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segunda-feira, 7 de junho de 2021

A Bomba que Nunca Explodiu

Por Jamille Lima

Em uma cidade do País Vasco, durante a guerra civil iniciada pelo ditador conservador defensor da família do bem, Francisco Franco, houve uma bomba que atingiu a terra, mas nunca explodiu. 

A bomba foi embutida no meio da praça central da pequena cidade. Os moradores surpresos e assustados não ousaram movê-la, muito menos desarmá-la. Lá permaneceu por anos durante o governo de Franco como um símbolo de morte, do poder do regime e do castigo de quem se revelou.

Um dia de primavera, pela manhã, Julen se cansou dos detalhes da paisagem que arruinava a praça, procurou por ferramentas e decidiu desmontar e remover o dispositivo.

 Nas primeiras horas trabalhou sozinho, ao meio-dia já contava com a ajuda dos amigos. (Porque se há algo pelo que morrer, que seja com os amigos) No meio da tarde, todas as pessoas da cidade já estavam na praça, na expectativa e colaborando como podiam.

Ao anoitecer, eles a desarmaram, entraram em uma carroça e decidiram que iam levá-la para a cidade vizinha, onde ficava a sede municipal da região. Mas o interessante da história foi o que encontraram dentro da ponta da bomba. 

Lá, junto com cabos e pedaços de metal, eles encontraram um papel manuscrito que continha apenas algumas palavras. Achavam que poderia indicar o local onde foi feito, seus componentes ou algumas instruções de uso, mas mesmo assim despertou a curiosidade das pessoas.

Claramente não estava em vasco, espanhol ou inglês. Aparentemente era alemão. Na aldeia, só havia uma pessoa que conseguia decifrar a escrita: Mirentxu, que quando criança, por causa do trabalho do pai, havia passado alguns anos em Hamburgo. 

Mirentxu estava naturalmente na praça. Ela foi solicitada e assumiu o papel. Demorou alguns segundos para ordenar as palavras e a gramática na sua mente. Para cortar o suspense disse olhando para todos os seus vizinhos (que ao mesmo tempo a olhavam em silêncio): “No papel está escrito o seguinte: Saudações de um operário alemão que não mata inocentes”.

Ninguém saiu da praça nas horas seguintes. Eles discutiram, conjeturaram e interpretaram o manuscrito de mil maneiras.

Por fim, antes da meia-noite, o povo decidiu por unanimidade que a bomba não iria embora, até mesmo voltaria ao seu lugar. A partir daquele momento, a bomba na praça passou a simbolizar a resistência, o fim do medo e o poder de um povo com consciência de classe. 

Tudo isso como um presente de um trabalhador alemão que, em meio à ditadura nazista, arriscou a pele e deixou claro que nem o medo nem o regime seriam capazes de torná-lo um monstro a mais.


Se você vive sob regime fascista, ou sob qualquer regime de morte, e tem o estranho "privilegio" de ser empregado, recebendo um salário, dentro dele, você o sabota. 

Não precisa estudar ciências políticas para saber disso. Você precisa somente de sensibilidade e empatia, e de saber as consequências HUMANAS das políticas que estão sendo aplicadas na frente dos seus narizes.

domingo, 30 de maio de 2021

32 Conselhos de um Senhor de 80 Anos.

 

1. Evite fazer observações sarcásticas.

2. Se entrar em uma briga, bata primeiro e bata com força.

3. Nunca dê um aperto de mão sentado.

4. A inveja de um amigo é pior que o ódio de um inimigo.

5. Escute o que as pessoas têm a dizer.Não interrompa; deixe-as falar.

6. Guarde segredos.

7. Não cultive medo por ninguém. Todo homem pode morrer.

8. Seja corajoso. Mesmo se não for, ao menos finja ser. Ninguém consegue perceber a diferença.

9. Cuidado com as pessoas que não tem nada a perder.

10. Escolha a companheira da sua vida com cuidado. A partir dessa decisão, virão 80% de toda a sua felicidade ou miséria.

