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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

O Universo é um Cérebro Gigante?


Há 6 anos o New York Times  publicou a imagem que mostramos aqui notando a surpreendente semelhança entre as neuroconexões de um rato e o de uma simulação computarizada do crescimento do universo, redemoinhado em aglomerados de galáxias rodeadas por estrelas e matéria escura. A imagem em princípio somente anedótica foi utilizada por numerosos sites para representar a correspondência entre a evolução cósmica e a evolução na terra, para citar o adágio hermético.

O caso é que a semelhança, assim como em um pareidolia cósmica, permitia que nossa imaginação voasse e sentisse o assombro de viver em um universo onde tudo parece estar conectado, onde cada forma parece ser o reflexo de outra forma arquetípica, em uma infinita fortaleza de espelhos.

Agora esta intuição que pulula a mente do homem há milênios -que o ser humano é uma imagem microscósmica do universo- parece ter se confirmado, ao menos parcialmente. Segundo uma pesquisa publicada na revista Nature, o universo cresce da mesma forma que um cérebro, com os disparos elétricos entre neurônios espelhados pela forma da expansão das galáxias.

A simulação computarizada, que representou como unidades quânticas subatômicas de tempo-espaço formam redes, sugere que existe um padrão de crescimento em comum –uma dinâmica natural– com a evolução do sistema. Uma dinâmica de crescimento que pode ser observada tanto no próprio cérebro humano como na internet ou no universo como conjunto. Esta conexão poderia entender-se talvez como a manifestação de um único sistema que se desdobra em múltiplos nós, que por sua vez são novos sistemas, cada um dos quais refletindo as condições e comportamentos de um sistema anterior -assim tecendo uma teia de aranha fractal ou uma rede de redes-.

Segundo o físico Dimitry Kroukov, da Universidade de San Diego, esta relação de correspondência evolutiva é um sinal de que há algo no funcionamento da natureza que, pelo menos por enquanto, escapa à física moderna.

Claro está,o achado de um paralelo no crescimento do universo e do cérebro não significa necessariamente que o universo seja um organismo pensante com uma sinapse de estrelas e uma consciência neurocósmica; no entanto, esta poética imagem do universo inteiro processando informação como um grande computador no qual figuraríamos apenas como um breve sonho, um lampejo de consciência ou um evanescente algoritmo entre milhares de milhões a mais, se aproxima infeliz e perigosamente do misticismo. E talvez por isso exerça uma irresistível atração: a atração das correspondências de que de alguma forma tudo e todos estamos cumprindo um único processo que se repete pela eternidade.

Fonte: Huff Post.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Cientistas Demonstram a Existência de Egrégoras


por Redação do Diário da Saúde

Quem já tocou em uma orquestra está familiarizado com o fenômeno: o impulso para suas próprias ações parece vir não de sua própria mente de forma isolada, mas parece ser controlado pela atividade coordenada do grupo.

E, de fato, quando duas pessoas tocam juntas, formam-se “redes intercerebrais”, que conectam os dois cérebros para que ambos funcionem como uma única rede “diencefálica”.

Isto acaba de ser demonstrado por cientistas do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, em Berlim (Alemanha).

Os cientistas usaram eletrodos para monitorar as ondas cerebrais de guitarristas tocando em duetos.

Eles também observaram diferenças significativas na atividade cerebral dos músicos, dependendo de se os músicos lideravam a dupla ou acompanhavam a música tocada pelo seu companheiro.

Música conecta cérebros

Quando os guitarristas tocam em dueto, a atividade de suas ondas cerebrais se sincroniza – isso foi descoberto em 2009 pela mesma equipe.

Mas agora os cientistas alemães foram um pouco mais longe do que isso.

Seu objetivo era descobrir se a sincronização das ondas cerebrais ainda ocorreria quando dois guitarristas não estão tocando exatamente as mesmas notas.

Isso seria incompatível com a hipótese corrente de que as similaridades na atividade cerebral entre os dois guitarristas devem-se inteiramente à percepção dos mesmos estímulos ou à realização dos mesmos movimentos.

