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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Cientistas Demonstram a Existência de Egrégoras


por Redação do Diário da Saúde

Quem já tocou em uma orquestra está familiarizado com o fenômeno: o impulso para suas próprias ações parece vir não de sua própria mente de forma isolada, mas parece ser controlado pela atividade coordenada do grupo.

E, de fato, quando duas pessoas tocam juntas, formam-se “redes intercerebrais”, que conectam os dois cérebros para que ambos funcionem como uma única rede “diencefálica”.

Isto acaba de ser demonstrado por cientistas do Instituto Max Planck para o Desenvolvimento Humano, em Berlim (Alemanha).

Os cientistas usaram eletrodos para monitorar as ondas cerebrais de guitarristas tocando em duetos.

Eles também observaram diferenças significativas na atividade cerebral dos músicos, dependendo de se os músicos lideravam a dupla ou acompanhavam a música tocada pelo seu companheiro.

Música conecta cérebros

Quando os guitarristas tocam em dueto, a atividade de suas ondas cerebrais se sincroniza – isso foi descoberto em 2009 pela mesma equipe.

Mas agora os cientistas alemães foram um pouco mais longe do que isso.

Seu objetivo era descobrir se a sincronização das ondas cerebrais ainda ocorreria quando dois guitarristas não estão tocando exatamente as mesmas notas.

Isso seria incompatível com a hipótese corrente de que as similaridades na atividade cerebral entre os dois guitarristas devem-se inteiramente à percepção dos mesmos estímulos ou à realização dos mesmos movimentos.

E a hipótese de fato caiu por terra, sugerindo algo muito mais espetacular: a de que os dois cérebros se sincronizam para dar suporte à coordenação interpessoal da ação a ser empreendida, ou seja, tocar a música.

Ondas delta

A diferença entre o líder e o acompanhante também se refletiu na atividade elétrica captada pelos eletrodos.

“No músico que liderava, a sincronização das ondas cerebrais medida em um único eletrodo foi mais forte, e já estava presente antes que o dueto começasse a tocar,” conta Johanna Sänger, idealizadora do estudo.

Isto foi particularmente verdadeiro para as ondas delta, que se situam na faixa de frequências abaixo dos quatro Hertz. “Isso pode ser um reflexo da decisão do líder para começar a tocar,” sugere Sänger.

Rede entre cérebros diferentes

Os cientistas também analisaram a coerência entre os sinais dos diferentes eletrodos ligados à cabeça dos músicos.

O resultado foi notável:

Quando os músicos tiveram que coordenar ativamente a forma como tocavam, o que acontece principalmente no início de uma sequência, os sinais dos eletrodos frontais e central ficaram claramente associados – não apenas na cabeça de um dos músicos, mas igualmente entre as cabeças dos dois parceiros.

“Quando as pessoas coordenam as ações uma com a outra, formam-se pequenas redes dentro do cérebro e, notavelmente, entre os cérebros, em especial quando as atividades devem ser precisamente alinhadas no tempo, por exemplo, no início de uma peça,” diz Johanna Sanger.

Os dados indicam, assim, que as “redes diencéfalo” – ou redes entre cérebros – conectam áreas de ambos os cérebros associadas com a cognição social e com a produção musical.

Sincronia interpessoal

E os cientistas acreditam que essas redes intercerebrais não ocorram apenas durante a execução de músicas.

“Nós assumimos que as ondas cerebrais de pessoas diferentes também se sincronizam quando as pessoas coordenam suas ações de outras maneiras, como durante a prática de esportes, ou quando elas se comunicam uma com a outra,” diz Sänger.

Retirado de:

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Sobre o Mundo de Hoje...


"As pessoas estão perdendo a habilidade de dialogar e de conhecer o outro. 

Elas ouvem, mas não escutam; falam, mas não se deixam conhecer; esbarram-se, mas não se vêem; e uma multidão caminha solitariamente em direção a lugar nenhum. 

Conviver é uma arte tão sutil quanto a música, a literatura, a pintura ou o teatro e que poucos aprenderam a dominar. 

Infelizmente, nas escolas não há disciplinas que ensinam a nos relacionar. 

A dificuldade de entrar no mundo alheio está criando uma geração de pessoas impacientes e distantes. 

