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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O Perigo do Uso de Alucinógenos na Religião e na Vida


Vivo alertando para quem me pergunta sobre o perigo do uso de substâncias alucinógenas, quaisquer delas, para quem tem alguma mediunidade latente... Como na maioria das vezes não sabemos se estamos nessa condição, pois quem sabe quase sempre já está encaminhado vivendo a sua senda, é mais saudável ficar longe de qualquer substância capaz de jogar alguém num estado alterado de consciência... Os antigos utilizavam-se de drogas para contatar a(s) Divindade(s), não da forma descontrolada como se faz hoje. E sempre havia um Mestre ou Xamã para orientar ou para consertar as burradas que um neófito é capaz de fazer... Leia o excelente texto abaixo que versa sobre o assunto e tire suas próprias conclusões...

*** 

Uma Experiência com o Santo Daime
Por Daniele Roses
Após conhecerem algumas pessoas em um encontro de espiritualistas de diversas religiões em 2006, duas irmãs que já tinham muito interesse em vivenciar essa experiência, resolveram ir a uma igreja daimista indicada por pessoas que frequentavam há muito tempo. Ao chegarem no templo no dia marcado, foram muito bem recebidas, o local, a primeira vista, parecia sério e com uma ótima infra estrutura , um ambiente agradável e cercado pela natureza.

O dia escolhido foi especial , aniversário de uma delas. Fizeram um jejum por 48 horas (de carne , sexo e álcool), tal como ocorre em outras religiões. Elas estavam felizes porque acreditavam no fundo do coração que iriam ampliar a consciência e teriam um maior "contato" com o plano espiritual, de acordo com a crença de cada uma.

Na época, uma delas estava trabalhando como médium em um centro de umbanda tradicional, porém não informou a ninguém da casa que iria tomar o daime, nem mesmo consultou os seus guias, pois tinha certeza que seria algo divino e possibilitaria um contato ainda "melhor"com os seus. A outra, também resolveu proceder da mesma forma,  não informou ao sacerdote de sua linha pagã.

Após a abertura , ou seja , as orações e cânticos típicos da tal igreja,  tomaram a primeira dose do chá que era extremamente amargo, uma delas sentiu-se tonta, com mal-estar e não conseguia relaxar, enquanto a outra ficou bem tranquila no inicio, motivando a irmã a relaxar naquele momento especial.

Enquanto todos pareciam relaxados e felizes, o mal-estar ainda perdurava em uma delas  e por fim, obrigando sua mente a se concentrar,  foi relaxando aos poucos e nesse momento, iniciou-se o desenrolar do terror vivido. 

Ao iniciar o processo de relaxamento tardio, apareceu suavemente plasmada em sua frente uma face feminina extremamente linda, algo divino, uma santa de expressões orientais que ela não conhecia. Esta imagem ficava rindo de uma maneira irradiante, e apesar de toda magia nesse processo, a pessoa não se sentia confortável, o mal-estar persistia. E nesse momento de quase hipnose e aceitação, ela ouviu uma voz muito familiar de sua protetora espiritual (pv), que disse em alto e bom som (tal como um encarnado): "Filha, cuidado, nem tudo que reluz é ouro. Veja, mas acima de tudo, sinta, que a verdade se revelará!"

Apesar do efeito hipnotizante que aquela imagem plasmada provocara, ao ouvir o conselho da voz e sobretudo, sobre o "sentir", ela se tocou que a sensação de mal-estar continuava e, imediatamente, olhou a "santa" com olhar e pensamento critico, acordando da hipnose e, no exato momento desse "olhar", o belo virou macabro...

A imagem explodiu, como em um desenho animado, aparecendo uma face masculina bem feia, rindo debochadamente e se transformando em um  tipo de espectro preto que rapidamente se locomoveu para um outro local; ela o seguiu com olhar e viu que ele não era o único, pois tinham centenas deles; para cada pessoa no local em transe hipnótico, havia vários deles em volta  sugando a energia na altura do plexo solar.

As formas dos espíritos eram variadas, tinham uns com aspectos mais humanos, enquanto outros eram vultos pretos e ainda, tinham os com a roupagem fluídica "estilo diabinhos"- com chifres , metades humanos e metade animais.

O desespero tomou conta dela, principalmente quando eles a viu  enxergando-os, de impulso, ela se levantou e quis ir embora, mas as portas estavam trancadas com as "servas especiais" vigiando as saídas - para sair em algum momento e fazer necessidades fisiológicas, apenas com uma dessas cuidadoras ao lado. Uma das servas tentava acalmá-la, dizendo que estava sendo "purificada" e que tudo iria melhorar na sua vida, colocando-a novamente no lugar anterior.