E a hipótese de fato caiu por terra, sugerindo algo muito mais espetacular: a de que os dois cérebros se sincronizam para dar suporte à coordenação interpessoal da ação a ser empreendida, ou seja, tocar a música.

Ondas delta

A diferença entre o líder e o acompanhante também se refletiu na atividade elétrica captada pelos eletrodos.

“No músico que liderava, a sincronização das ondas cerebrais medida em um único eletrodo foi mais forte, e já estava presente antes que o dueto começasse a tocar,” conta Johanna Sänger, idealizadora do estudo.

Isto foi particularmente verdadeiro para as ondas delta, que se situam na faixa de frequências abaixo dos quatro Hertz. “Isso pode ser um reflexo da decisão do líder para começar a tocar,” sugere Sänger.

Rede entre cérebros diferentes

Os cientistas também analisaram a coerência entre os sinais dos diferentes eletrodos ligados à cabeça dos músicos.

O resultado foi notável:

Quando os músicos tiveram que coordenar ativamente a forma como tocavam, o que acontece principalmente no início de uma sequência, os sinais dos eletrodos frontais e central ficaram claramente associados – não apenas na cabeça de um dos músicos, mas igualmente entre as cabeças dos dois parceiros.

“Quando as pessoas coordenam as ações uma com a outra, formam-se pequenas redes dentro do cérebro e, notavelmente, entre os cérebros, em especial quando as atividades devem ser precisamente alinhadas no tempo, por exemplo, no início de uma peça,” diz Johanna Sanger.

Os dados indicam, assim, que as “redes diencéfalo” – ou redes entre cérebros – conectam áreas de ambos os cérebros associadas com a cognição social e com a produção musical.

Sincronia interpessoal

E os cientistas acreditam que essas redes intercerebrais não ocorram apenas durante a execução de músicas.

“Nós assumimos que as ondas cerebrais de pessoas diferentes também se sincronizam quando as pessoas coordenam suas ações de outras maneiras, como durante a prática de esportes, ou quando elas se comunicam uma com a outra,” diz Sänger.

Retirado de:

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre o Mundo de Hoje...


"As pessoas estão perdendo a habilidade de dialogar e de conhecer o outro. 

Elas ouvem, mas não escutam; falam, mas não se deixam conhecer; esbarram-se, mas não se vêem; e uma multidão caminha solitariamente em direção a lugar nenhum. 

Conviver é uma arte tão sutil quanto a música, a literatura, a pintura ou o teatro e que poucos aprenderam a dominar. 

Infelizmente, nas escolas não há disciplinas que ensinam a nos relacionar. 

A dificuldade de entrar no mundo alheio está criando uma geração de pessoas impacientes e distantes. 

Ao perdermos a generosidade de respeitar diferentes pontos de vista, transformamos a convivência em familia, os casamentos e os negócios em verdadeiros campos de batalha, em que o outro passa a ser o inimigo...

A competição selvagem, em que valores humanos são destruídos, só vai terminar quando aprendermos a conviver com a adversidade..."
(Roberto Shinyashiki)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Mundo Maravilhoso do "Almeidinha"


“Direitos humanos para humanos direitos”
Por Matheus Pichonelli, da Carta Capital
Almeidinha era o sujeito inventado pelos amigos de faculdade para personalizar tudo o que não queríamos nos transformar ao longo dos anos. A projeção era a de um cidadão médio: resmungão em casa, satisfeito com o emprego na “firma” e à espera da aposentadoria para poder tomar banho, colocar pijama às quatro da tarde, assistir ao Datena e reclamar da janta preparada pela esposa. O Almeidinha é aquele sujeito capaz de rir de qualquer piada de português, negro, gay e loira. Que guarda revistas pornográficas no armário, baba nas pernas da vizinha desquitada (é assim que ele fala) mas implica quando a filha coloca um vestido mais curto. Que não perde a chance de dizer o quanto a esposa (ele chama de “patroa”) engordou desde o casamento.