Ao perdermos a generosidade de respeitar diferentes pontos de vista, transformamos a convivência em familia, os casamentos e os negócios em verdadeiros campos de batalha, em que o outro passa a ser o inimigo...

A competição selvagem, em que valores humanos são destruídos, só vai terminar quando aprendermos a conviver com a adversidade..."
(Roberto Shinyashiki)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Mundo Maravilhoso do "Almeidinha"


“Direitos humanos para humanos direitos”
Por Matheus Pichonelli, da Carta Capital
Almeidinha era o sujeito inventado pelos amigos de faculdade para personalizar tudo o que não queríamos nos transformar ao longo dos anos. A projeção era a de um cidadão médio: resmungão em casa, satisfeito com o emprego na “firma” e à espera da aposentadoria para poder tomar banho, colocar pijama às quatro da tarde, assistir ao Datena e reclamar da janta preparada pela esposa. O Almeidinha é aquele sujeito capaz de rir de qualquer piada de português, negro, gay e loira. Que guarda revistas pornográficas no armário, baba nas pernas da vizinha desquitada (é assim que ele fala) mas implica quando a filha coloca um vestido mais curto. Que não perde a chance de dizer o quanto a esposa (ele chama de “patroa”) engordou desde o casamento.

O Almeidinha, para nosso espanto, está hoje em toda parte. Multiplicou-se em proporção geométrica e, com os anos, se modernizou. O sujeito que montava no carro no fim de semana e levava a família para ir ao jardim zoológico dar pipoca aos macacos (apesar das placas de proibição) sucumbiu ao sinal dos tempos e aderiu à internet. Virou um militante das correntes de e-mail com alertas sobre o perigo comunista, as contas no exterior do ex-presidente, os planos do Congresso para acabar com o 13º salário. Depois foi para o Orkut. Depois para o Facebook. Ali encontrou os amigos da firma que todos os dias o lembram dos perigos de se viver num mundo sem valores familiares. O Almeidinha presta serviços humanitários ao compartilhar alarmes sobre privacidade na rede, homenagens a pessoas doentes e fotos de crianças deformadas. O Almeidinha também distribui bons dias aos amigos com piadas sobre o Verdão (“estude para o vestibular porque vai cair…hihihii”) e mensagens motivacionais. A favorita é aquela sobre amar as pessoas como se não houvesse amanhã, que ele jura ser do Cazuza mas chegou a ele como Caio Fernandes (sic) Abreu.

O Almeidinha gosta também de se posicionar sobre os assuntos que causam comoção. Para ele, a atual onda de violência em São Paulo só acontece porque os pobres, para ele potenciais criminosos (seja assassino ou ladrão de galinha) têm direitos demais. O Almeidinha tem um lema: “Direitos Humanos para Humanos Direitos”. Aliás, é ouvir essa expressão, que ele não sabe definir muito bem, e o Almeidinha boa praça e inofensivo da vizinhança se transforma. “Lógica da criminalidade”, “superlotação de presídios”, “sindicato do crime”, “enfrentamento”, “uso excessivo da força”, para ele, é conversa de intelectual. E se tem uma coisa que o Almeidinha detesta mais que o Lula ou o Mano Menezes (sempre nesta ordem) é intelectual. O Almeidinha tem pavor. Tivesse duas bombas eram dois endereços certos: a favela e a USP. A favela porque ele acredita no governador Sergio Cabral quando ele fala em fábrica de marginais. A USP porque está cansado de trabalhar para pagar a conta de gente que não tem nada a fazer a não ser promover greves, invasões, protestos e espalhar palavras difíceis. O Almeidinha vota no primeiro candidato que propuser esterilizar a fábrica de marginal e a construção de um estacionamento no lugar da universidade pública.

Uma metralhadora na mão do Almeidinha e não sobraria vagabundo na Terra. (O Almeidinha até fala baixo para não ser repreendido pela “patroa”, mas se alguém falar ao ouvido dele que “Hitler não estava assim tão errado” ganha um amigo para o resto da vida).

A cólera, que o fazia acordar condenando o mundo pela manhã, está agora controlada graças aos remédios. O Almeidinha evoluiu muito desde então. Embora desconfiado, o Almeidinha anda numas, por exemplo, de que agora as coisas estão entrando nos eixos porque os políticos – para ele a representação de tudo o que o impediu de ter uma casa na praia – estão indo para a cadeia. Ele não entende uma palavra do que diz o tal do Joaquim Barbosa, mas já reservou espaço para um pôster do ministro do Supremo ao lado do cartaz do Luciano Huck (“cara bom, ajuda as pessoas”) e do Rafinha Bastos (“ele sim tem coragem de falar a verdade”). O Almeidinha não teve colegas negros na escola nem na faculdade, mas ele acha que o exemplo de Barbosa e do presidente Barack Obama é prova inequívoca de que o sistema de cotas é uma medida populista. É o que dizia o “meme” que ele espalhou no Facebook com o argumento de que, na escravidão, o tráfico de escravos tinha participação dos africanos. Por isso, quando o assunto encrespa, ele costuma recorrer ao “nada contra, até tenho amigos de cor (é assim que ele fala), mas muitos deles têm preconceitos contra eles mesmos”.

O Almeidinha costuma repetir também que os pobres é que não se ajudam. Vê o caso da empregada, que achou pouco ganhar vinte reais por dia para lavar suas cuecas e preferiu voltar a estudar. Culpa do Bolsa Família, ele diz, esse instrumento eleitoral que leva todos os nordestinos, descendentes de nordestinos e simpatizantes de nordestinos a votar com medo de perder a boquinha. Em tempo: o filho do Almeidinha tem quase 30 anos e nunca trabalhou. Falta de oportunidade, diz o Almeidinha, só porque o filho não tem pistolão. Vagabundo é outra coisa. Outra cor. Como o pai, o filho do Almeidinha detesta qualquer tipo de bolsa governamental. A bolsa-gasolina que recebe do pai, garante, é outra coisa. Não mexe com recurso público. (O Almeidinha não conta pra ninguém, mas liga todo dia, duas vezes por dia, para o primo de um conhecido instalado na prefeitura para saber se não tem uma boca de assessor para o filho em algum gabinete).

O filho do Almeidinha também é ativista virtual. Curte PlayStation, as sacadas do Willy Wonka, frases sobre erros de gramática do Enem, frases sobre o frio, sobre o que comer no almoço e sobre as bebedeiras com os moleques no fim de semana (segue a página de oito marcas de cerveja). Compartilha vídeos de propagandas de carro e fotos de mulheres barrigudas e sem dentes na praia. Riu até doer a barriga com a página das barangas. Detesta política – ele não passa um dia sem lembrar a eleição do Tiririca para dizer que só tem palhaço em Brasília. E se sente vingado toda vez que alguém do CQC faz “lero-lero” na frente do Congresso. Acha todos eles uns caras fodásticos (é assim que ele fala). Talvez até mais que o Arnaldo Jabor. Pensa em votar com nariz de palhaço na próxima eleição (pensa em fazer isso até que o voto deixe de ser obrigatório e ele possa aproveitar o domingo no videogame). Até lá, vai seguir destruindo placas e cavaletes que atrapalham suas andanças pela cidade.

Como o pai, o filho do Almeidinha tem respostas e certezas para tudo. Não viveu na ditadura, mas morre de saudade dos tempos em que as coisas funcionavam. Espera ansioso um plebiscito para introduzir de vez a pena de morte (a única solução para a malandragem) e reduzir a maioridade penal até o dia em que se poderá levar bebês de oito meses para a cadeia. Quer um plebiscito também para acabar com a Marcha das Vadias. O que é bonito, para ele, é para se ver. E se tocar. E ninguém ouve cantada se não provoca (a favorita dele é “hoje não é seu aniversário mas você está de parabéns, sua linda”. Fala isso com os amigos e sai em disparada no carro do pai. O filho do Almeidinha era “O” zoão da turma na facul).

Pai e filho estão cada vez mais parecidos. O pai já joga Playstation e o menino de 30 anos já fala sobre a decadência dos costumes. Para tudo têm uma sentença: “Ê, Brasil”. Almeidinha pai e Almeidinha filho têm admiração similar ao estilo civilizado de vida europeu. Não passam um dia sem dizer que a vida, deles e da humanidade em geral, seria melhor se o país fosse dividido entre o Brasil do Sul e o Brasil do Norte. Quando esse dia chegar, garantem, o Brasil enfim será o país do presente e não do futuro. Um país à imagem e semelhança de um Almeidinha.