Ela não teve escolha, a não ser retornar para a "cadeira elétrica", pois era impossível fugir, restando apenas ver todo aquele terror e chorar, desesperadamente, até o fim da sessão. Em um dado momento, a voz de sua mestra voltou dizendo: "calma , estamos aqui com você minha filha", então ela se recordou que precisava pedir ajuda aos seus guias espirituais, devido ao desespero que vivenciava, tinha esquecido por completo de chama-los para ajudá-la nesse momento tão critico.

E apesar de todo esse terror, o que aconteceu em seguida foi algo mágico e pela primeira vez, ela os viu como vê os encarnados - antes só os tinha visto em sonhos ou desdobramentos. Eles fizeram um circulo em sua volta e formaram uma "parede"de Luz com diversas cores, a mestra(guia) ficou ao seu lado conversando, pedindo para se acalmar e explicava o que os demais guias estavam fazendo para ajudá-la, no  caso, energizando o seu campo aurico para recuperá-la de todo desgaste psíquico, físico e energético .

Ao estar mais equilibrada, lembrou-se que sua irmã estava ao seu lado e observou que a mesma  estava desesperada, a chamou e lhe pediu calma, orientando-a de acordo com que lhe era informado pela sua mestra , no caso, a fazer mentalização da egrégora que a protegia - evocando-os mentalmente. Apesar do seu desespero, sentiu confiança nas orientações e fez. Em todo momento, os guias diziam que as duas estavam sendo "tratadas", mas que precisavam se acalmar para poder ir embora em segurança sem o efeito do chá potencializado.

Resumindo o relato, ainda tiveram que tomar mais 2 doses e foram, literalmente, obrigadas a beber e a alegação do "chefe" da seita era para finalizar o processo de limpeza que tinha sido iniciado, o que estavam sentindo era algo normal, que fazia parte da cura espiritual. As duas vomitaram na segunda dose e na terceira cuspiram (fingiram vomitar) na janelinha que é feita para este fim.

Em um determinado momento de "sobriedade" do chá, pediram para ir ao banheiro e tentaram conversar a fim de planejar uma fuga, mas sempre tinha alguém  vigiando-as, por fim conseguiram fugir na terceira ida ao banheiro já no final da sessão. Saíram correndo e desceram uma ribanceira de terra , que nem duas loucas fugitivas; o certo (orientado por eles) seria, após esse término de sessão, aguardar por no minimo 1 hora para serem liberadas, mas elas nem cogitaram essa hipótese de espera.

Na hora de pegar o carro e dirigir foi um terror a parte, pois viam vários vultos pretos em tudo quanto era lugar e seguindo o carro, ligaram para o namorado de uma delas pedindo para preparar banhos e defumador de limpeza; após o banho, conseguiram conversar melhor sobre tudo que tinha acontecido durante aquelas poucas horas que pareciam eternas no momento, queriam ver que tipo de alucinações tiveram.

Até aquele momento, estavam confusas sobre o que viram, se era real ou alucinação causado pelo daime, mas ao descrever alguns espectros uma para outra, constataram que tinham visto a mesma coisa - uma iniciava o relato de características e a outra terminava- então tiveram a certeza de que não podia ser alucinação (alucinações extremamente diversas, exatamente iguais para duas pessoas diferentes - racionalmente impossível!), viram as mesmas coisas e isso foi determinante.

Na noite do evento, elas não conseguiram dormir. Uma delas, sentiu na pele como o personagem do filme "Sexto sentido", vendo e ouvindo pessoas mortas, ao retornar para sua casa no outro dia pela manhã.

No outro dia a noite, ambas foram procurar ajuda de seus sacerdotes espirituais. Ao chegar no centro espírita umbandista em que trabalhava, uma delas pediu para ser dispensada de seus trabalhos para ser atendida na assistência (ajuda espiritual). Como relatado no inicio, ela não tinha informado a ninguém para onde ia com medo de ser repreendida e ao chegar na sessão foi chamada, imediatamente, pelo chefe da gira o "caboclo sete flechas", que disse:"Moça, valeu a pena pra você ? O trabalho que vcs nos deram ontem, espero que tenha aprendido a lição, vai ter que fazer um tratamento espiritual e a outra também, porquê isso acabou abrindo o chacra e por isso estão vendo mais que deveriam! Sei que você foi lá na intenção de se conectar melhor com seus guias e Deus ; vocês não precisam tomar nada para se conectar a Deus, espero que tenham aprendido a lição. Vocês acham que os santos, orixás, deuses vão perder tempo indo em um lugar para ficar rindo para as pessoas, levá-los para passear ? Eles, assim como nós, tem mais o que fazer nesse mundo de K ,minha filha... O mal do homem branco é que mexem e deturpam ritos que são dos povos vermelhos, agora viraram escravos de kiumba que se vestem de santos . Muitos dos que estão lá hoje, tentamos ajudar, mas estão muito envolvidos e dependentes de suas alucinações."