O Almeidinha, para nosso espanto, está hoje em toda parte. Multiplicou-se em proporção geométrica e, com os anos, se modernizou. O sujeito que montava no carro no fim de semana e levava a família para ir ao jardim zoológico dar pipoca aos macacos (apesar das placas de proibição) sucumbiu ao sinal dos tempos e aderiu à internet. Virou um militante das correntes de e-mail com alertas sobre o perigo comunista, as contas no exterior do ex-presidente, os planos do Congresso para acabar com o 13º salário. Depois foi para o Orkut. Depois para o Facebook. Ali encontrou os amigos da firma que todos os dias o lembram dos perigos de se viver num mundo sem valores familiares. O Almeidinha presta serviços humanitários ao compartilhar alarmes sobre privacidade na rede, homenagens a pessoas doentes e fotos de crianças deformadas. O Almeidinha também distribui bons dias aos amigos com piadas sobre o Verdão (“estude para o vestibular porque vai cair…hihihii”) e mensagens motivacionais. A favorita é aquela sobre amar as pessoas como se não houvesse amanhã, que ele jura ser do Cazuza mas chegou a ele como Caio Fernandes (sic) Abreu.

O Almeidinha gosta também de se posicionar sobre os assuntos que causam comoção. Para ele, a atual onda de violência em São Paulo só acontece porque os pobres, para ele potenciais criminosos (seja assassino ou ladrão de galinha) têm direitos demais. O Almeidinha tem um lema: “Direitos Humanos para Humanos Direitos”. Aliás, é ouvir essa expressão, que ele não sabe definir muito bem, e o Almeidinha boa praça e inofensivo da vizinhança se transforma. “Lógica da criminalidade”, “superlotação de presídios”, “sindicato do crime”, “enfrentamento”, “uso excessivo da força”, para ele, é conversa de intelectual. E se tem uma coisa que o Almeidinha detesta mais que o Lula ou o Mano Menezes (sempre nesta ordem) é intelectual. O Almeidinha tem pavor. Tivesse duas bombas eram dois endereços certos: a favela e a USP. A favela porque ele acredita no governador Sergio Cabral quando ele fala em fábrica de marginais. A USP porque está cansado de trabalhar para pagar a conta de gente que não tem nada a fazer a não ser promover greves, invasões, protestos e espalhar palavras difíceis. O Almeidinha vota no primeiro candidato que propuser esterilizar a fábrica de marginal e a construção de um estacionamento no lugar da universidade pública.

Uma metralhadora na mão do Almeidinha e não sobraria vagabundo na Terra. (O Almeidinha até fala baixo para não ser repreendido pela “patroa”, mas se alguém falar ao ouvido dele que “Hitler não estava assim tão errado” ganha um amigo para o resto da vida).

A cólera, que o fazia acordar condenando o mundo pela manhã, está agora controlada graças aos remédios. O Almeidinha evoluiu muito desde então. Embora desconfiado, o Almeidinha anda numas, por exemplo, de que agora as coisas estão entrando nos eixos porque os políticos – para ele a representação de tudo o que o impediu de ter uma casa na praia – estão indo para a cadeia. Ele não entende uma palavra do que diz o tal do Joaquim Barbosa, mas já reservou espaço para um pôster do ministro do Supremo ao lado do cartaz do Luciano Huck (“cara bom, ajuda as pessoas”) e do Rafinha Bastos (“ele sim tem coragem de falar a verdade”). O Almeidinha não teve colegas negros na escola nem na faculdade, mas ele acha que o exemplo de Barbosa e do presidente Barack Obama é prova inequívoca de que o sistema de cotas é uma medida populista. É o que dizia o “meme” que ele espalhou no Facebook com o argumento de que, na escravidão, o tráfico de escravos tinha participação dos africanos. Por isso, quando o assunto encrespa, ele costuma recorrer ao “nada contra, até tenho amigos de cor (é assim que ele fala), mas muitos deles têm preconceitos contra eles mesmos”.