11. Se a casa do seu vizinho está em chamas, a sua também está em perigo.

12. Nunca elogie a si mesmo; se houver elogios, que venham dos outros.

13. Seja um bom perdedor.

14. Não deseje colher frutos daquilo que nunca plantou.

15. Quando aflito: respire fundo e distancie-se.

16. Dê às pessoas uma segunda chance, mas nunca uma terceira.

17. Cuidado ao queimar pontes. Você nunca sabe quantas vezes precisará atravessar o mesmo rio.

18. Lembre-se de que 70% do sucesso em qualquer área se baseia na capacidade de lidar com pessoas.

19. Defenda os menores. Proteja os indefesos.

20. Assuma o controle da sua vida. Não deixe que outra pessoa faça escolhas por você.

21. Visite amigos e parentes quando estiverem no hospital; você só precisa ficar alguns minutos.

22. A maior riqueza é a saúde.

23. Pense duas vezes antes de sobrecarregar um amigo com um segredo.

24. Mantenha um bloco de anotações e um lápis em sua mesa de cabeceira. Ideias que valem milhões de reais surgem de madrugada.

25. Mostre respeito por todos que trabalham para viver. Não importa o quão simples seja a profissão.

26. Vista-se adequadamente aos padrões da época.

27. Elogie a refeição quando for hóspede na casa de alguém.

28. Não permita que o telefone interrompa momentos importantes.

29. A menos que ela seja da sua família, sempre cumprimente uma mulher comprometida com um leve aperto de mão.

30. Não demore onde não é bem recebido.

31. Todo mundo “gosta” de ver você crescer profissionalmente, até começar a superá-los.

32. Ouça os mais velhos.

(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 22 de maio de 2020

6 Fatos que a Ciência já Provou Sobre o Abraço


Por Elena Shumilova

Vamos combinar: um grande e forte abraço não pode fazer mal a alguém. A ciência prova que o carinho vai muito além da sensação de se sentir querido. Neste dia do abraço, celebrado em 22 de maio, reunimos algumas pesquisas que comprovam científicamente os benefícios que o afago traz à saúde.

1. Abraços protegem contra os efeitos do estresse
Uma pesquisa feita pelo professor de Psicologia da Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, Sheldon Cohen comprovou que o abraço protege dos efeitos do estresse, da depressão e da ansiedade. O estudo foi publicado em 2014 na revista científica Psychological Science.

2. Diminuem os riscos de infecções
Durante a pesquisa sobre os efeitos dos abraços em pessoas estressadas, Sheldon Cohen entrevistou 404 adultos saudáveis e, durante 14 noites, indagou aos participantes por telefone sobre a frequência de conflitos interpessoais e abraços que receberam. Depois, as mesmas pessoas foram intencionalmente expostas a um vírus comum da gripe e submetidos a uma quarentena para avaliar os efeitos. Quem recebeu mais abraços teve reduzido o risco de infecções e também enfrentou melhor os conflitos que surgiram.
– Chegamos à conclusão de que quem recebe um abraço de uma pessoa em quem confia transmite mais apoio e aumenta a própria frequência de abraços. Percebemos também que o abraço reduziu os efeitos nocivos do estresse – disse Cohen.

3. Ajudam quem tem problemas para compartilhar emoções
De acordo com um estudo feito na Faculdade de Artes e Ciências da University of Missouri, nos Estados Unidos, pessoas que sofrem com alexitimia _ termo utilizado para designar quem tem dificuldade em verbalizar emoções e descrever sentimentos _ podem ser beneficiadas pelo abraço. Em um estudo, publicado em 2011 na revista científica Personality and Individual Differences, pesquisadores dessa instituição mediram o afeto compartilhado em 921 pessoas diagnosticados com alexitimia.

Ainda que eles tenham problemas para se relacionar, a comunicação mais afetuosa aliviou a aflição que essas pessoas sentiam e que gestos como o abraço fizeram com que elas liberassem hormônios que aliviam o estresse.

4. Abraço de mãe diminui a ansiedade das filhas
comprovou algo que tem sido dito há muitas décadas: o abraço de mãe é um santo remédio para quem está passando por uma situação de estresse. Em 2010, Seltzer reuniu um grupo de sete meninas, todas com 12 anos, e pediu que elas resolvessem uma série de problemas matemáticos em frente a pessoas que não conheciam.

Enquanto elas participavam do exercício, o ritmo de seus corações e os níveis de cortisol – hormônio associado ao estresse – foi medido. Um terço das meninas foi consolada com um abraço de suas respectivas mães, um segundo grupo recebeu uma ligação das mães e o terceiro não interagiu. O efeito benéfico foi o mesmo entre as adolescentes que ganharam abraço e as que falaram ao telefone. O nível de oxitocina, conhecido como o "hormônio do amor" ou o "hormônio da felicidade", aumentou significativamente nas participantes dos dois grupos e continuo fazendo efeito depois que o exercício foi finalizado.