Vi primeiro em: 

domingo, 2 de dezembro de 2012

A Pedagogia do Coitadinho


«Ao contrário do que se pensa, a falta de autoridade, a cumplicidade com o erro, a tentativa de se "amar" os alunos, em nada os beneficia. Baixando as expectativas, a escola está a contribuir para que os resultados dos pobres sejam piores do que poderiam ser. Há quem diga que estes alunos carecem de afecto. Sucede que a escola não é o lugar indicado para lho dar. O que a esta compete, em primeiro lugar, é ensinar-lhes o que a aldeia, o bairro e a família jamais lhes poderão fornecer. As pieguices em redor dos coitadinhos nada resolvem.» (Mónica, M. F., (1997), Os filhos de Rousseau, Lisboa, Relógio D'Água, p. 11.)


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Vivemos em tempos de uma "Pedogogia do Coitadinho" que não prepara os jovens para os rigores da vida adulta, antes cria sociopatas incapazes de lidar com as adversidades inexoráveis que advém do fato de se estar vivo. Como dizia Don Juan Matus, mestre do Carlos Castaneda: "O Universo é Predador!" e devemos ser guerreiros impecáveis se quisermos sobreviver.


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Por Fabio Flores
Nada é mais profano e perverso na relação ensino/aprendizagem que a “Pedagogia do Coitadinho”, pois esta concepção anula toda e qualquer iniciativa de superação e construção da autonomia por parte do estudante. Infelizmente ainda ouvimos muitos educadores proferirem a sentença: “coitadinho, mas este aluno tem tantos problemas, a gente deveria pegar leve com ele”.

Uma rápida consulta a nossa história pode nos apontar inúmeros exemplos de pessoas que tiveram uma vida pessoal hiper-atribulada, e, no entanto conseguiram obter êxito pleno nas atividades que desenvolviam. Por esta razão, julgo como criminosa a ação daquele que rotula de “coitadinho” um possível talento que é assassinado pelo punhal da “caridade”.

Sigmund Freud ficou conhecido como o pai da psicanálise, foi sem dúvida um dos maiores intelectuais do século XX, porém conviveu com dramas pessoais bastante intensos, a começar pelo fato de ser judeu e sentir na pele todo o ódio do nazismo. Conviveu com as dores e os dramas de um câncer que não o impediram de manter-se academicamente produtivo.

Albert Einstein, o gênio da física e principal nome das ciências exatas no século passado, comeu o pão que o diabo amassou durante sua infância em função da gigantesca instabilidade financeira que vivia sua família. Não possuía interesse por participar das atividades em grupo na escola, preferindo isolar-se da turma. A habilidade lógica que possuía o instrumentalizava para excelente desempenho em matemática, desempenho este que era inversamente proporcional nas disciplinas que exigiam memorização, tais como história, geografia e grego.

Paulo Freire tornou-se o mais importante nome da educação na América Latina em função da defesa e sistematização de uma educação libertadora pautada na vivência do educando. Sua infância foi marcada pelas enormes dificuldades financeiras e pela morte de seu pai-herói. O homem que foi reconhecido como doutor honoris causa em diversas universidades do Brasil e do mundo foi alfabetizado num contexto onde o chão era o quadro-negro e os gravetos eram o giz.

Ludwig van Beethoven que encantou inúmeras gerações com seu talento latente na arte de compor sinfonias que cruzam séculos com o frescor e sintonia, teve uma infância marcada pelos desencontros afetivos de um pai alcoolatra, pelas sequelas de uma varíola que deixaram marcas em seu corpo, da reconhecida surdez que poderia ter assassinado seu talento. No entanto, o mesmo nos presenteou com nove sinfonias, cinco concertos para piano, trinta e duas sonatas, e tantas outras obras clássicas.

Como tivemos a oportunidade de perceber neste breve relato da biografia de quatro dentre as inúmeras histórias de superação que conheço, e que dão prova que os problemas sociais podem dificultar, mas nunca impedir que o educando transcenda os limites de sua realidade e alcance o sucesso a partir de seus próprios méritos sem depender da “caridade”, nem tampouco formas escusas de promoção pessoal.