O Almeidinha costuma repetir também que os pobres é que não se ajudam. Vê o caso da empregada, que achou pouco ganhar vinte reais por dia para lavar suas cuecas e preferiu voltar a estudar. Culpa do Bolsa Família, ele diz, esse instrumento eleitoral que leva todos os nordestinos, descendentes de nordestinos e simpatizantes de nordestinos a votar com medo de perder a boquinha. Em tempo: o filho do Almeidinha tem quase 30 anos e nunca trabalhou. Falta de oportunidade, diz o Almeidinha, só porque o filho não tem pistolão. Vagabundo é outra coisa. Outra cor. Como o pai, o filho do Almeidinha detesta qualquer tipo de bolsa governamental. A bolsa-gasolina que recebe do pai, garante, é outra coisa. Não mexe com recurso público. (O Almeidinha não conta pra ninguém, mas liga todo dia, duas vezes por dia, para o primo de um conhecido instalado na prefeitura para saber se não tem uma boca de assessor para o filho em algum gabinete).

O filho do Almeidinha também é ativista virtual. Curte PlayStation, as sacadas do Willy Wonka, frases sobre erros de gramática do Enem, frases sobre o frio, sobre o que comer no almoço e sobre as bebedeiras com os moleques no fim de semana (segue a página de oito marcas de cerveja). Compartilha vídeos de propagandas de carro e fotos de mulheres barrigudas e sem dentes na praia. Riu até doer a barriga com a página das barangas. Detesta política – ele não passa um dia sem lembrar a eleição do Tiririca para dizer que só tem palhaço em Brasília. E se sente vingado toda vez que alguém do CQC faz “lero-lero” na frente do Congresso. Acha todos eles uns caras fodásticos (é assim que ele fala). Talvez até mais que o Arnaldo Jabor. Pensa em votar com nariz de palhaço na próxima eleição (pensa em fazer isso até que o voto deixe de ser obrigatório e ele possa aproveitar o domingo no videogame). Até lá, vai seguir destruindo placas e cavaletes que atrapalham suas andanças pela cidade.

Como o pai, o filho do Almeidinha tem respostas e certezas para tudo. Não viveu na ditadura, mas morre de saudade dos tempos em que as coisas funcionavam. Espera ansioso um plebiscito para introduzir de vez a pena de morte (a única solução para a malandragem) e reduzir a maioridade penal até o dia em que se poderá levar bebês de oito meses para a cadeia. Quer um plebiscito também para acabar com a Marcha das Vadias. O que é bonito, para ele, é para se ver. E se tocar. E ninguém ouve cantada se não provoca (a favorita dele é “hoje não é seu aniversário mas você está de parabéns, sua linda”. Fala isso com os amigos e sai em disparada no carro do pai. O filho do Almeidinha era “O” zoão da turma na facul).

Pai e filho estão cada vez mais parecidos. O pai já joga Playstation e o menino de 30 anos já fala sobre a decadência dos costumes. Para tudo têm uma sentença: “Ê, Brasil”. Almeidinha pai e Almeidinha filho têm admiração similar ao estilo civilizado de vida europeu. Não passam um dia sem dizer que a vida, deles e da humanidade em geral, seria melhor se o país fosse dividido entre o Brasil do Sul e o Brasil do Norte. Quando esse dia chegar, garantem, o Brasil enfim será o país do presente e não do futuro. Um país à imagem e semelhança de um Almeidinha.

Vi primeiro em: 

domingo, 2 de dezembro de 2012

A Pedagogia do Coitadinho


«Ao contrário do que se pensa, a falta de autoridade, a cumplicidade com o erro, a tentativa de se "amar" os alunos, em nada os beneficia. Baixando as expectativas, a escola está a contribuir para que os resultados dos pobres sejam piores do que poderiam ser. Há quem diga que estes alunos carecem de afecto. Sucede que a escola não é o lugar indicado para lho dar. O que a esta compete, em primeiro lugar, é ensinar-lhes o que a aldeia, o bairro e a família jamais lhes poderão fornecer. As pieguices em redor dos coitadinhos nada resolvem.» (Mónica, M. F., (1997), Os filhos de Rousseau, Lisboa, Relógio D'Água, p. 11.)