Por fim , fez uns ritos e passou alguns banhos para reverter esse processo de abertura do chacra, mas avisou que a reversão não seria total e sim parcial, deveria adaptar-se as consequências desse ato. A outra também teve ajuda, mas ficou por algum tempo com pânico de dormir só e/ou no escuro, mas com os tratamentos e as práticas espirituais foi melhorando com o passar do tempo.

O que aconteceu, segundo as entidades, é que o chacra Ajna ou frontal das duas já estavam em processo de abertura devido as práticas espirituais, que essa abertura  tende a ser gradual para a pessoa se adaptar ao longo da senda, alguns casos levam anos. Com o daime, algo que levaria meses e/ou anos , levou minutos-horas! Quando uma pessoa leiga tem uma mediunidade, digamos, pré-adormecida por nunca ter trabalhado espiritualmente, e algo assim acontece, ela enlouquece.

Após alguns anos dessa experiência fantástica e macabra, ambas conseguiriam reequilibrar suas vidas, mas a mediunidade de uma delas nunca mais foi a mesma, em momentos inesperados vê , ouve e sente energias de outros planos, teve que se adaptar a essa nova realidade; a experiência apesar de muito impactante, deu certeza para as duas da existência de outros planos, da existência de dimensões conectadas a terceira dimensão e, no caso, viram como o plano astral está infestado de energias negativas criadas pelos encarnados e desencarnados que atuam como vampiros energéticos (obsessores).

Contudo, a experiência também mostrou, que há planos superiores dimensionais de espíritos amigos e irmãos que protegem os encarnados dessas energias deletérias, mas que para isso precisam querer essa ajuda para ser mais eficaz. E toda essa experiência, para as duas, acarretou em um maior vínculo de amor e gratidão entre elas e os seus protetores, e da certeza que não precisam de "meios extras" para se conectarem ao plano espiritual pois, o amor e a conduta são suficientes.


Observações:
Após esse relato , vamos há algumas considerações sobre eventuais perigos do uso desse chá :

* Segundo estudiosos espíritas e até alguns profissionais da medicina que investigam essa área sem preconceito, como o Neurocientista e médico Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, muitos internados em manicômios considerados  loucos são casos de médiuns de auto-grau em total desequilíbrio. Segue a excelente palestra do Dr. Sérgio: https://www.youtube.com/watch?v=9hwsfO9lgH4&feature=related


* Considerando a hipótese que um sujeito possui uma mediunidade "adormecida", ou seja, tem o dom que até então não se manifestou, no caso, a mediunidade do tipo visual e auditiva, e após o uso do chá "mistico"  passa  possuir tais dons de uma forma repentina, tal como um cego e/ou surdo que passa a ver e a ouvir inesperadamente, o que devemos esperar que aconteça com o indivíduo?

*No relato em questão, abrir o conhecido "terceiro olho" dessa forma repentina, não é nada agradável e nem saudável psiquicamente; médiuns com esse dom passam anos estudando, doutrinando-se e mesmo assim, nunca se adaptam , visto que não é fácil de conviver "vendo ou ouvindo" muito além do que é considerado normal pela maioria.

*Uma das hipóteses é, se a pessoa não tiver um histórico de patologia mental e nem conhecimento espiritual e/ou ocultista, mas após tomar Daime passa a ver espíritos e/ou ouvir vozes repentinamente e de forma assombrosa como relatado nessa caso real, o que vai acontecer? Vai atrair esses obsessores que passarão a atormentá-lo ou a fazer acreditar que recebe mensagens de Cristo,ou sei lá o que, enfim , ficará louco de verdade e isso pode ter consequências bem drásticas.

*No caso relatado, as duas já estavam há alguns anos estudando e praticando a espiritualidade, tinham um bom conhecimento teórico e prático de muitas coisas ocultistas e espiritualistas no geral, e isso foi determinante para não enlouquecerem de verdade. Se fossem leigas em relação a tais assuntos, das duas uma: ou teriam enlouquecido ou se matado.