Não existe máquina, nem habilidade humana capaz de descrever qual é o limite do outro. Quando resumimos o outro ao “coitadinho” estamos o condenando à inércia, e o impedindo de acessar o maior de todos os conhecimentos, que é o conhecimento de si mesmo. Estamos negando ao outro a dimensão afetiva do ato educativo, pois nos colocamos numa posição de superioridade, na posição daquele que tudo sabe, e por saber tudo, sabe até o quanto o outro não sabe, e tudo aquilo que o outro nunca vai saber. Sobretudo ditamos o que o outro não precisa saber, e assim tatuamos definitivamente na alma deste estudante a marca da subserviência, e a eterna convicção de ser mais um “coitadinho”.

Fabio Flores é palestrante e professor dos cursos de Comunicação Social e Pedagogia da FAESA.

Retirado de:

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Mistério do Manuscrito 512

Por Henrique Ab Origine
Todos nós, aficionados por ufologia e grandes mistérios, comumente voltamos nossa atenção aos relatos ocorridos em outros países. Lugares comuns como Egito, México e EUA estão sempre presentes em nosso imaginário. Porém acabamos por relegar fatos extremamente curiosos e intrigantes ocorridos aqui mesmo em nosso país!

O Manuscrito 512 até hoje é um desses mistérios, sendo conhecido principalmente por quem mora na Bahia.

Abrigado na Biblioteca Nacional-RJ, encontra-se o documento que representa um dos maiores enigmas arqueológicos do Brasil. Trata-se do Manuscrito 512, que contém o relato de um grupo de bandeirantes que encontrou em meados do século XVIII as ruínas de uma misteriosa cidade perdida no interior da Bahia. Uma civilização arruinada em meio à selva brasileira com indícios de desenvolvimento cognitivo, além de riquezas, e um fim desconhecido. Tal cidade nunca mais foi encontrada desde então.



Não obstante a datação do ano de 1753, estima-se que a escritura seja realmente setecentista por determinados aspectos relatados, seu descobrimento e noção de relevância, contudo, ocorreram apenas em 1839. De forma um tanto irônica para com a importância do documento, e ainda de maneira a reforçar todo o mito que envolve o objeto, o documento 512 foi encontrado ao acaso, esquecido no acervo da biblioteca da corte (então a biblioteca nacional).

O manuscrito, muito antigo, e já deteriorado pelo tempo, foi descoberto por Manuel Ferreira Lagos, e posteriormente entregue ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB); foi nas mãos de um dos fundadores do instituto que a escritura teve seu real valor reconhecido e divulgado. Após leitura o cônego Januário da Cunha Barbosa publicou uma cópia integral do manuscrito na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, com a adição de um prefácio no qual esboçava uma teoria de ligação entre o assunto do documento e a saga de Roberto Dias, um homem que fora aprisionado pela coroa portuguesa por se negar a fazer revelações a respeito de minas de metais preciosos na Bahia.

Oscilando entre uma narrativa com detalhes ora precisos, ora poéticos, o documento descreve as características da cidade em detalhes. Os bandeirantes que saíram de São Paulo se depararam com uma cordilheira cujas montanhas eram tão altas que “pareciam que chegavam à região etérea, e que serviam de trono ao vento, às próprias estrelas”. A entrada era formada por três arcos de grande altura, com inscrições que não puderam então decifrar. No fim da rua principal, havia uma praça, onde se erguia uma coluna de pedra negra, em cujo topo havia uma estátua de “um homem comum, com a mão no quadril esquerdo e o braço direito estendido, mostrando com o dedo indicador o Polo Norte.” As casas da região estavam abandonadas, sem nenhum móvel ou vestígio de presença humana recente. Havia detalhes que remetiam a civilizações antigas, como uma fonte e um pátio com colunas circulares em cada uma das 15 habitações que circundavam um grande salão.

O relato da expedição, em sua parte mais conhecida, conta que houve quem avistasse de uma grande montanha brilhante, em consequência da presença de cristais e que atraiu a atenção do grupo, bem como seu pasmo e admiração. Tal montanha frustrou o grupo ao tentar escalá-la, e transpô-la foi possível apenas por acaso, pelo fato de um negro que acompanhava a comitiva ter feito caça a um animal e encontrado na perseguição um caminho pavimentado em pedras que passada por dentro da montanha rumo a um destino ignorado.

Após atingir o topo da montanha de cristal os bandeirantes avistaram uma grande cidade, que a princípio confundiram com alguma cidade já existente da costa brasileira e devidamente colonizada e civilizada, todavia ao inspecioná-la verificaram uma lista de estranhezas entre ela e o estilo local, além do fato de estar em alguns trechos completamente arruinada, e absoluta e totalmente vazia: seus prédios, muitos deles co mais de um andar jaziam abandonados e sem qualquer vestígio de presença humana, como móveis ou outros artefatos.

A entrada da cidade era possível apenas por meio de somente um caminho, macadamizado, e ornado na entrada com três arcos, o principal e maior ao centro, e dois menores aos lados; o autor do texto expedicionário observa que todos traziam inscrições em uma letra indecifrável no alto, que lhes foi impossível ler dada a altura dos arcos, e menos ainda reconhecer.

O aspecto da cidade narrada no documento 512 mescla caracteres semelhantes aos de civilizações antigas, porém traz ainda outros elementos alheios ou sem associação; o cronista observa que todas as casas do local semelhavam à apenas uma, por vezes ligadas entre si em uma construção simétrica e uníssona.

Segundo a narrativa transcrita no documento, próximo a tal praça haveria ainda um rio que foi seguido pela comitiva e que terminaria em uma cachoeira, que aparentemente teria alguma função semelhante à de um cemitério, posto que estava rodeada de tumbas com diversas inscrições.

Um objeto mencionado pela expedição de bandeirantes, que foi encontrado ao acaso, e descrito cuidadosamente na carta consiste em uma grande moeda confeccionada em ouro. Tal objeto, de existência e destino incógnitos, trazia emblemas em sua superfície: cravados na peça havia em uma face o desenho de um rapaz ajoelhado, e no reverso combinados permaneciam as imagens de um arco, uma coroa, e uma flecha.

Pablo Villarrubia Mauso, que fez uma expedição em busca da cidade perdida para a revista Sexto Sentido, acredita tê-la encontrado em Igatú, município de Andaraí, em plena Chapada Diamantina, no Estado da Bahia, seguindo orientação do explorador alemão Heinz Budweg, que afirma que as ruínas são fruto de construções vikings do ano 1000. Outra hipótese diferente é do linguista e explorador Luis Caldas Tibiriçá. Segundo ele: “Alguns edifícios assemelham-se aos da Idade Média da Etiópia. As inscrições encontradas poderiam ser do idioma gueez, dos etíopes, os mesmos que, em suas crônicas, falavam de terras distantes que alcançaram com suas embarcações”.



Tibiriçá descarta a hipótese das ruínas serem antigas construções dos próprios nativos indígenas.

Alvo de muitas controvérsias, o documento ainda gera muitas especulações. Não se sabe ao certo a origem da cidade descrita no manuscrito, sua exata localização e quem foram seus habitantes, nem o seu fim. Ficou apenas o relato, e algumas hipóteses que ainda precisam ser devidamente comprovadas.

No início do século XX um pesquisador britânico, o coronel Percy H. Fawcett, levou a cabo uma jornada em busca da cidade de Manuscrito 512 (a "Cidade de Raposo" , diz ele) e outra cidade principal, a  “Cidade Z” (local da pretensa cidade pré-histórica de Atlantis).

Fawcett argumentou que Z era uma cidade diferente do Manuscrito 512 , mas admitiu que havia uma possibilidade de que eles eram os mesmos. Em 1921, Fawcett começou uma viagem ao Brasil em busca de cidades, com base no depoimento do cônsul Beare O'Sullivan, que afirmou ter visto uma cidade semelhante ao Manuscrito 512 , próximo a Salvador.

Outro fato reforçou sua crença de uma civilização pré-histórica de alto nível cultural: uma estatueta com símbolos estranhos que associados aos Atlantis há muito procurados.

O explorador inglês desapareceu na selva do Xingu, com o filho Jack e um amigo, em 1925. Eles foram mortos pelos índios do Brasil Central ou, como sustentam alguns esotéricos, a expedição atravessou um portal e ingressou num plano espiritual elevado? A resposta a esta e outras dúvidas, neste caso estranho e intrigante, ainda não temos. Aliás, questiono-me se  um dia a teremos.