de combinar entre si (em termos de mobiliário também).




Expor peças com alma, elevado simbolismo ou sentimentalismo: fotografias a preto e branco do casamento dos seus avós, lençóis e toalhas bordados pela sua mãe, uma escultura amadora feita pelo seu companheiro, um conjunto de pedras apanhadas à beira-mar ou um desenho colorido do seu filho.

Criar um espaço pessoal que serve de refúgio e/ou de meditação. Apreciar a imperfeição – a presença de arranhadelas e fissuras na mobília, portas ou objetos é considerado um símbolo da passagem do tempo e da forma carinhosa e natural com que foram utilizados. No ambiente certo, as peças gastas por anos de uso ganham uma magia inigualável e reconfortante, são companheiros de uma casa, testemunhos de uma vida.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Menos É Mais! A Estética Zen

Wabi-Sabi representa uma abrangente visão de mundo ou estética japonesa centrada na aceitação da transitoriedade. A estética é por vezes descrita como a beleza daquilo que é imperfeito, impermanente e incompleto. É um conceito derivado do budismo, especificamente a ideia da impermanência.

As características da estética wabi-sabi incluem assimetria, aspereza, simplicidade, economia, austeridade, humildade, intimidade e valorização da integridade ingênua dos objetos e processos naturais.

O wabi sabi em palavras não se traduz facilmente; Wabi originalmente se referia a solidão de viver na natureza, distante da sociedade Por volta do século 14 esse significado começou a mudar, assumindo conotações mais positivas. Wabi agora conota rústica simplicidade frescura, ou sossego, e pode ser aplicado tanto para humanos e objetos feitos de forma natural, ou com elegância. Também pode se referir a peculiaridades e as anomalias decorrentes do processo de construção, que acrescentam originalidade e elegância para o objeto.




Sabi significava "frio", "enxuto" ou "seco". É a beleza ou a serenidade que vem com a idade, quando a vida do objeto e sua impermanência são evidenciados em sua pátina e desgaste , ou em quaisquer reparos visível.

Depois de séculos de incorporar influências artísticas e budistas da China, wabi sabi eventualmente evoluiu para um ideal distintamente japonês. Com o tempo, o significado de wabi e sabi mudou para tornar-se mais alegre e esperançoso.

Cerca de 700 anos atrás, especialmente entre a nobreza japonesa, entendimento sobre o vazio e a imperfeição foi homenageado como o mesmo que se dar o primeiro passo para o satori ou iluminação.

No Japão hoje, o significado de wabi sabi é muitas vezes a condensada como "sabedoria na simplicidade natural." Nos livros de arte, é tipicamente definido como "beleza imperfeita".

De um ponto de engenharia ou design de vista, "wabi" pode ser interpretada como a qualidade imperfeita de qualquer objeto, devido às limitações inevitáveis na concepção e construção/fabricação, especialmente no que diz respeito à mudança de uso ou condições imprevisíveis, em seguida, "sabi" poderia ser interpretado como o aspecto de confiabilidade imperfeita, ou mortalidade limitada de qualquer objeto, portanto, a conexão etimológica com a palavra japonesa sabi, significando a ferrugem.

"Wabi-sabi é o aspecto visível e característico da beleza mais tradicional japonesa e ocupa aproximadamente a mesma posição para os japoneses que o panteão de valores estéticos e ideais de beleza e perfeição dos gregos ocupam no Ocidente".
(Leonard Koren)

Um bom exemplo desta modalidade pode ser visto em alguns estilos de cerâmica japonesa. Na cerimônia do chá japonesa, os itens de cerâmica usados são frequentemente rústicos e de aparência simples, como por exemplo, no estilo Hagi, com formas que não são bem simétricas e cores e texturas que parecem enfatizar um estilo refinado ou simples. Na realidade, esses itens podem ser bastante caros apesar de as tigelas de chá muitas vezes serem deliberadamente lascadas ou cortadas na parte inferior (uma espécie de assinatura do estilo Hagi).


Cerâmica Hagi

Wabi Sabi sugerem sentimentos de desolação e solidão. Na visão do universo do budismo Mahayana, essas podem ser vistas como características positivas, o que representa a libertação de um mundo material e transcendência para uma vida mais simples.

"Se um objeto ou expressão pode trazer, dentro de nós, um sentimento de melancolia serena e espiritual, um anseio, poderia ser dito que o objeto representa wabi-sabi." (Andrew Juniper)



A filosofia Mahayana, no entanto, adverte que a compreensão autêntica não pode ser alcançada através de palavras ou a língua, aceitando wabi-sabi em termos não-verbais pode ser a abordagem mais adequada. wabi sabi é a representação material do Zen Budismo. A ideia é que estar cercado por pessoas singulares, mudando sempre. Oobjetos únicos nos ajudam a conectar-nos com o nosso mundo real e escapar distrações potencialmente estressantes.

Em certo sentido, wabi sabi é um treinamento onde o aluno do Wabi Sabi aprende a encontrar os objetos mais simples, interessantes, fascinantes e belos. Folhas de outono caídas seria um exemplo. Wabi Sabi pode mudar a nossa percepção do mundo na medida em que uma mancha ou rachadura em um vaso torna mais interessante e dá maior valor ao objeto de meditação. Da mesma forma que os materiais nus, tais como papel, madeira e tecidos envelhecidos se tornam mais interessantes à medida que exibem mudanças que podem ser observadas ao longo do tempo.

Os conceitos de wabi e sabi são religiosos de origem, mas o uso real das palavras em japonês muitas vezes é bastante casual talvez por uma natureza sincrética dos sistemas de crença japonesa. Muitas artes japonesas nos últimos mil anos, ter sido influenciado pela filosofia do budismo Zen e Mahayana, particularmente a aceitação e a contemplação da imperfeição e do constante fluxo e impermanência de todas as coisas. Essas artes podem exemplificar uma estética wabi-sabi:
O Honkyoku (tradicional música dos monges Zen)
O Ikebana (arranjo floral)
Os Jardins japoneses, jardins Zen e bonsai
A Poesia japonesa, particularmente o haiku
A Cerâmica japonesa, nomeadamente a no estilo Hagi
A Cerimônia do chá japonesa

"[Wabi-Sabi] alimenta tudo o que é autêntico, reconhecendo três simples realidades: nada dura, nada está acabado, e nada é perfeito."
(Richard R. Powell)


Retirado e adaptado de: http://en.wikipedia.org/wiki/Wabi-sabi (traduzido)
Imagens da Internet.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Verdade Inconveniente Sobre a Educação

Essa professora do Rio Grande do Norte não disse nada de novo... mas ela deu visibilidade a fatos que estão, como ela mesmo disse, aí na frente de todos que estão em sala de aula, não dos políticos e burocratas que de dentro dos seus gabinetes impõem seus “planos” e “projetos” que em 99% dos casos ficam sobre as costas do professor, culpado de tudo de errado que acontece na educação e ainda como disse a professora Amanda Gurgel, deve ser o “redentor” de uma educação pública que deixa muito a desejar para dizer o mínimo.


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Olha o Tuba!

Coloquei aqui outro dia um vídeo de um mergulhador brincado com tubarões como se fossem animais de estimação. Muito tenso. Hoje vou colocar um clássico retirado, como sempre, do YouTube. Um esquete dos trapalhões sobre o tema com uma piada muito antiga, mas ainda assim engraçada, principalmente por ser dos velhos e bons tempos do programa "Os Trapalhões" da rede Globo, quando ainda podíamos ver o quarteto em plena forma (há ainda a participação do ator João Carlos Barroso). Vejam, conheçam (ou relembrem) e divirtam-se: Olha o Tuba!




terça-feira, 17 de maio de 2011

Acariciando Tubarões!

Encontrei esse vídeo do YouTube através de uma postagem no Facebook. É realmente um passatempo muito perigoso desse mergulhador Joe Romero. Tubarões são seres muito perigosos. Podemos ver na Wikipédia:

