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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Habermas e a Razão

Segundo Jurgen Habermas, a Modernidade tem três grandes instituições fundamentais: Estado, Mercado e a Esfera Pública. Na Esfera Pública, as duas primeiras não deveriam ter poder, afinal, o argumento deveria valer mais que a posse. Um sujeito pobre deve poder vencer uma discussão intelectual de um rico, não pode?

Como refutação, argumentamos que há deturpações quando os processos que regem o Estado e o Mercado regem a Esfera Pública. Esse será o grande problema da questão.

Habermas defende que no Ilumisno não há apenas a razão instrumental (alvo de críticas de Foucault e Adorno). Há também uma razão comunicativa. Os dois autores haviam rejeitado totalmente a modernidade, procurando a saída na pós-modernidade (Foucault) ou na arte (Adorno). Habermas acredita que romper com a Modernidade é romper com determinadas estruturas que também são importantes.

Os Sistemas (Estado e Mercado) são regidos pela razão instrumental. A razão comunicativa deveria reger o Mundo da Vida. A praxis cotidiana não é determinada somente pela razão instrumental, que não deve ser vista de forma negativa, pois também tem sua importância para Modernidade.

Habermas concebe a razão comunicativa (comunicação livre, racional e crítica) como alternativa à razão instrumental e superação da razão iluminista - "aprisionada" pela lógica instrumental, que encobre a dominação. Ao pretender a recuperação do conteúdo emancipatório do projecto moderno, no fundo, Habermas está preocupado com o restabelecimento dos vínculos entre socialismo e democracia.

Habermas pensa em dois modelos de ação distintos: o estratégico (objetivo) e não-estratégico (comunicativo). Ambos são lógicos, no entanto, o primeiro é utilitário, enquanto no segundo há um consentimento entre as partes.

A ação estratégica não deve ser vista apenas de forma negativa. O problema está se o desenvolvimento da razão iluminista é bloqueado pela razão instrumental.
Na ação não-estratégica a expectativa de ação do outro não é manipulada para se atingir determinados fins. O conhecimento é compartilhado. Para a ação não-estatégica existir deve haver um consenso, sem hierarquia.

A razão estratégica está nos Sistemas, a não-estratégica no Mundo da Vida.


O Mundo da Vida é composto por três dimensões: cultura (conjunto de conhecimento mobilizado nas ações sociais), sociedade (ordem legítima, normas compartilhadas) e personalidade (competências e habilidades que propiciam a socialização dos indivíduos).

Os Sistemas estão dividos entre Estado (poder político) e Mercado (dinheiro e mercadorias). Habermas defende que o Mercado não funcionaria sem o dinheiro. Ele objetiva, quantifica e permite que o mesmo exista. Da mesma forma não haveria oraganização da sociedade sem política. A patologia ocorre quando essa lógica invade o Mundo da Vida.

Focault e Adorno vêem a Modernização social de forma muito crítica, enquanto Habermas vê de forma positiva. Pois para existir produtividade, deve predominar a razão instrumental.

A Modernidade proporcionou um processo de descentramento que resultou na existência de três esferas de valor: Ciência (busca pela Verdade), moral e arte. Cada esfera busca a autonomia, embora muitas vezes uma é atravessada pela outra (Exemplo: Pesquisas de célula tronco -Ciência- são proibidas pela Igreja -Moral-).

A patologia, segundo Habermas, é quando o Sistema coloniza o Mundo da Vida, expulsando a razão comunicativa em nome do lucro e do poder.

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