5. Reduzem a pressão arterial
Em 2013, um estudo da Universidade Médica de Viena, na Áustria, liderado pelo neurofisiologista Jürgen Sandkühler, comprovou que abraçar alguém pode, além de promover o bem-estar, reduzir a pressão arterial e melhorar a memória. No entanto, o efeito só se manifesta se o ato de afeto é feito por alguém de confiança. A "culpa" é da oxitocina liberada no organismo. O hormônio, quando presente na corrente sanguínea, reduz a pressão arterial e diminui a sensação de estresse e ansiedade.
– Nossa pesquisa mostrou que o efeito positivo só ocorre se as pessoas confiam uma nas outras – explicou Sandkühler.

Mas atenção: a mesma pesquisa percebeu que abraçar estranhos tem efeito estressante.

6. Aliviam a dor
Na Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, a psicóloga Karen Grewn também pesquisou sobre os efeitos do abraço e comprovou que o carinho pode aliviar a dor. Ela e sua equipe recrutaram mulheres que sofrem com enxaqueca e, durante os testes, as participantes relataram melhora significativa na dor de cabeça. A conclusão de Grewn foi de que os cérebro recebe primeiro os sinais de alívio em relação à sensação de dor.

Retirado de:

quinta-feira, 5 de março de 2020

15 lições de Santo Agostinho


Principal filósofo do período da filosofia conhecido como Patrística, Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho foi um filósofo da idade média cujo trabalho ajudou a fundar as bases da filosofia adotada pela Igreja Católica, bem como levantar questões que influenciaram a toda a história posterior da filosofia.

Até Agostinho os filósofos cristãos defendiam que o fundamento e a essência da vida deveriam ser a fé, particularmente, a fé cristã. A partir da fé os homens tomariam decisões importantes em suas vidas e realizariam os julgamentos morais, para a razão era legada a atuação na vida cotidiana, em decisões menores e rotineiras. Agostinho, por outro lado, conhecedor da filosofia por traz de diversas religiões e muito bem versado em filosofia geral, buscava na razão a justificativa para a fé.

Entre os muitos tópicos nos quais trabalhou, explorou a questão da liberdade humana, na forma do livre arbítrio, defendendo que a Graça Divina seria o elemento garantidor da liberdade. Formulou ainda a doutrina do pecado original e a teoria da guerra justa.

Segundo Agostinho, os cristãos deveriam ser filosoficamente e pessoalmente pacifistas. Isto significa dizer que os cristãos deveriam defender a paz, optando por ela por princípio, sempre que possível, mas permite que, quando não for possível estabelecer a paz, faça-se a guerra. Entendeu que uma postura pacifica perante um mal que apenas poderia ser parado pela violência é um pecado, uma vez que permite a perpetuação deste mal.

Agostinho deixou um legado gigantesco, com importantes frases que, independentemente da sua religião, te farão refletir sobre o modo como você encara a vida.

Selecionamos algumas mensagens de Santo Agostinho que são verdadeiros ensinamentos, seja você cristão ou pagão.

Qual o limite do amor?

“A medida do amor é amar sem medida” – Santo Agostinho

O amor é uma daquelas coisas que não conhece o excesso. Quando o sentimento é verdadeiro e sadio, não existem motivos para medi-lo ou limitá-lo. Ame sem limites!

Não faça por fazer…

“Não basta fazer as coisas boas, é preciso fazê-las bem.” – Santo Agostinho

Para que algo dê certo – seja uma tarefa, plano ou objetivo – precisamos de determinação e comprometimento com aquilo que desejamos cumprir. A vontade é importante, mas não vale de nada sem o esforço, o empenho e o compromisso.

Por isso, coloque o seu coração em tudo o que for fazer. Não se contente em finalizar metas, mas em aprender durante o percurso e dar o melhor de si em cada novo desafio!

Aprenda a esperar para aprender

“Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência” – Santo Agostinho

Ter paciência é uma das lições que mais custa aprender para a maioria das pessoas. Vivemos numa geração acostumada com o imediatismo das coisas. Mas, nem tudo na vida acontece no momento que você quer… Devemos aprender a esperar. Este é um dos passos mais importantes rumo à sabedoria.

Avance para as próximas páginas!

“O mundo é um livro e quem fica sentado em casa lê somente uma página.” – Santo Agostinho

O mundo é muito mais do que os seus olhos podem ver! Permita-se explorar e conhecer sentimentos, lugares e costumes que estão fora da sua “zona de conforto”.
Não viva preso no seu “cubo de vidro”, onde tudo é familiar e fácil. Vá, saia, experimente, caia e levante-se algumas vezes! Somente assim conseguirá conhecer o mundo e saber como é realmente viver nele…

A verdade (quase sempre) dói

“As pessoas costumam amar a verdade quando esta as ilumina, porém tendem a odiá-la quando as confronta.” – Santo Agostinho

A verdade nem sempre será aquilo que desejamos ouvir. Precisamos estar conscientes de que não somos perfeitos… Todos erram, mas é na tentativa de melhorar e mudar que crescemos e nos fortalecemos.

Em constante renovação

“Nada estará perdido enquanto estivermos em busca.” – Santo Agostinho

“Mesmo que já tenha feito uma longa caminhada, sempre haverá mais um caminho a percorrer.” – Santo Agostinho

Não dê nada como garantido. Por mais longa que tenha sido a busca ou a caminhada, nunca desista de continuar seguindo. Sempre há algo de novo espreitando nas esquinas da vida. Fique atento!

O que deve ser realmente importante para você

“Não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és.
A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco.” – Santo Agostinho

“Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.” – Santo Agostinho

As coisas nem sempre podem sair como planejamos, mas quando são feitas com os “ingredientes” certos, pode ter a certeza que tudo valerá a pena.

Três regras básicas

“Conhece-te, aceita-te, supera-te.” – Santo Agostinho

São três etapas muito importantes que constantemente precisamos ultrapassar.

Ligações que são essenciais

“necessitamos um do outro para sermos nós mesmos.” – Santo Agostinho

Fortalecendo o que realmente vale a pena

“Preocupas-te se a árvore de tua vida tem galhos apodrecidos? Não percas tempo; cuida bem da raiz e não terás de andar pelos galhos.” – Santo Agostinho

Agostinho se refere à importância de priorizarmos e valorizarmos a nossa essência, o nosso núcleo, a nossa base. Se você tiver bons princípios, por mais que alguns ramos da sua vida se quebrem, você nunca definhará. O fator principal para a reconstrução está na sua essência!

Eliminando o mal pela fonte…

“O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios”. – Santo Agostinho

As filhas da Esperança

“A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.” – Santo Agostinho

Uma é espelho da outra

“Onde não há caridade não pode haver justiça.” – Santo Agostinho

Compartilhe com o mundo aquilo que você gostaria que fosse partilhado contigo. Por mais “feia” e “grosseira” que a humanidade possa parecer, às vezes, tudo o que precisamos para mudar as energias ao nosso redor é encher o mundo com o máximo de coisas boas.


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

História do Lanche XVI: O Sorvete


Sorvete (português brasileiro) ou gelado (português europeu) é uma sobremesa gelada à base de lacticínios, como leite ou nata, à qual é adicionada fruta ou outros ingredientes e sabores.

A maior parte contém açúcar, embora alguns sejam feitos com adoçantes. Em alguns casos, são acrescentados corantes ou aromatizantes como complemento ou substituição dos ingredientes naturais.

A emulsão é batida lentamente durante o arrefecimento, de forma a incorporar ar e prevenir a formação de cristais de gelo de grandes dimensões.

O produto final é uma espuma semissólida suave e consistente, facilmente maleável e que pode ser retirada com uma colher.

Apesar da origem exata do sorvete não ser possível de determinar, existem registos históricos que nos dão uma visão do seu aparecimento.

A versão mais aceita atribui sua autoria aos chineses, por volta de 1000 a.C, quando, talvez, algum cozinheiro criativo experimentou usar flocos de neve para produzir uma iguaria diferente. Animados com o resultado, ao longo dos séculos, foram experimentando. Um outro resolveu colocar uma pasta de leite de arroz e especiarias na neve para que solidificasse

Na China de 4 000 anos atrás, uma sobremesa à base de leite e arroz foi congelada na neve e rapidamente a delícia ganhou prestígio, mas apenas entre a nobreza, que podia dispor de leite (então uma mercadoria cara) e tinha como conservar a neve até o verão, valendo-se de câmaras frigoríficas subterrâneas.

Alguns pesquisadores afirmam que foi Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), rei da Macedônia, o introdutor do sorvete na Europa, trazendo do Oriente uma mistura de salada de frutas embebida em mel que era guardada em potes de barro enterrados no chão e mantidos frios com a neve do inverno.

Outra corrente de pesquisadores atribui esse feito aos árabes, que teriam aperfeiçoado a receita chinesa com o desenvolvimento da técnica de incorporar a neve ao suco de frutas e ao mel. Até então, a receita primitiva apenas acrescentava os ingredientes à neve, produzindo algo muito semelhante às atuais “raspadinhas”. Turcos e árabes garantem que “sorvete” é uma palavra de origem árabe, procedente de sharbat, que significa “bebida fresca”.

Babilônios, egípcios, gregos e romanos deliciaram-se com esta guloseima fria cuja preparação, entretanto, era muito complicada e cara, o que fazia do sorvete um prazer para poucos, só desfrutado por reis e pessoas privilegiadas da época. Exigia que se trouxesse neve do alto das montanhas, que ela fosse armazenada em buracos na terra revestidos de madeira onde o gelo era comprimido e coberto com palha para que se conservasse.

Já no século I o imperador romano Nero comia uma mistura de sorvete doce que era feito com a neve e o gelo transportado das montanhas para Roma. O gelo era misturado com coberturas de frutas tendo-se tornado numa sobremesa favorita das elites daqueles tempos.

Mais tarde, entre 618 e 697, o imperador chinês King Tang usava um método semelhante mas misturava leite com o gelo, ficando assim uma espécie de sorvete parecido com os atuais.

Em sua viagem à China, em 1271, o veneziano Marco Polo teria encontrado grande variedade de cremes congelados de frutas. As receitas de sorvete à base de água, teriam vindo em sua bagagem em 1295, junto com o macarrão e o arroz, muito parecidas com as atuais, mas não saíram da Itália.

Catarina de Médici que, ao se casar com o rei francês Henrique II em 1533, levou em sua bagagem receitas e chefes de cozinha que lhe serviam, diariamente, sorvetes dos mais diversos sabores de frutas. Foi um certo Buontalenti, cozinheiro de Catarina de Médici (1519-1589), que introduziu a requintada sobremesa na corte francesa.

Em 1550, Blasius Villafranca, físico espanhol radicado na cidade italiana de Florença, descobriu ser mais fácil congelar a mistura de suco de frutas e especiarias juntando azotato de potássio (salitre) à neve (técnica já conhecida dos chineses desde o século 12).

Essa descoberta deu origem ao que poderia ser chamada de primeira sorveteira da História: dois recipientes de madeira e estanho – um maior, dentro do qual se colocava a mistura de neve, sal e salitre, e outro menor, que recebia os ingredientes que, depois de batidos, virariam sorvete.

Com este rudimentar equipamento e utilizando um método difícil, Villafranca acabou legando aos florentinos a honra de produzir os primeiros a sorvetes completamente solidificados da História e ampliaram a produção democratizando um pouco o consumo do produto. Até meados do século 16, o sorvete continuava a ser preparado com água, ou seja, sem leite ou ovos.

A neta de Catarina de Médicis casou-se em 1630 com Carlos I da Inglaterra e, segundo a tradição da avó, também introduziu o sorvete entre os ingleses. Mais tarde os colonizadores britânicos levaram o sorvete para os Estados Unidos onde este tipo de sobremesa rapidamente ganhou a mesma aceitação que na Europa.

Em Portugal, o sorvete chegou durante o período de dominação espanhola (1580-1640) e faziam sucesso as bebidas nevadas, embora fosse difícil e caro trazer neve da Serra da Estrela para a corte em Lisboa.

Em 1670, o siciliano Francisco Procópio abriu em Paris um café que vendia sorvetes – a primeira sorveteria da história. Surgiram assim novas receitas de misturas geladas com leite e outros ingredientes aromáticos que eram servidos principalmente nas cortes reais francesa e italiana. O sucesso foi tão grande que, seis anos depois (1676), havia mais de 250 fabricantes de sorvete na capital francesa.

Em 1671, na Inglaterra, o leite ou seu creme, ovos e aromatizantes foram incorporados ao sorvete pelo francês DeMirco, pâtissier do rei Carlos II que, diante de uma novidade tão espetacular, tornou ilegal o consumo da iguaria fora da corte real e, dizem, para se garantir, até morrer, em 1685, pagou royalties ao chef pela criação, para que esta fosse exclusividade da sua mesa.

Por volta de 1715, no reinado de D. João V, havia inúmeros fabricantes de sorvete na capital portuguesa. A primeira sorveteria da Inglaterra foi aberta em 1757, na Berkeley Square, Londres, pelo chef-pâtissier italiano Domenico Negri, com o nome de Pot & Pine Apple.

O sorvete chegou aos Estados Unidos em 1770 levado pelo italiano Giovanni Bosio. Em 1776, a cidade de Nova York já tinha o seu próprio salão de sorvetes clássico, tendo-se começado a instituir pela primeira vez o termo “ice cream”, que derivou de “iced cream”. Personalidades americanas como Thomas Jefferson, George Washington e outros, serviam-na aos seus convidados.

Mesmo com todo este sucesso, fabricar sorvete era algo bastante difícil. Esta dificuldade foi resolvida em 1846, quando a norte-americana Nancy Johnson inventou uma espécie de congelador que funcionava com uma manivela e agitava uma mistura dos ingredientes. Na parte de baixo existia uma mistura de sal e gelo que ajudava ao congelamento. Foi esta a máquina percursora da produção industrial de sorvete.

No seguimento da invenção de Nancy, em 1851 e também nos Estados Unidos, o sorvete  viveu um dos momentos mais importantes da sua história. O leiteiro Jacob Fussel abriu a primeira fábrica de sorvetes em Baltimore, começando a produzir em grande escala, acabando por ser copiado por outros empresários de Boston, Washington e Nova York.

O cone do sorvete foi inventado pelo italiano Italo Marcioni, que registou a sua patente em 1903.

Por volta do ano de 1922, um produtor de salsichas britânico começou a ficar preocupado com a quebra nas vendas durante os meses quentes do ano, pois não tinha trabalho para ocupar os seus trabalhadores. Foi quando decidiu produzir gelados embalados e vendê-los a um preço muito acessível.

A venda realizava-se nas ruas usando um carrinho de três rodas com a seguinte publicidade: “Stop me and buy one” (pare-me e compre um). Tinha nascido a venda ambulante de gelados.

Foram os cariocas os primeiros brasileiros a experimentar a delícia gelada que já fazia sucesso em boa parte do mundo.

No dia 23 de agosto de 1834, Lourenço Fallas inaugurava na cidade do Rio de Janeiro, dois estabelecimentos – um no Largo do Paço (atual Praça XV) e outro na Rua do Ouvidor – especialmente destinados à venda de gelados e sorvetes.

Para isso, importou de Boston (EUA), pelo navio americano Madagascar, 217 toneladas de gelo, que aqui foi conservado envolto em serragem e enterrado em grandes covas, mantendo-se por 4 a 5 meses.

Não demorou muito para os sorvetes brasileiros ganharem um toque tropical, misturados a carambola, pitanga, jabuticaba, manga, caju e coco. Na época, não havia como conservar o sorvete gelado, por isso ele tinha que ser consumido logo após o preparo. Por isso, as sorveterias anunciavam a hora certa de tomá-lo.

Em São Paulo, a primeira notícia de sorvete que se tem registro é de um anúncio no jornal A Província de São Paulo, de 4 de janeiro de 1878, que dizia: “Sorvetes – todos os dias às 15 horas, na Rua direita nº 14”.

"No Brasil, antes do sorvete, as mulheres eram proibidas de entrar em bares, cafés, docerias, confeitarias… Para saboreá-lo, entretanto, a mulher praticou um de seus primeiros atos de rebeldia contra a estrutura social vigente, invadindo bares e confeitarias, lugares ocupados até então quase que exclusivamente pelos homens. Por isso, entre nós, o sorvete chegou a ser considerado o precursor do movimento de liberação feminina."

A evolução do sorvete no Brasil, deu-se a passos curtos, de forma artesanal, com uma produção em pequena escala e em poucos locais.

A distribuição em escala industrial no País só aconteceu a partir de julho de 1941, quando, nos galpões alugados da falida fábrica de sorvetes Gato Preto, na cidade do Rio de Janeiro, foi fundada a U.S. Harkson do Brasil, a primeira indústria brasileira de sorvete. Contava com 50 carrinhos, quatro conservadoras e sete funcionários.

Seu primeiro lançamento, em 1942, foi o Eski-bon, seguido pelo Chicabon. Seus formatos e embalagens são revolucionários para a época. Dezoito anos mais tarde, a Harkson mudou seu nome para Kibon.

Fontes: