"Todo mestre iluminado é uma evidência de que você está vivendo na escuridão, de que você precisa transformar sua escuridão em vida, em luz.
Esta parece ser uma tarefa enorme — ela não é, porém aparenta ser uma tarefa enorme —, transformar sua cegueira em límpidos olhos perceptivos, sua escuridão numa bela luz da manhã.
É uma coisa simples, a coisa mais simples do mundo, mas justamente por ser simples, não atrai a mente.
A mente está interessada em fazer grandes coisas.
O desejo por detrás de toda a ambição da mente é o de ser especial.
E você pode ser especial apenas com aquisições especiais.
O problema com o Zen é que ele deseja que você seja completamente simples, e não especial.
Ele vai contra o próprio desejo da mente, o qual não é um pequeno fenômeno — é um desejo de quatro milhões de anos, o qual todos estão carregando em diferentes vidas.
A mente não pode compreender porque você deveria ser simples, quando poderia ser especial, porque você deveria ser humilde, quando poderia ser poderoso.
E a mente é pesada, ela tem o grande peso do passado.
No momento em que a mente vê alguém humilde, simples, natural, um buda, imediatamente ela o condena, porque tal pessoa vai contra toda a constituição da mente humana.
E de uma certa maneira a mente está certa.
Para ser um buda você terá que abandonar a mente completamente, terá que se tornar um espelho vazio."
(Osho in: Ma Tzu: O espelho Vazio - Ed. Pontes)
sábado, 16 de agosto de 2014
Sobre a Mente Simples do Zen
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sexta-feira, 15 de agosto de 2014
"Na casa de meu Pai há muitas moradas (...)"
João 14:2
Por Sri Ramakrishna
Deus fez diferentes religiões para
satisfazer diferentes aspirações, épocas e países. Todas as doutrinas são
apenas outros tantos caminhos; mas um caminho não é, de modo algum, o próprio
Deus.
Na verdade, podemos chegar a Deus
seguindo quaisquer dos caminhos com sincera devoção.
Não importa a maneira de comer um bolo
com glacê: ele sempre terá sabor doce.
Assim como a água, única e mesma
substância em todo o mundo, recebe diferentes nomes dos diferentes povos –
água, water, eau, aqua, pani – também o Eterno, a Imperecível Bem-Aventurança,
é invocado por diferentes nomes: alguns o chamam de Deus, outros de Alá, alguns
o chamam de Javé, outros de Brahman.
Assim como podemos subir ao teto de uma
casa usando uma escada, um bambu ou uma corda, diversos são também os caminhos
e os meios para chegarmos até Deus, e cada religião do mundo mostra um desses
caminhos.
Inclinar-se e adorar, quando outros se
ajoelham – onde muitos prestam o tributo da adoração o Senhor Se manifestará,
pois Ele é misericórdia.
O Salvador é o mensageiro de Deus. Ele é
como o vice-rei de um poderoso monarca.
Quando há distúrbios em uma província
distante, o rei manda seu vice-rei subjulgá-los; sempre que há um declínio da
religião em alguma parte do mundo, para ali Deus envia seu Salvador.
É um único e mesmo Salvador que, tendo
mergulhado no oceano da vida, ergue-se em um lugar e é conhecido como Krishna
e, mergulhando novamente, ergue-se em outro lugar e é conhecido como Cristo.
Cada um deve seguir a sua religião.
O cristão deve seguir o cristianismo, o
muçulmano deve seguir o islamismo e assim por diante.
Para os hindus o antigo caminho, o
caminho dos sábios arianos, é o melhor.
As pessoas dividem suas terras por meio
de fronteiras, mas ninguém poderá dividir o céu que está acima de nossa cabeça.
O céu indivisível cerca tudo e tudo
inclui.
Na sua ignorância as pessoas dizem:
“Minha religião é a única verdadeira, minha religião é a melhor”.
Mas o coração, quando iluminado pelo
verdadeiro conhecimento, sabe que acima de todas essas guerras de seitas e
sectarismos preside a indivísivel, eterna e onisciente bem-aventurança.
A mãe, cuidando dos filhos doentes, dá
arroz e curry para um, araruta para outro e pão com manteiga para o terceiro;
também o Senhor oferece diferentes caminhos para pessoas diferentes, cada um
apropriado a cada natureza.
mais são do que os vários aspectos do
Brahman Absoluto”.
Retirado e adaptado de:
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segunda-feira, 4 de agosto de 2014
O carpinteiro e a Transmutação
Anônimo
“Contam que, em uma marcenaria houve uma
estranha assembleia.