Calcula-se que os tubarões existam há cerca de 450 milhões de anos, sem grandes alterações em sua morfologia, o que sugere um bom nível de adaptação e evolução. Ocuparam diversos nichos ecológicos, desde os mares tropicais aos oceanos Ártico e Antártico.
Estes seres providos de estrutura corporal hidrodinâmica são criaturas importantes em quase todos os ecossistemas marinhos. A quase totalidade dos tubarões é marinha, carnívora e pelágica, habitando águas costeiras e oceânicas da maioria dos mares e oceanos, quer na sua superfície, quer na sua profundidade.
São conhecidas cerca de 400 espécies em todo o planeta, cujos tamanhos podem variam entre os 0,10 m e os 18 m de comprimento.
A pele dos tubarões é protegida por escamas placóides, com dentículos dérmicos, que lhes conferem uma superfície muito áspera. Possui ainda quimio-receptores, os quais possibilitam aos tubarões determinar se há substâncias nocivas na água, avaliar a salinidade e outros parâmetros químicos.
Alguns cientistas crêem que, como muitos outros peixes, os tubarões são míopes, estando a sua visão adaptada apenas para distâncias entre 2 e 3 metros, embora possa ser utilizada para distâncias de até 15 m com um menor grau de definição.  O seu olho possui uma camada refletiva, a qual permite um aproveitamento superior da luminosidade em locais com pouca luz, como as águas turvas ou profundas e à noite.
O olfato do tubarão é extremamente apurado, permitindo-lhes identificar substâncias bastante diluídas na água, como concentrações de sangue abaixo de 1 parte por milhão - o que equivale a perceberem-se de uma gota de sangue a 300 m de distância em pleno oceano. Por esta razão são por vezes designados como "narizes nadadores". Quando detectam o cheiro de sangue ou de corpos em decomposição, facilmente encontram o local de origem, utilizando principalmente o seu olfato (ou a visão para distâncias inferiores a 15 m).
A sua grande sensibilidade às vibrações, provoca comportamentos semelhantes. O seu ouvido interno, responsável pelo equilíbrio e detecção das vibrações de baixa frequência, situa-se postero-superiormente ao olho. Possui três canais semicirculares e detecta vibrações a longas distâncias, podendo o tubarão se aperceber do som de um peixe a debater-se a uma distância de 250 a 650 m. Em conjunto com o olfato, esta sensibilidade às vibrações, são os primeiros mecanismos utilizados na detecção de potencial alimentação. Uma vibração desconhecida, tanto pode provocar curiosidade como medo ao tubarão.
As suas linhas laterais são também capazes de captar vibrações de média e baixas frequências, correntes, mudanças na temperatura e pressão da água, assim como localizar obstáculos e alimentos em águas turvas. Do mesmo modo, pode também detectar, pela turbulência causada, a aproximação de um inimigo de grande porte.
A maioria das espécies só ataca um ser humano quando acredita que o seu território está a ser invadido, tal como faria com outro tubarão. Das 1848 ocorrências documentadas de ataques não provocados ao homem, 75% não estava relacionada com a alimentação, mas sim com este fator.
O ataque não provocado mais comum, denominado hit and run, ocorre mais frequentemente nas zonas de arrebentação com banhistas e surfistas. As provocativas e falsas vibrações (natação, surf, etc), e/ou enganosas atrações visuais (objetos e aparências humanas, como adereços brilhantes, roupas de banho coloridas ou o contraste de bronzeamento entre a perna e a planta do pé), podem originar que o tubarão confunda o homem ou parte dos seus membros com as suas presas. A vítima raramente consegue ver o seu agressor e o tubarão não costuma retornar após a primeira mordidela, muitas vezes inquisitória - o tubarão utiliza os seus dentes para identificar a textura, sabor e consistência do que está a morder, sem empregar a potência total da mordidela. Suspeita-se que o tubarão, durante a mordidela, identifica que o ser humano é um objeto estranho ou muito grande e, tão rápido quanto mordeu, solta a sua vítima e não volta. As lesões provocadas por este tipo de ataque ocorrem, com maior frequência, nos membros. Costumam limitar-se a áreas restritas, raramente provocando fatalidades quando a vítima é rapidamente resgatada da água e os primeiros socorros executados adequadamente para evitar uma grande hemorragia. Cerca de 90% das mortes ocorrem por afogamento secundário, provocado pelo choque que advém da falta de controle da hemorragia.
Apesar da maioria dos ataques de tubarão se dar sem nenhuma provocação - cerca de 86% -, outros se dão quando são provocados. Entre as provocações mais frequentes, encontram-se o arpoar, tocar, segurar a cauda, oferecer comida, bloquear a sua passagem ou qualquer outra ação que importune o tubarão.


*** 

Entenderam o tamanho do problema? Agora vem esse cidadão para brincar com eles como se fossem cahorrinhos!!!!  Atentem também para a música de Chingón “malaguena salerosa” que foi parte da trilha sonora do filme Kill Bill de Quentin Tarantino e que dá um tempero a mais nesse vídeo realmente muito tenso... pelo menos para mim...




segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os Gladiadores Romanos III

Há algum tempo atrás publiquei aqui e aqui uma série com dois posts sobre os gladiadores romanos e ilustrei um deles com uma bela imagem do quadro Pollice Verso de 1872, pintado pelo artista francês Jean-Léon Gérôme. Agora, descobri no site do Mdig que além de ter um erro sobre o modus operandi do Circo Maximus romano, o quadro contribuiu para propagar esse erro, que passou a ser imitado em diversas representações posteriores. Segue a reparação...

***

O quadro mostra a cena do circo anfiteatro no qual um gladiador espera a decisão do imperador: morte ou vida do gladiador caído. O povo, sedento de sangue, estica o braço e estende o dedo polegar para baixo e devido a uma tradução errônea do título interpreta-se "pollice verso" como "polegar para baixo".


Você já deve ter se lembrado de algumas cenas do cinema que imitam o quadro, inclusive podemos acrescentar o mais famoso: Ridley Scott teve a mesma ideia em mente quando dirigia o filme Gladiador, onde o gesto do polegar para baixo ficou marcado como a "morte".

Só que a realidade é bem diferente: "pollice verso" significa "polegar estendido" não "polegar para baixo". E tem mais. Este gesto nunca foi utilizado pelos romanos. 


O gesto que significava morte era realizado com o polegar para cima (nosso sinal de positivo, representando a espada desembainhada) e o gesto que significava vida era feito com a mão fechada e o polegar oculto (representando a espada embainhada). 


De fato, a expressão latina que define este gesto (o polegar oculto) é "pollice compresso favor iudicabatur" que significa "a boa vontade é decidida pelo polegar comprimido".