*Cientificamente já foi comprovado o quanto o daime, ou melhor , a sua erva ayahuasca é alucinógena, em muitos  países o seu uso é proibido para todos os fins, já no Brasil o seu uso é liberado apenas para fins religiosos.

*Necessita-se de cuidado especial para buscar um local, pois há denúncias no ministério público de algumas dessas "igrejas daimistas" estarem utilizando outras "drogas" para potencializar o efeito deste chá. Logo , busque locais com indoneidade.

*Uma pesquisa no google sobre reportagens, relatos e pesquisas da erva são facilmente encontrados. Outro adendo , para quem não está preparado psicologicamente para esta experiência é bom pensar muito bem antes de se aventurar, há muitos casos de pessoas que surtam após o daime , como de suicidios.


    Enfim , Não estou dizendo que daime é algo ruim, mas concordo com o caboclo em gênero, número e grau . Não sou contra o uso de ervas para fins espirituais etc; mas deixa isso para os indígenas que detém essa arte (xamanismo), porque acredito que o homem branco ao se apossar das culturas (conhecimentos) de outros povos, acaba estragando tudo (na maioria dos casos) e isso pode ser constatado, ao longo da história humana.

   Esse relato já foi postado em uma comunidade ocultista como forma de informar a galera que busca novas emoções nesses meios e um antigo frequentador da UDV postou um relato parecido sobre o daime, para quem se interessar, segue o link:

Paz

Daniele Roses


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Ninguém Evolui por Ninguém


por Vitor Manuel Adrião
«O Discípulo evolui pelos seus próprios méritos», isto é, pelo seus próprios esforços já que ninguém evolui por alguém. Quem pensa o contrário, recorrendo a santões, profetas, adivinhos, médiuns, promessas devocionalistas, crença em datas apocalípticas, etc., etc., inclusive pagando para afinal ser enganado, está caindo no maior logro prejudicando gravemente a seu evolução verdadeira desperdiçando tempo e vida em superstições pueris.

«A si mesmo transformando, transforma o mundo», ou seja, pelo EXEMPLO dando à prática o Bem, o Bom e o Belo influindo positivamente na Aura Colectiva dos seus semelhantes em Humanidade. Uma Mente no Bem influi beneficamente no anulamento do Mal na Mente alheia; um Sentimento de Bom ou Bondade impõe-se ao Mau Sentimento e emoções passionais de toda a espécie do próximo; um Corpo cultuando o Belo faz com que o imite o Corpo que cultua o Feio, criação dos vícios sociais. 

O Bem da Sabedoria, o Bom do Amor, o Belo da Vontade em servir desinteressadamente a favor dos seus Irmãos de Grupo e de todos seres viventes. Ademais, «Quem equilibrar a sua Mente e o Coração na Terra, alcançará as maiores venturas do Céu» (JHS).

Já agora, para terminar: nós não precisamos dos Mestres mas os Mestres de nós. Isto é, como criaturas limitadas sujeitas aos vícios corporais e que, sendo mais comum do que aparenta, por um desaire psicomental qualquer mandamos às urtigas a espiritualidade, de facto assim não precisamos dos Mestres Vivos que são Seres muitíssimo ocupados. Mas Eles precisam de nós para o cumprimento no Plano Físico denso do Desígnio de Deus em cada Ciclo. Por isso, os Mestres de Amor-Sabedoria procuram os verdadeiros Discípulos a guisa de Diogenes com a sua lanterna à procura de um Homem. 

Quem se torna Discípulo de um Mestre Verdadeiro tem tudo a ganhar e tudo a perder: ganha em Iniciação Verdadeira que é ampliação da Vida-Consciência e perde em Vida-Energia ou condição profana que ao comum da Humanidade abarca, esta que também tem tudo a ganhar em espiritualidade e tudo a perder, desaire após desaire, decepção após decepção, na vivência profana do dia-a-dia, colecionando ilusões e mentiras para um dia, à porta do túmulo, as perder todas, e continuar além vida em condição igual à corpórea. 

Nisto, o verdadeiro Iniciado, que é todo o verdadeiro Discípulo (aquele que é aceite pelo Mestre após o aceitar incondicionalmente em seu peito), «não está sujeito à lei da morte», citando Camões.
Espero ter feito entender-me. Saudações amigas.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Entrevista com George R. R. Martin


George R.R Martin, o autor baixinho e corpuento de As Crônicas de Gelo e Fogo, a série épica de romances de fantasia que fornece a matéria-prima para a série Game of Thrones, da HBO, apresenta seu

escritório em Sanm Fé, Novo México. As paredes ostentam as ilustrações originais das capas de seus livros, com homens fortes com espadas e super-heróicos com cores berrantes. As salas são decoradas com vitrines lotadas de cavaleiros em miniatura e outros bonequinhos pintados travando batalhas em dioramas épicos.

Há alguns anos, este cidadão de Nova Jersey comprou a casa na frente de sua residência e a converteu em local de trabalho, com vitrais coloridos e uma torre que serve como biblioteca apesar de a prefeitura só ter dado permissão para que a estrutura tivesse dois andares de altura.

Aos 63 anos, Martin tem o entusiasmo de um adolescente meio nerd e o ar distraído de um mago ocupadíssimo. Publicado no ano passado nos Estados Unidos e neste ano no Brasil, A Dança dos Dragões, o quinto na sequência de sete volumes, está há diversas semanas na lista de mais vendidos, e os fãs esperam com impaciência pelo próximo volume. “Comecei a escrever estes livros em 1991", Martin diz e sacode a cabeça. "Neste intervalo, fiquei bem mais velho, mas os personagens só ganharam um ou dois anos.”

Vamos a entrevista.
  
Por que a série começa quase sem magia alguma?
Eu adoro fantasia, mas também amo ficção histórica. Eu queria fazer uma fusão das melhores qualidades de ambas, e isso exige que se tenha muito cuidado com a magia. Eu tenho a maior admiração pelo senhor dos Anéis, Gandalf não solta raios dos dedos por exemplo e se esse tipo de coisa aparece em todas as páginas, amagia,digamos, perde a magia...

Alguns autores tramam cada página com todo o cuidado; já outras improvisam a coisa toda. Em que ponto desse espectro você se encontra?
Eu tenho nomes para estes tipos de escritores: eu os chamo de arquitetos e de jardineiros, O arquiteto, antes de colocar um prego em uma tábua, tem todas as plantas e sabe como a casa vai ser e por onde os canos vão passar. Depois, temos os jardineiros, que cavam e plantam uma semente, regam  “às vezes com o próprio sangue” e algo aparece. Eles sabem o que plantaram, mas mesmo assim há muitas surpresas. Bom, mas é raro encontrar um autor que  seja um arquiteto puro ou um jardineiro puro; eu estou bem mais próximo de um jardineiro. Eu sei qual é o fim definitivo da série e eu sei qual e o destino de todos os personagens principais, mas há muitos personagens menores, mas tem outros detalhes que vou encontrando ao longo do caminho. Para mim, tanto como leitor quanto como escritor, o mais importante é a viagem,
não o destino final.

Cada capítulo apresenta o ponto de vista de um personagem diferente. Isso pode deixalos com que ar mais simpático, mas nem todos. Por que ?

Nós todos temos razões para as coisas Que fazemos, até mesmo para as coisas que aparentemente são malignas. Elas às vezes se baseiam em princípios equivocados ou em egoísmo inato ou em compulsões psicológicas, mas ainda assim são razões. Algumas das minhas primeiras historias de ficção cientifica tratavam do terna da telepatia: se nós pudéssemos ler a mente uns dos outros, será que isso levaria ao amor e a compreensão universal ou à repulsa universal?

Seus livros também têm elementos de terror, os leitores vivem apavorados com a noção de que qualquer personagem pode morrer a qualquer momento. Então ?

A noção de que ninguém está a salvo existe porque esta é uma história de guerra. Eu mesmo sempre fui contrário à guerra, eu nunca fui mandado para a guerra, mas tive amigos que foram para o Vietnã e que falaram sobre suas experiências. Uma das coisas fundamentais que aprendi com eles é que, no Vietnã não importava se você fosse o melhor atirador ou se fosse o cara capaz de fazer o maior número de flexões de braço. Qualquer um podia ser morto a qualquer momento.

Qual foi a inspiração para criar tyrion Lannister, o anão por trás das tramoias?
Eu escrevi umlivro com Lisa Tuttle, em 1981, chamado Windhaven, e nele há um comentário paralelo em que um dos personagens está falando sobre visitar alguma ilha distante e diz: “Tem um anão; é o homem mais feio que eu conheço, mas também é o mais inteligente”. Por algum motivo, fiquei com isso na cabeça, e quando comecei a escrever Crônicas, lá estava ele. Tyrion cravou as garras em mim e se tomou um dos personagens mais fundamentais, que realmente fizeram a série avançar.

Tfyrion e Daenerys estão entre as invenções mais vigorosas.
Eles estão entre os personagens que fazem mais sucesso, apesar de eu achar que os dois com aceitação mais ampla sejam Jon Snow e Arya. Cada personagem tem seus fãs e seus detratores, algo que considero como enorme elogio. Nós nos sentimos assim em relação a pessoas reais: alguém gosta delas, outros se irritam com elas e outros ainda acham que são umas trouxas. Quando se cria um personagem fictício que todo mundo adora, ou que todo mundo odeia, você provavelmente criou um pedaço de papelão.

Você achava que Game of Thrones Iria fazer tanto sucesso na TV?
Meus livros foram escritos, praticamente, para não serem filmados. Eu os escrevi no final de uma década em Hollywood, onde sempre me diziam que os meus roteiros eram ótimos, mas eram caros demais... será que dava para colocar menos personagens ? Será que essa batalha poderia ser um duelo? Não era um processo que eu apreciava. Por isso, quando retornei à prosa, disse: “Bom, não preciso mais me preocupar com o orçamento”. Eu simplesmente escrevi estes romances da maneira mais grandiosa quão minha imaginação permitia, sem nunca sonhar que um dia seriam filmados. Agora, David Benioff e Dan Weiss (os criadores da série da HBO ) é que precisam lidar com esta tremenda dor de cabeça. Eu não ( Risos ).

Quanto você já avançou no próximo livro, The Winds of Winter ?
Não tanto quanto eu gostaria de ter avançado. Vai ser mais um livro de 1.500 páginas, e eu só escrevi umas 200. Ainda tenho muito pela frente.

Você se preocupa com a possibilidade de a série de Tv alcançar os livros?
Em não diria que me preocupo. Tenho uma boa vantagem. Mas volte a fazer essa pergunta daqui a um ano, talvez a resposta seja diferente! Tenho vários outros projetos que estou dando conta;preciso tirar tudo da frente para poder me concentrar nos livros. Preciso aprender a dizer não quando alguém me pede um conto ou um prefácio. Na semana passada, fiquei o tempo todo escrevendo apresentações para três livros distintos. A verdade é que eu escrevo devagar, independentemente do que esteja fazendo, seja um épico de fantasia gigantesco, seja um prefácio. “São só mil palavras, você consegue matar em uma tarde.” Mas não, não consigo,passo três dias suando em cima daquilo.

Qual foi o momento em que você percebeu que não precisava mais se preocupar com dinheiro?
Não sei dizer com certeza se esse momento já chegou. Por ter tido uma infância pobre como a minha, um menino de conjunto habitacional popular de Nova Jersey, eu sempre tenho consciência de como o dinheiro pode ir embora. Na época em que vendi um livro de mistério e assassinato com tema de rock “androll”, de 1983,demorei mais ou menos um ano para escrever e recebi US$ 100 mil por ele. E, quando isso aconteceu, eu disse a mim mesmo: “Agora eu ganho US$ 100 mil por ano”, e isso foi um erro enorme. Comprei uma casa e um carro novo, e daí o livro não vendeu nada. Precisamos refinanciar a casa, e eu pensei: “Como é que eu vou conseguir pagar ?”  Então, cada vez que eu recebo um cheque, penso: “E se este for o último cheque que eu vou receber na vida?”

Houve muitos outros cheques que vieram antes ?
Eu fui escritor a vida toda, eu costumava vender histórias escritas à mão para os outros meninos do conjunto habitacional popular. Vendi a minha primeira história para uma revista profissional em 1971. Passei a escrever em tempo integral em 1979 e tenho me virado bastante bem. Assim como qualquer escritor, tive anos bons e anos ruins, mas houve muito mais sucessos do que fracassos. Mas, nos últimos dois anos, eu me transformei em um escritor-celebridade, e isto é diferente de ser um escritor de sucesso. Sou reconhecido em restaurantes e aeroportos e fico surpreso toda vez que isso acontece. Isso normalmente não acontece com escritores. Cormac McCarthy mora aqui em Santa Fé, e eu não faço a menor ideia de qual da cara dele. Pode ser o fulano de tal, na fila do supermercado e eu nem vou saber.

Algumas pessoas criticam a quantidade de sexo no seriado mas os seus livros também têm bastante. Você chega a ter algum incômodo com isso?
Recebo cartas relativas a isso com bastante regularidade. É um aspecto de repúdio natural dos norte americanos. Você pode escrever a descrição mais detalhada e mais vivida de um machado penetrando um crânio e ninguém diz absolutamente nada nem reclamam disso, mas se escrever uma descrição igualmente detalhada a respeito de um pênis penetrando uma vagina, recebe cartas de gente dizendo que nunca mais vai ler o que você escreve. Mas que diabo é isso ? Um pênis penetrando uma vagina traz muito mais alegria para o mundo do que um machado penetrando um crânio.

Como são os seus hábitos diários de escrita?
Nos meus melhores dias de trabalho, que não ocorrem com muita frequência, eu perco toda a noção de tempo e espaço. Caio na minha cadeira de manhã e, quando ergo os olhos, está escuro lá fora e as minhas costas doem. Sabe, às vezes eu penso sobre a razão da fiação, e sobre como aquilo se torna parte da nossa vida. Tenho algumas fotos da minha classe da 3° série; eu reconheço a mim mesmo e a uns poucos bons amigos. Mas quem diabos são aquelas  outras crianças ? Eu não me lembro do nome delas. Eu estava vivo em todos os dias da minha infância, masamaior parte dessas lembranças desapareceu. Por ter sido criado em Bayonne, o meu mundo tinha cinco quarteirões de extensão. A minha casa ficava em First Street e a minha escola ficava em Fifth Street . Mas a minha imaginação desejava um mundo muito maior. Então eu lia a respeitode planetas distantes e da Roma antiga e de Xangai e de Gotham City.

E isso tudo tornou você um escritor melhor?
Eu numa vi a luz verde no final do cais de Daisy nas festas no gramado de Gatsby. Mas, depois de ler O Grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald, aquele mundo me pareceu mais real do que coisas que eu de fato vivi. Se somos a soma das nossas experiências, como acredito que sejamos, então os livros são a parte mais importante da minha vida do que a minha vida de fato, É isso que eu tonto fazer com minha própria ficção: encher as histórias com pessoas imaginárias que vão se tornar mais reais para os meus leitores do que as pessoas que fazem parte de sua vida.

Material disponibilizado originalmente por Bruno "Brenner" Herdy da Toca do Vinil.
Fonte: Revista Rolling Stone.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A Origem da Cachaça


Por Rainer Sousa
No começo da colonização do Brasil, a partir de 1530, a produção açucareira apareceu como primeiro grande empreendimento de exploração. Afinal, os portugueses já dominavam o processo de plantio e processamento da cana – já realizado nas ilhas atlânticas – e ainda contavam com as condições climáticas que favoreciam a instalação de grandes unidades produtoras pelas regiões litorâneas no território.

Para que todo esse trabalho fosse realizado, os portugueses acabaram optando pelo uso da mão de obra escrava dos africanos. Entre outras razões, os colonizadores notavam que os escravos africanos eram adaptados ao trabalho compulsório, apresentavam maiores dificuldades para empreender fugas e geravam lucro à Coroa por conta dos impostos cobrados sobre o tráfico negreiro.

No processo de fabricação do açúcar, os escravos realizavam a colheita da cana e, após ser feito o esmagamento dos caules, cozinhavam o caldo em enormes tachos até se transformarem em melado. Nesse processo de cozimento, era fabricado um caldo mais grosso, chamado de cagaça, que era comumente servido junto com as sobras da cana para os animais.

Tal hábito fazia com que a cagaça fermentasse com a ação do tempo e do clima, produzindo um liquido fermentado de alto teor alcoólico. Desse modo, podemos muito bem acreditar que foram os animais de carga e pasto a experimentarem primeiro da nossa cachaça. Certo dia, muito provavelmente, um escravo fez a descoberta experimentando daquele líquido que se acumulava no coxo dos animais.

Outra hipótese conta que, certa vez, os escravos misturaram um melaço velho e fermentado com um melaço fabricado no dia seguinte. Nessa mistura, acabaram fazendo com que o álcool presente no melaço velho evaporasse e formasse gotículas no teto do engenho. Na medida em que o liquido pingava em suas cabeças e iam até a direção da boca, os escravos experimentavam a bebida que teria o nome de “pinga”.

Nessa mesma situação, a cachaça que pingava do teto atingia em cheio os ferimentos que os escravos tinham nas costas, por conta das punições físicas que sofriam. O ardor causado pelo contato dos ferimentos com a cachaça teria dado o nome de “aguardente” para esse mesmo derivado da cana de açúcar. Essa seria a explicação para o descobrimento dessa bebida tipicamente brasileira.

Inicialmente, a pinga aparecia descrita em alguns relatos do século XVI como uma espécie de “vinho de cana” somente consumida pelos escravos e nativos. Entretanto, na medida em que a popularização da bebida se dava, os colonizadores começaram a substituir as caras bebidas importadas da Europa pelo consumo da popular e acessível cachaça. Atualmente, essa bebida destilada é exportada para vários lugares do mundo.

domingo, 11 de novembro de 2012

Profecias Científicas Que Não Deram Certo


"Viagens de trem em altas velocidades não são possíveis, os passageiros impedidos de respirar morrerão de asfixia."
* Dionysius Lardner, 1823

"No ano 2000 não existirá mais C, X ou Q no alfabeto usado no cotidiano."
* Ladies Home Journal, Dezembro 1990

O Institute for the Future previu em 1974 que em 1985 não existiriam mais pessoas obesas.

"Todos os casais serão felizes em 1990."
* John Haberton, 1893

"As casas voarão [em 2000]... Virá o tempo em que comunidades inteiras migrarão para o sul no inverno, ou mudarão para novas terras sempre que sentirem vontade de mudar de cenário."
* Arthur C. Clarke, Vogue, 1966

"Por volta de 1960 o trabalho será limitado a três horas por dia."
* John Langdon-Davies, A Short History of the Future, 1936

"Os raios-X são uma fraude"
* Lord Kelvin, físico inglês, 1900

"A Bomba nunca vai funcionar, e falo como um especialista em explosivos"
* Almirante William Daniel Leahy, conselheiro do Presidente Trumam em assuntos nucleares, 1945.

"A clonagem de mamíferos é biologicamente impossível"
* James McGrath e Davor Solter, biólogos, em artigo na Science, 1984

"Não teremos artrite em 2000."
* Dr. William Clark, 1966

"Em 2000, políticos simplesmente desaparecerão. Não veremos mais nenhum partido político."
* R. Buckminster Fuller, 1966


"A teoria dos germes de Louis Pasteur é uma ficção ridícula"
* Pierre Pachet, Professor de Fisiologia em Toulouse, 1872


"No futuro, os computadores não pesarão mais do que 1,5 tonelada"
* Popular Mechanics, prevendo a evolução da ciência, 1949


"Penso que há talvez no mundo um mercado para 5 computadores"
* Thomas Watson, presidente da IBM, 1943


"Viajei por todos os lados neste país, e posso assegurar-lhes que processamento de dados é uma ilusão que não perdura até o fim do ano"
* O editor encarregado de livros técnicos da Prentice Hall, 1957


"Não há nenhuma razão para que alguém queira ter um computador em casa"
* Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp.,1977


"Este 'telefone' tem inconvenientes demais para ser seriamente considerado um meio de comunicação. Esta geringonça não tem nenhum valor para nós"
* memorando interno da Western Union, 1876.


"A caixa de música sem fio não tem nenhum valor comercial imaginável. Quem pagaria para ouvir uma mensagem enviada a ninguém em particular?"
* Sócios de David Sarnoff em resposta a sua consulta urgente sobre investimentos em rádio nos anos 20.


"Quem se interessaria em ouvir os atores falar?"
* H.M. Warner, Warner Brothers, no auge do cinema mudo, 1927.


"Máquinas mais pesadas do que o ar são impossíveis"
* Lord Kelvin, presidente da Royal Society, 1895.


"Se eu tivesse pensado a respeito disso, eu não teria feito a experiência. A literatura está cheia de exemplos mostrando que isso não pode ser feito"
* Spencer Silver, a respeito de seu projeto que culminou com os adesivos "Post-It" da 3M.


"O professor Goddard não conhece a relação entre ação e reação e a necessidade de ter algo melhor do que o vácuo contra o qual reagir. Ele parece não ter o conhecimento básico ensinado diariamente em nossas escolas secundárias"
* Editorial do New York Times em 1921 a respeito do estudo revolucionário de Robert Goddard sobre os foguetes.


"Broca para petróleo? Você quer dizer furar o chão para encontrar petróleo? Você está louco"
* Operários que Edwin L. Drake tentou contratar para seu projeto de prospecção de petróleo em 1859.


"Aviões são brinquedos interessantes mas sem nenhum valor militar"
* Marechal Ferdinand Foch, Professor de estratégia, Ecole Supérieure de Guerre, Paris.


"Tudo que podia ser inventado já o foi"
* Charles H. Duell, Diretor, Departamento de Patentes dos Estados Unidos, 1899, ao propor o fechamento da sessão de registro de novas patentes.


"640 K é mais do que suficiente para qualquer um"
* Bill Gates, 1981