Foi uma reunião onde as ferramentas
juntaram-se para acertar suas diferenças.
Um martelo estava exercendo a
presidência, mas os participantes exigiram que ele renunciasse.
A causa?
Fazia demasiado barulho e além do mais,
passava todo tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu
também que fosse expulso o parafuso, alegando que ele dava muitas voltas para
conseguir algo.
Diante do ataque, o parafuso concordou,
mas pôr sua vez pediu a expulsão da lixa.
Disse que ela era muito áspera no
tratamento com os demais, entrando sempre em atritos.
A lixa atacou, com a condição de que se
expulsasse o metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se
fosse o único perfeito.
Nesse momento entrou o marceneiro,
juntou todos e iniciou o seu trabalho.
Utilizou o martelo, a lixa, o metro, o
parafuso…
E a rústica madeira se converteu em
belos móveis.
Quando o marceneiro foi embora, as
ferramentas voltaram à discussão.
Mas o serrote adiantou-se e disse:
senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o marceneiro trabalha com
nossas qualidades, ressaltando nossos pontos valiosos.
Portanto, em vez de pensar em nossas
fraquezas, devemos nos concentrar em nossos pontos fortes.
Então a assembleia entendeu que o
martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para
limpar e afinar asperezas, e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se como uma equipe, capaz de
produzir com qualidade, e uma grande alegria tomou conta de todos pela
oportunidade da trabalhar juntos.
O mesmo ocorre com os seres humanos.
Quando uma pessoa busca defeitos em
outra, a situação torna-se tensa e negativa.
Ao contrário, quando se busca com
sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas
humanas.
É fácil encontrar defeitos, qualquer um
pode fazê-lo, mas transmutar em qualidades?
Isto é para os sábios! “
Retirado de: http://www.deldebbio.com.br/2014/07/31/transmutacao/
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domingo, 27 de julho de 2014
Reflexões sobre o Nirvana
A
GRANDE PROTEÇÃO
Como
uma pessoa pode se proteger?
Evitando
o que é vil.
E
como se consegue isto?
Evitando
o esbanjamento infrutífero.
E
como se pode fazer isso?
Com
a atenção constante,
que
aumenta em profundidade
e
com um entusiasmo crescente.
E
o entusiasmo sadio e abalizado surge
quando
o praticante conhece
a
grandeza que reside na
serenidade
interior.
(Karica
in: A Essência do Nirvana)
A
MENTE
Todas
as coisas estão precedidas pela mente.
Quem
conhece a mente conhece todas as coisas.
A
mente titubeia como a chama de uma vela;
A
mente vai e vem como uma onda;
A
mente arde como num colossal incêndio na floresta;
A
mente cresce como uma poderosa inundação.
Se
considerarmos isto adequadamente
Teremos
de viver com a atenção bem dirigida,
até
que a mente domestique.
O
ser humano não deve se submeter a domínio de sua mente,
deve
ser o contrário,
a
mente é que obedece ao ser humano.
Quem
domina a mente, domina todas as coisas
E
não há empecilho para ele.
(Arya-Ratnamegha
Sutra in A Essência do Nirvana)
A
REGRA MAGNA
Há
uma regra que pode servir de resumo
a
tudo o que falamos sobre a Doutrina:
"Com
o cuidado de não tropeçarmos em nós mesmos,
devemos
proteger a todos os seres".
Se
tivermos bastante atenção,
a
nossa mente não nos trairá,
pois
frequentemente ela está tentando nos derrubar.
É
ela que, proposital mente,
joga
tropeços em nosso caminho.
Cabe
a ela mesma nos ajudar.
Como?
Através
da prática da atenção.
A
mente é fator de perdição,
mas
também é de libertação.
E
ao nos libertarmos estaremos,
ainda
que indiretamente,
ajudando
na libertação de outros.
(Arya-Sagaramati
Sutra in A Essência do Nirvana)
O
PASSADO E O FUTURO
Meus
caros monges,
Temos
de cultivar os quatro fundamentos da atenção
Para
superar e renunciar aquelas teorias
Que
se referem ao passado e ao futuro.
Só
o presente é o importante.
Umas
doutrinas falam de importância do passado,
Mas
e o hoje?
Outras
doutrinas falam da importância do futuro,
Mas
e a atualidade, onde é que fica?
O
que passou, passou.
O
que está além ainda não chegou,
Ou
ainda não chegamos até lá.
O
caminho é viver o presente.
E
não tem saída.
(Digha-Nikaya
in A Essência do Nirvana)
A
CONSCIÊNCIA DO PRESENTE
Não
recordes as coisas que passaram
E
não abrigues esperanças para o futuro.
O
passado ficou atrás de ti,
O
estado futuro ainda não chegou.
Mas,
aquele que com uma clara visão pode ver
que
o presente está aqui e agora,
que
um Sábio deve aspirar a conseguir
aquilo
que nunca pode ser perdido nem alterado.
(Majjhima-Nikaya
in A Essência do Nirvana)
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segunda-feira, 14 de julho de 2014
Sobre Filosofia e Livre Pensamento
O
Pensamento que Liberta
Por Fabio
Almeida
“Não
existe pensador católico. Não existe pensador marxista. Existe pensador. Preso
a nada. Pensa, a todo risco” Millôr Fernandes
Nos
tempos pré-históricos, encontrava-se o homem num período de escuridão
intelectual, sua inteligência achava-se dormente. Tal como uma semente que
carrega dentro de si todo o potencial de um dia tornar-se uma grande árvore,
assim era o homem, um embrião em estado latente, prestes a se transformar.
À
medida que sua compreensão dos fenômenos físicos aumentava, o homem se
libertava dos seus medos e distrações, assim, gradativamente, encontrava mais
tempo para refletir sobre a sua existência e buscar o conhecimento. Movido pela
curiosidade, o homem passou a buscar um entendimento lógico e sistemático da
realidade natural, da origem do cosmos, bem como, o entendimento do próprio
pensamento.
Portanto,
se filosofia é amor pela saber, ela não nasceu na Grécia, mas sim, no dia em
que o homem despertou sua inteligência do sono da ignorância. É claro que não
podemos tirar o mérito dos gregos, por serem, provavelmente, os primeiros a
elaborar uma forma de pensamento que se desvincula das explicações míticas e
religiosas, formalizando o que hoje chamamos de filosofia. Mas não foram eles
os inventores do livre pensar.
Grandes
civilizações da antiguidade já faziam suas especulações filosóficas,
entretanto, o caráter religioso desses pensadores fez com que hoje fossem categorizados
como místicos e não como filósofos.
Antes
de tudo, um livre pensador, é um amante do saber. Não se importando se esse conhecimento é de
origem filosófica, científica ou religiosa, mas se esse conhecimento é
significativo para sua vida, para sua evolução como ser humano.
Da
mesma forma que o capitão de um navio, utiliza-se de uma bússola com quatro
pontos cardeais para orientar-se pelos mares, também o livre pensador, que é o
capitão do seu destino, precisa de quatro pontos cardeais para orientar sua
navegação pelos turbulentos mares do conhecimento. No entanto os quatro pontos
cardeais, a saber, são: o da ciência, da religião, da filosofia e da arte. Seu
destino: autoconhecimento e autorrealização.
Quando
possível, é através da Ciência que o livre pensador tira a prova real das suas
reflexões. Portanto, aqui, a ciência é vista sob uma óptica um pouco diferente
do cientificismo materialista. A Ciência representa o pensamento livre e
esclarecido, e a entendemos em seu significado original, do latim Scientia,
significando, conhecimento.
Conhecimento
este que deve ser útil e prático para o próprio indivíduo, pois, conhecimento
que não se usa, atrofia, tal como um músculo quando não se movimenta. Assim
também funcionam nossos neurônios, pesquisas recentes indicam que as áreas do
cérebro não exercitadas, são progressivamente desativadas.
Ao
livre pensador, religião é a vivência espiritual que ocorre no interior de cada
um. Através dela procuramos ligar nosso espírito individual com a essência do
Universo. Mas uma religião não institucionalizada, uma religião que não é
alienante, que não possui dogmas inquestionáveis ou leis imutáveis, mas que
pretende se realizar no interior do indivíduo, tal como o significado real da
palavra religião, religar-se com o divino, o grande Todo universal.
Filosofia
é simplesmente, “amor pela sabedoria”, união das palavras gregas philos e
sophia, e a compreendemos como uma atitude natural do homem que, movido pela
curiosidade, realiza a busca pelo conhecimento de si mesmo, das suas verdades,
a fim de compreender os mistérios da alma e do cosmos. Acordando com as antigas
inscrições do oráculo de Delfos “Ó homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás os
deuses e o universo”.
Entretanto,
o livre pensador, não deve obediências à filosofia acadêmica, que infelizmente
aprisionam seus alunos em labirintos metodológicos. Mas deve obediência a si
mesmo, a sua consciência. Não devendo reduzir sua capacidade de pensar aos
métodos, que em muitas ocasiões são tão úteis como formas de gelo: congelar o
pensamento em blocos iguais.
Como
nos atenta o filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé, os alunos de filosofia
devem: “pesquisar aquilo que não querem, de uma forma que não querem, a fim de
garantir verbas institucionais de pesquisa em grande escala. Esmagamos a
criatividade e as intenções dos alunos fazendo deles uma infantaria
estatística. A universidade mente: quer formar rebanhos dizendo que defende a
liberdade de pensamento”.
Arte,
do latim Ars, significa técnica ou habilidade de criar algo. Esse processo de
criação ocorre a partir da percepção que temos de algo, assim, expressamos
emoções e ideias através das habilidades que desenvolvemos. Ao final desse
processo, cada obra ganha um significado único.
Através
da arte, o livre pensador materializa suas reflexões, assim, ideias podem ser
expressas através da música, da escultura, do desenho ou da literatura. Para
tal, o artista deve expressar-se sinceramente, sem a intervenção de
metodologias ortodoxas, que por muitas vezes, desviam o pensamento autêntico,
convertendo o artista num mero refém de teorias.
Filósofo
ou Livre Pensador?
Antes
de Pitágoras, o filósofo era chamado de sábio, mas ele entendia que esse termo
qualificativo caberia apenas ao Eterno, ao Criador de todas as coisas, que tudo
sabe. Portanto, para Pitágoras, o homem em sua pequenez só pode ser um buscador
da sabedoria, um amigo da sabedoria, ou filósofo, união das palavras philos e
sophia.
Philos
é um termo grego que dá significado a uma das facetas do Amor. É o amor
fraterno, o amor entre a família, o amor entre amigos, pais e filhos. E está
diretamente relacionado com o nível mental do ser humano. Vale lembrar que os
gregos utilizavam três palavras distintas para os diferentes aspectos do amor:
eros, philos, e ágape.
Sophia,
também de origem grega, significa Sabedoria. Sophia, em algumas ramificações do
cristianismo e judaísmo, é também considerada como sendo o aspecto feminino de
Deus. Logo, todo livre pensador é também um filósofo, mas talvez, nem todo
filósofo seja um livre pensador.
O
filósofo que também é livre pensador é o amante da sabedoria que não tem seus
pensamentos restringidos por normas acadêmicas. Academia essa, que está longe
de ser aquela fundada por Platão, onde seus integrantes buscavam o livre pensar
em sua forma mais pura, sem as normas e os “métodos infalíveis” propostos pela
academia atual. Pois antes de tudo, um livre pensador não se preocupa em provar
nada para ninguém, ele simplesmente pensa. Uma vez transmitida a mensagem, a
lei é a mesma que ocorre nas redes sociais: gostou? curta! quer dividir com
mais alguém? compartilhe!
Contudo,
ele tem a liberdade para navegar pelos diversos afluentes do grande rio do
conhecimento, usar tudo, sem apegar-se a nada. Até que um dia, trilhando seu
próprio caminho, esteja preparado para ultrapassar o limiar do santuário,
entrando em contato com o mundo metafísico da suprema sabedoria, e quando aí
chegar estará próximo de completar sua grande obra.
Portanto,
a filosofia ou o livre pensar, não é algo para desocupados. A busca pela
sabedoria tem por finalidade iluminar cada um de nossos pensamentos, de nossas
palavras, de nossas ações. É dito na doutrina budista que: “Para se andar com
segurança, nos labirintos da vida humana, é necessário que se tenham como guias
a luz da sabedoria e a virtude”.
Mas
nem tudo são flores, a busca pelo saber, também tem os seus espinhos. Como bem
escreveu Salomão: “Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta
em conhecimento, aumenta em dor”. (EC.: 1:18). Entretanto, parafraseando o
escritor russo Isaac Asimov, “se a busca pelo saber traz problemas, não é a
ignorância que os resolve”.
Assim,
estamos longe de encontrar respostas imediatas, nosso caminho é mais demorado,
envolve questionamentos, pesquisas e constantes leituras. Isso porque, o livre
pensar não alivia os sintomas, mas trata a causa. Portanto, leva-se tempo para
começar a sentir seus efeitos, porque também, leva-se muito tempo para libertar
nosso organismo de toda uma miríade de concepções e ideias intoxicantes.
O
alimento dessa busca incessante é a curiosidade, é o querer ir além do óbvio e
a vontade de enxergar a realidade um pouco diferente daquela que é jogada aos
nossos olhos. No fim, queremos apenas encontrar nosso lugar no cosmos,
aceitando que somos apenas meros aprendizes da vida.
E
fiquem em Paz.
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