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Vivemos em tempos de uma "Pedogogia do Coitadinho" que não prepara os jovens para os rigores da vida adulta, antes cria sociopatas incapazes de lidar com as adversidades inexoráveis que advém do fato de se estar vivo. Como dizia Don Juan Matus, mestre do Carlos Castaneda: "O Universo é Predador!" e devemos ser guerreiros impecáveis se quisermos sobreviver.


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Por Fabio Flores
Nada é mais profano e perverso na relação ensino/aprendizagem que a “Pedagogia do Coitadinho”, pois esta concepção anula toda e qualquer iniciativa de superação e construção da autonomia por parte do estudante. Infelizmente ainda ouvimos muitos educadores proferirem a sentença: “coitadinho, mas este aluno tem tantos problemas, a gente deveria pegar leve com ele”.

Uma rápida consulta a nossa história pode nos apontar inúmeros exemplos de pessoas que tiveram uma vida pessoal hiper-atribulada, e, no entanto conseguiram obter êxito pleno nas atividades que desenvolviam. Por esta razão, julgo como criminosa a ação daquele que rotula de “coitadinho” um possível talento que é assassinado pelo punhal da “caridade”.

Sigmund Freud ficou conhecido como o pai da psicanálise, foi sem dúvida um dos maiores intelectuais do século XX, porém conviveu com dramas pessoais bastante intensos, a começar pelo fato de ser judeu e sentir na pele todo o ódio do nazismo. Conviveu com as dores e os dramas de um câncer que não o impediram de manter-se academicamente produtivo.

Albert Einstein, o gênio da física e principal nome das ciências exatas no século passado, comeu o pão que o diabo amassou durante sua infância em função da gigantesca instabilidade financeira que vivia sua família. Não possuía interesse por participar das atividades em grupo na escola, preferindo isolar-se da turma. A habilidade lógica que possuía o instrumentalizava para excelente desempenho em matemática, desempenho este que era inversamente proporcional nas disciplinas que exigiam memorização, tais como história, geografia e grego.

Paulo Freire tornou-se o mais importante nome da educação na América Latina em função da defesa e sistematização de uma educação libertadora pautada na vivência do educando. Sua infância foi marcada pelas enormes dificuldades financeiras e pela morte de seu pai-herói. O homem que foi reconhecido como doutor honoris causa em diversas universidades do Brasil e do mundo foi alfabetizado num contexto onde o chão era o quadro-negro e os gravetos eram o giz.

Ludwig van Beethoven que encantou inúmeras gerações com seu talento latente na arte de compor sinfonias que cruzam séculos com o frescor e sintonia, teve uma infância marcada pelos desencontros afetivos de um pai alcoolatra, pelas sequelas de uma varíola que deixaram marcas em seu corpo, da reconhecida surdez que poderia ter assassinado seu talento. No entanto, o mesmo nos presenteou com nove sinfonias, cinco concertos para piano, trinta e duas sonatas, e tantas outras obras clássicas.

Como tivemos a oportunidade de perceber neste breve relato da biografia de quatro dentre as inúmeras histórias de superação que conheço, e que dão prova que os problemas sociais podem dificultar, mas nunca impedir que o educando transcenda os limites de sua realidade e alcance o sucesso a partir de seus próprios méritos sem depender da “caridade”, nem tampouco formas escusas de promoção pessoal.

Não existe máquina, nem habilidade humana capaz de descrever qual é o limite do outro. Quando resumimos o outro ao “coitadinho” estamos o condenando à inércia, e o impedindo de acessar o maior de todos os conhecimentos, que é o conhecimento de si mesmo. Estamos negando ao outro a dimensão afetiva do ato educativo, pois nos colocamos numa posição de superioridade, na posição daquele que tudo sabe, e por saber tudo, sabe até o quanto o outro não sabe, e tudo aquilo que o outro nunca vai saber. Sobretudo ditamos o que o outro não precisa saber, e assim tatuamos definitivamente na alma deste estudante a marca da subserviência, e a eterna convicção de ser mais um “coitadinho”.

Fabio Flores é palestrante e professor dos cursos de Comunicação Social e Pedagogia da FAESA.

Retirado de: