O ser humano não precisa de
amor, mas de amores. Precisa sim de três: Agape, Eros e Philos, para que seja
um ser (quase) completo. Completo como um ente único manifestando três aspectos
do amor humano e divino que se complementam e são transferidos para os objetos
desses amores, interagindo com outros entes também únicos.
Sem as influências estéreis da
maioria dos filósofos acadêmicos, vamos abordar algo sobre esses três amores do
ser humano, de maneira inteligível, sintética e prática para que possamos assimilá-los
em nossa existência.
Agape, Philos e Eros são
fundamentais na vida de qualquer indivíduo e devem ser desenvolvidos por todo
aquele que tem consciência desse fato. São também aspectos considerados muito
importantes e trabalhados na Via Draconiana. Nessa Via, pouco explorada pela
grande maioria, os três amores podem ser tipificados pelos arquétipos de
Lucifer (Agape), Sophiae (Philos) e Venus (Eros), entre outras associações e
correlações. O leitor verá, pelo que segue, o porquê dessas associações.
Contudo, por hora, não abordaremos as extensas implicações desse Caminho. O
interessado pode se aprofundar nessa matéria, sem medos infundados, estudando
as obras A Cabala Draconiana e A Revolução Luciferiana.
Mas, vamos aos amores da
humanidade, amores “doados” por Lúcifer e Vênus para que façamos bom proveito,
com discernimento.
As três formas de amor –
Agape, Philos e Eros – manifestam-se em três níveis que interagem entre si:
Agape é o amor em nível espiritual e universal (coração de Lúcifer); Philos, em
nível psicomental (cabeça de Lúcifer); e Eros, em nível etérico-material e
sexual (genitália de Lúcifer). É um sistema ternário que funciona no ser
humano, sendo cada forma de amor em maior ou menor grau. No humano superior,
mais evoluído, em seu estado lux-venusiano, iluminado pela consciência e pela
sabedoria, os três amores estão em equilíbrio.
“Agape” em grego significa
“amor”. Esse é o amor fraternal e espiritual entre camaradas, irmãos e irmãs,
entre a família, entre casais e seus filhos (quando de fato existe o sentimento
fraterno, e não uma mera convenção social de fachada). Agape é o amor afetivo
isento de conotações sexuais, isento de segundas intenções, isento de malícia e
de interesses pessoais. Sendo Agape o amor de afeição, é também amor de
satisfação, pois uma fraternidade, quer seja entre irmãos de sangue ou não,
quer seja entre esposo e esposa, quer seja entre um núcleo familiar, etc., esse
amor satisfaz porque é compartilhado e tem resposta entre todos aqueles que se
reúnem para formar uma fraternidade de homens, mulheres e crianças.
A satisfação de Agape também
se refere ao prazer por boas comidas e bebidas, por banquetes geralmente
alegres e harmoniosos partilhados entre pessoas fraternas e espiritualizadas
que se respeitam. Em antigos textos clássicos gregos como o poema épico A
Odisséia, de Homero, Agape expressa essa satisfação, esse prazer de
compartilhar refeições entre determinada fraternidade, determinado grupo, seja
de homens, mulheres, crianças, etc. Ao longo da obra de Homero, Agape pode ser
evidentemente percebido nas ações de seus personagens, especialmente entre
Odisseus e seus companheiros, bem como entre Odisseus e sua esposa Penélope,
entre Odisseus e seu filho Thelêmaco, entre Odisseus e seus empregados, o que é
manifestado com notável respeito e admiração. Podemos ver também a satisfação
entre esses atos fraternos associados às refeições em diversas circunstâncias
descritas ao longo da obra homérica.
Ainda na mitologia grega,
Prometheus (uma forma de Lúcifer) é um dos principais exemplos da manifestação
de Agape, vindo dos céus, do divino, com sua vontade e amor titânicos, para a
humanidade na Terra. A propósito, as palavras gregas Thelema (vontade) e Agape
(amor) têm ambas valor numérico 93 (9+3=12; 1+2=3, os três amores fundamentais,
Agape, Philos e Eros).
Assim, devido ao seu
significado e importância, Agape também existe no interior de ordens maçônicas,
ordens ocultistas, ordens esotéricas, ordens draconianas, etc.
Philos (ou phileo, philia), em
certo sentido, é também o amor fraternal, manifestado por lealdade, igualdade e
mútuo benefício, um amor de dedicação ao objeto amado. Contudo, Philos vai além
dessas definições, e a “dedicação” desse amor pode chegar a ser mental, que é
um nível abaixo do espiritual e acima do emocional. É o caso do amor pela
sabedoria (o objeto amado), ou seja, a filosofia. Esta pode ser um meio de
engrandecimento mental, intelectual e cultural, de busca pela verdade das
coisas, bem como todo um modo de vida que se adota e que se ama profunda e
conscientemente. Philos como amor, dedicação e apreciação, manifesta-se como
inquietudes interiores que impulsionam o ser humano à busca da sabedoria que
irá torná-lo maior, mais nobre, mais digno de ser amado e mais capaz de amar
conscientemente. Manifesta-se também como prazer mental, intelectual e
cultural, como prazer e sede por conhecimento e cultura útil, estimulante e
construtiva. O benefício mútuo que existe em Philos é o benefício que se tem
quando se vai adquirindo sabedoria ao longo da vida, pois quando se ama a
sabedoria (Sophia, a Deusa Mãe provedora de virtudes), ela própria nos devolve
mais sabedoria em troca de dedicação e adoração.
Nosso terceiro amor, Eros,
expressa o amor sexual, sensual, carnal, de atração física com a consumação do
prazer, e manifesta o instinto de união e reprodução. Sendo filho de Afrodite
(ou Vênus, a deusa da beleza, do amor, do sexo e dos prazeres, um aspecto de
Sophia), Eros (Cupido) manifesta o amor em seu nível físico-etérico, no mundo
material, com o estímulo dos cinco sentidos físicos e sua gratificação. Eros é
o amor que evoca a beleza, o prazer pela beleza e a perigosa obsessão pelo
objeto amado e pelo prazer que ele traz. Mas é também o amor essencial da
Natureza, a força primitiva da procriação de tudo o que vive, o amor
theriônico, bestial, de instinto sexual e de preservação da espécie. Eros deve
unir-se com Agape para gerar a beleza do amor romântico e sensual, a princípio,
que evolui para o amor de reciprocidade e de desejo mútuo um pelo outro, fluindo
em trocas de energias polarizadas entre o homem e a mulher. Tal troca de
energias ocorre por meio do sexo, em determinado nível, e por meio das
afinidades mentais e espirituais quando desenvolvido em amor completo
(Agape-Philos-Eros). Entretanto, Eros representa o amor mais perigoso dos três,
pois traz prazer, e (muita) dor se não for devidamente administrado, assimilado
e combinado com Agape e também com Philos.
Mas devemos sim buscar o
prazer, com o discernimento de epicuristas espiritualizados, pois é um direito
da raça humana, um bem de todos aqueles que o merecem. Devemos buscar os
prazeres sadios que nos enriquecem, que nos confortam, e que não degradam o
espírito, a mente e o corpo, de maneira que nosso esforço para obtê-los não
seja maior do que o seu desfrute. A obsessão e o vício doentios não são um
prazer, mas dor que leva à própria destruição do ser como um todo, o que não
contribui em nada para a evolução. Lúcifer não é debilidade, não é submissão
aos vícios, não é escravidão, não é decadência, não é degradação. Quando
combinado com Agape e Philos, o prazer erótico luciferiano é essencial para a
saúde do corpo e para a saúde do amor romântico (sem vulgarização), entre o
homem (Lúcifer) e a mulher (Vênus).
Nesse caso, para nascer uma
união ideal ou (quase) perfeita, é preciso de:
-Eros (atração física e
desejo);
-Philos (afinidade mental e
cultural);
-Agape (afinidade de ideais
espirituais e de grau evolutivo).
Assim, se forma a unidade
ternária do amor criativo e criador, a inspiração e o estímulo para a Senda da
evolução.
Para concluir, fazendo uma
outra analogia, no ser humano temos a cabeça (Philos), o coração (Agape) e os
genitais (Eros) unidos em um sistema cérebro-cardio-genital que deve funcionar
em harmonia. O ser humano deveria se esforçar para unir em si esses três amores
para que haja satisfação sadia em suas inter-relações, cada qual no lugar certo
e na medida certa, evitando a degeneração em seus vícios opostos (paixonite
grosseira, obsessão egoísta e depravação sexual). Tal corrupção dos três amores
pode causar uma “perda da alma” e seu conseqüente sofrimento, como podemos
facilmente observar ao redor do mundo com sua lastimável “civilização”.
Amar nessas três formas não é
sofrer mas sim atingir a paz ataráxica, quer dizer, a paz interior impertubável
do espírito auto-consciente, do espírito sábio, desfrutando o prazer sadio e
natural da alma, da mente e do corpo, traqüilamente.
Por Fr.’. Adriano Camargo
Monteiro
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