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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Como Tornar-se Poético

Um poeta vem a conhecer certas coisas que são reveladas somente em um relacionamento poético com a realidade.
No que se refere à esperteza mundana, o poeta é um tolo.
Ele nunca se desenvolverá no mundo da riqueza e do poder.
Mas, em sua pobreza, ele conhece um tipo diferente de riqueza na vida que ninguém mais conhece.
O amor é possível a um poeta, Deus é possível a um poeta.
Somente aquele que é inocente o bastante para desfrutar pequenas coisas da vida pode entender que Deus existe, porque Deus existe nas pequenas coisas da vida: ele existe no alimento que você ingere, na caminhada que você faz pela manhã, no amor que você tem por seu amado ou por sua amada, na amizade que você tem com alguém.
Deus não existe nas igrejas; estas não são parte da poesia, mas da política.
Torne-se mais e mais poético.
É necessário ter coragem para ser poético; você precisa ser corajoso o bastante para ser chamado de tolo pelo mundo, mas somente então poderá ser poético.
E para ser poético, não quero dizer que você precisa escrever poesia.
Escrever poesia é apenas uma parte pequena e não essencial de ser poético.
Uma pessoa pode ser poeta e jamais escrever uma única linha de poesia, e uma outra pode escrever milhares de poemas e ainda não ser um poeta.
Ser poeta é um estilo de vida.
É amor pela vida, é reverência pela vida, é um relacionamento sincero com a vida.

Osho, em "Osho Todos os Dias - 365 Meditações Diárias

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A Equação Quase Resolvida

Cada vez mais preciso de ação.
Cada vez mais preciso do silêncio.
Cada vez mais preciso agir.
Cada vez mais corro da multidão.
Cada vez mais preciso da unidade,
mas a divisão manifesta seu nome.
O círculo cada vez mais se fecha.
Estou exposto. Eu me coloquei exposto.
Faço as contas: somo alguns pensamentos,
subtraio algumas filosofias, divido alguns conceitos
e os resultados são sempre alguns padrões.
Engraçado como essas contas sempre dão resultados exatos.
O círculo está se fechando porque ele existe
e é natural tudo que existe ter um movimento.
Mas o círculo existe porque existe um centro.
Se eu eliminar o centro, o circulo deixa de existir
e assim, automaticamente, ele deixa de fechar.
Bimba! Equação resolvida.
Nem tanto, ainda não.
Um detalhe: para eliminar o centro é preciso saber como ele surge.
Ele está lá porque eu estou a observá-lo.
Se eu não estiver mais lá, será que ele deixa de existir?
Bom, pelos para mim vai deixar
e, no momento, nessa conta, não existe outra ser se não eu.
Será?
Pois se o centro não existir é porque não existe o observador.
Se não existe o observador não existe EU.
Resultado: equação quase resolvida.
(André Auke)


Retirado de:

domingo, 18 de novembro de 2012

Uma Oração de Mahatma Gandhi

Deus, ajudai-me a dizer a verdade para o forte
e a esquivar-me de contar mentiras para ganhar o aplauso do fraco.
Se me derdes fortuna, não me tireis a razão.
Se me derdes sucesso, não me tireis a humildade.
Se me derdes humildade, não me tireis a dignidade.
Deus, ajudai-me a ver o outro lado da moeda.
Não me deixeis acusar outros de traição só porque não pensam como eu.
Deus, ensinai-me amar as pessoas como amo a mim mesmo
e a julgar a mim mesmo como julgo os outros.
Por Favor, não me deixeis ser orgulhoso se for bem-sucedido,
ou cair em desespero se fracassar.
Recordai-me de que o fracasso é a experiência que precede o triunfo.
Ensinai-me que perdoar é o mais importante no forte
e que vingança é o sinal mais primitivo do fraco.
Se me tirardes meu sucesso,
deixai-me manter minha força para conseguir sucesso a partir do fracasso.
Se eu falhar com as pessoas,
dai-me coragem para me desculpar,
e se as pessoas falharem comigo, dai-me coragem para perdoá-las.
Deus, se eu me esquecer de vós, por favor, não vos esqueçais de mim.

(Mahatma Gandhi)

sábado, 17 de novembro de 2012

Quem é o Diferente?

Diferente não é quem o pretenda ser.
Este é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns "mais" e de alguns "menos" em hora, momento e lugar errado. Para os outros que ficam de inveja de não serem assim.E de medo de não aguentarem, caso um dia venham a ser.
O diferente é sempre um ser mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido com ele por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente.
Talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas.
Um diferente medroso, este sim acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes entendem porque os outros não os entendem.
Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro.
Diferente que se preza entende o porquê de quem agride.
O diferente paga sempre o preço de estar – mesmo sem o querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores.
O diferente aguenta no lombo a ira do irremediavelmente igual; a inveja do comum; o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas sempre está certo.
O diferente começa a sofrer cedo, desde o primário escolar, onde todos os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns professores por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em : “Puxa, Fulano, como você é complicado”  
O que é o embrião de um estilo próprio em:  “Você não está vendo como todo mundo faz?”.
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações nos quais acaba se transformando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformam nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera.
Chora onde outros xingam; 
Estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde hábito rotinizara.
Sofre onde os outros ganham.
Aceita empregos que ninguém supunha.
Perde horas em coisas que só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala sempre nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol porque gosta mais de jogar do que de ganhar.
Diferente é o que aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, bonitos demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, feios, de roupas erradas, cheios de espinha, de mumunha, de malícia ou de baba.
Os diferentes aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
A estrela dos diferentes tem moradas deslumbrantes.
Que eles guardam para os poucos que forem capazes de os sentir e entender.
Nessas moradas estão os maiores tesouros da ternura humana de que os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

(Autor Desconhecido)

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Todo Ponto de Vista é a Vista de um Ponto

"Ler significa reler e compreender. 
Cada um lê com os olhos que tem. 
E interpreta a partir de onde os pés pisam. 
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. 
Para entender como alguém lê 
é necessário saber como são seus olhos 
e qual a sua visão de mundo. 
Isso faz da leitura sempre uma releitura. 
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. 
Para compreender é essencial 
conhecer o lugar social de quem olha. 
Vale dizer: como alguém vive, 
com quem convive, 
que experiência tem, 
em que trabalha, 
que desejos alimenta, 
como assume os dramas da vida e da morte 
e que esperanças o animam. 
Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. 
Sendo assim, 
fica evidente que cada leitor é sempre um co-autor. 
Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. 
Porque compreende e interpreta 
a partir do mundo que habita."

(Leonardo Boff)