Desnecessário
faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do
conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo
que beira o exibicionismo narcisístico.
Anule
aliterações altamente abusivas.
não
esqueça das maiúsculas", como já dizia dona loreta, minha professora lá no
colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
Evite
lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
O
uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
Estrangeirismos
estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
Chute
o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
Palavras
de baixo calão podem transformar seu texto numa bost@.
Nunca
generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
Evite
repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A
repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto
onde a palavra se encontra repetida.
Não
abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: "Quem cita os outros não
tem idéias próprias".
Frases
incompletas podem causar...
Não
seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto
é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique
repetindo a mesma idéia.
Seja
mais ou menos específico.
Frases
com apenas uma palavra? Jamais!
A
voz passiva deve ser evitada.
Use
a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém
sabe mais usar o sinal de interrogação
Quem
precisa de perguntas retóricas?
Conforme
recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
Exagerar
é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
Analogias
na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
Não
abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!!!
Evite
frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia
contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o
que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre
leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las
compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da
leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
Cuidado
com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
O
autor de quadrinhos inglês Neil Gaiman, conhecido por obras como “Sandman”, fez
um discurso para uma turma de formandos da Faculdade de Arte da Universidade da
Filadélfia no Dia 24/05/2012 [Que você pode ver na íntegra numa postagem anterior do blog aqui.]
Mesmo confessando não ter se formado: “não me
formei e fiz de tudo para fugir da escola”, Gaiman deu dicas para os formandos
sobre a sua experiência como autor e comentou sua carreira.
Inspirado
pela história do autor, o jovem artista australiano Gavin Aung Than transformou
seu discurso em uma curta história em quadrinhos.
Esse
é o vídeo (com legendas em português) do discurso que Neil Gaiman fez para os
formandos da University of the Arts, na Filadelfia, Estados Unidos. Abaixo segue a versão em texto para quem preferir.
***
17
de Maio de 2012
Eu nunca realmente esperei me encontrar
dando conselhos para pessoas se graduando em um estabelecimento de ensino
superior.
Eu nunca me graduei em um desses
estabelecimentos.
E nunca nem comecei um.
Eu escapei da escola assim que pude,
quando a perspectiva de mais quatro anos de aprendizados forçados antes que eu
pudesse me tornar o escritor que desejava ser era sufocante.
Eu saí para o mundo, eu escrevi, eu me
tornei um escritor melhor na medida em que escrevia mais, e eu escrevi um pouco
mais, e ninguém nunca parecia se importar que eu estava inventando na medida em
que eu prosseguia, eles simplesmente liam o que eu escrevia e pagavam por isso,
ou não, e frequentemente eles me encomendavam alguma outra coisa pra eles.
O que me deixou com um saudável respeito
e admiração pela educação superior do quais meus amigos e familiares, que
frequentaram universidades, se curaram há muito tempo atrás.
Olhando para trás, eu trilhei uma
caminhada memorável. Não tenho certeza de que posso chamá-la de uma carreira,
porque uma carreira implica que eu tivesse algum tipo de plano de carreira, e
eu nunca tive.
A coisa mais próxima que tive foi uma
lista que fiz quando tinha 15 anos com tudo que eu queria fazer: escrever um
romance para adultos, um livro infantil, uma revista em quadrinhos, um filme,
gravar um audiobook, escrever um episódio de Dr. Who… e assim por diante. Eu
não tive uma carreira. Eu simplesmente fui fazendo a próxima coisa da lista.
Então pensei em contar para vocês tudo
que eu gostaria de saber de saída, e algumas coisas que, olhando para trás pra
isso, suponho que eu sabia.
E também em dar o melhor conselho que já
recebi, o qual falhei completamente em seguir.
O
primeiro de todos:
Quando você começa em uma carreira nas artes você não tem ideia do que está
fazendo.
Isso é ótimo.
As pessoas que sabem o que estão fazendo
conhecem as regras, e sabem o que é possível e o que é impossível.
Vocês não.
E vocês não devem.
As regras sobre o que é possível e
impossível nas artes foram feitas por
pessoas que não tinham testado os limites do possível indo além deles.
E vocês podem.
Se vocês não sabem que é impossível é
mais fácil fazer.
E porque ninguém fez antes, não
inventaram regras para evitar que alguém faça de novo, ainda.
Em
segundo,
se você tem uma ideia do que você quer fazer, sobre o que você foi colocado
aqui para fazer, então simplesmente vá e faça aquilo.
E isso é muito mais difícil do que
parece e, algumas vezes, no fim, muito mais fácil do que você poderia imaginar.
Porque normalmente, há coisas que você
precisa fazer antes de que você possa chegar aonde quer estar.
Eu queria escrever quadrinhos e romances
e histórias e filmes, então me tornei um jornalista, porque jornalistas têm
permissão para fazer perguntas, e para simplesmente ir adiante e descobrir como
o mundo funciona, e, além disso, para fazer essas coisas eu precisaria escrever
e escrever bem, e eu estava sendo pago para aprender como escrever
economicamente, claramente, às vezes em condições adversas, e em tempo.
Algumas vezes o caminho para fazer o que
você espera fazer estará claramente delineado; e às vezes será quase impossível
decidir se você estará ou não fazendo a coisa certa, porque você terá de
balancear suas metas e esperanças, e alimentar-se, pagar as contas, encontrar
trabalho, e se adequar ao que pode encontrar.
Uma coisa que funcionou para mim foi
imaginar que onde eu gostaria de estar – um autor, principalmente de ficção,
fazendo bons livros, fazendo bons quadrinhos e me mantendo através de minhas
palavras – era uma montanha.
Uma montanha distante.
Minha meta.
E eu sabia que enquanto eu me mantivesse
andando em direção à montanha eu estaria bem.
E quando eu verdadeiramente não estava
certo acerca do que fazer, eu podia parar, e pensar se aquilo estava me levando
em direção à montanha ou me afastando dela.
Eu disse não para trabalhos editoriais
em revistas, trabalhos adequados que teriam pago um dinheiro respeitável porque
eu sabia que, por mais atrativos que fossem, para mim eles estariam me deixando
mais distante da montanha.
E se essas ofertas tivessem aparecido
mais cedo talvez as tivesse aceito, porque elas ainda me deixariam mais perto
da montanha do que eu estava à época.
Eu aprendi a escrever escrevendo.
Eu tendia a fazer qualquer coisa
conquanto que parecesse uma aventura, e a parar de fazê-la quando parecia
trabalho, o que significou que a vida não se parecia com trabalho.
Terceiro, quando você
começa, você precisa lidar com os problemas do fracasso. Vocês precisam ser
osso duro de roer, precisam aprender que nem todo projeto sobreviverá.
Uma vida como freelancer, uma vida nas
artes, é muitas vezes como colocar mensagens em garrafas, em uma ilha deserta,
e esperar que alguém encontre uma de suas garrafas, e a abra, leia, e coloque
algo em outra garrafa que fará seu caminho de volta até você: apreço, ou uma
encomenda, dinheiro, ou amor.
E vocês têm de aceitar que vocês poderão
lançar uma centena de coisas para cada garrafa que aparecerá retornando.
Os problemas do fracasso são problemas
de desencorajamento, de desespero, de ansiedade.
Você deseja que tudo aconteça e você
quer que as coisas aconteçam agora, e as coisas dão errado.
Meu primeiro livro – uma peça de
jornalismo que tinha feito pelo dinheiro, e que já tinha me comprado uma
máquina de escrever eletrônica do adiantamento – deveria ter sido um
bestseller.
Deveria ter me pagado muito dinheiro. Se
a editora não tivesse involuntariamente ido à bancarrota entre a primeira impressão
se esgotar e a segunda sair, e antes que quaisquer direitos pudessem ser pagos,
ele teria me dado muito dinheiro.
E eu dei de ombros, eu ainda tinha minha
máquina de escrever eletrônica e dinheiro o bastante para pagar o aluguel por
um par de meses, e decidi que eu faria o meu melhor para no futuro não
escrever livros apenas pelo dinheiro.
Se você não ganha o dinheiro, então você
não tem nada. Se eu fizesse um trabalho do qual me orgulhasse, e não ganhasse a
grana, ao menos eu teria o trabalho.
De vez em quando, eu esqueço essa regra,
e sempre que o faço, o universo me bate com força e me relembra dela.
Eu não sei se isso é um problema para
mais alguém além de mim, mas é verdade que nada que eu fiz na qual a única
razão para fazê-lo fosse o dinheiro jamais valeu a pena, exceto como amarga
experiência.
Normalmente nunca dei o trabalho por
encerrado ao receber o dinheiro, por outro lado. As coisas que fiz porque
estava empolgado, e queria vê-las existirem na realidade, nunca me
decepcionaram, e eu nunca me arrependi do tempo gasto com nenhuma delas.
Os problemas do fracasso são difíceis.
Os problemas do sucesso podem ser ainda
mais difíceis, porque ninguém lhes avisa sobre eles.
O primeiro problema de qualquer tipo de
sucesso limitado é a convicção inabalável de que você está fugindo com algo, e
de que a qualquer momento irão descobri-lo.
É a Síndrome do Impostor, algo que minha
esposa Amanda batizou de “Polícia da Fraude”.
Em meu caso, eu estava convencido de que
haveria uma batida na porta, e um homem com uma prancheta (não sei por que ele
carregava uma prancheta, em minha cabeça, mas ele carregava) estaria lá, para
me dizer que estava tudo acabado, e eles me pegariam e agora eu teria de ir e
conseguir um trabalho de verdade, algum que não consistisse de inventar coisas
e escrevê-las, e ler livros que eu quisesse ler.
E então eu partiria silenciosamente e
pegaria o tipo de trabalho no qual você não tem de inventar mais coisas.
Os problemas do sucesso. Eles são reais,
e com sorte vocês irão experienciá-los. O ponto em que você para de dizer sim
pra tudo, porque agora as garrafas que você lança ao oceano estão todas
voltando, e você precisa aprender a dizer não.
Eu observei meus colegas e amigos, e
aqueles que eram mais velhos que eu e observei quão infelizes alguns deles se
sentiam: eu os ouvi contar pra mim que eles não podiam encarar um mundo no qual
eles não podiam mais fazer o que sempre quiseram fazer, porque agora eles
tinham de ganhar uma certa quantidade de grana todo mês apenas para se manter
onde estavam.
Eles não podiam ir e fazer as coisas que
importavam, e que realmente queriam fazer; e isso me pareceu uma tragédia tão
grande quanto qualquer problema de fracasso.
E depois disso, o maior problema do
sucesso é que o mundo conspira para que você pare de fazer o que você faz,
porque você é famoso.
Houve um dia em que olhei e me dei conta
de que eu tinha me tornado alguém que profissionalmente respondia a e-mails, e
escrevia como um hobby.
Eu comecei a responder menos e-mails, e
fiquei aliviado por perceber que estava escrevendo muito mais.
Em
quarto,
eu espero que vocês cometam erros.
Se vocês estão cometendo erros,
significa que vocês estão por aí fazendo algo.
E os erros em si podem ser úteis. Uma
vez escrevi Caroline errado, em uma carta, trocando o A e o O, e eu pensei,
“Coraline parece um nome real…”
E lembrem-se que não importa a área em
que estejam, se você é um músico ou um fotógrafo, um artista fino ou um
cartunista, um escritor, um dançarino, um designer, o que quer que você faça, vocês
têm algo que é único.
Vocês têm a habilidade de fazer arte.
E para mim, e para muitas das pessoas
que conheci, isso tem sido um salva-vidas.
O salva-vidas definitivo.
Ele lhe leva através dos bons momentos e
pelos outros.
A vida as vezes é dura.
As coisas dão errado, na vida e no amor
e nos negócios e nas amizades e na saúde e em todos os outros modos que a vida
pode dar errado.
E quando as coisas ficam difíceis, isso
é o que vocês devem fazer.
Façam boa arte.
Eu estou falando sério.
O marido fugiu com uma política(o)? Faça
boa arte.
Perna esmagada e depois devorada por uma
jibóia mutante? Faça boa arte.
Imposto de renda te rastreando? Faça boa
arte.
Gato explodiu? Faça boa arte.
Alguém na internet pensa que o que você
faz é estúpido ou mau ou já foi feito antes? Faça boa arte.
Provavelmente as coisas se resolverão de
algum modo, e eventualmente o tempo levará a dor mais aguda, mas isso não
importa.
Faça apenas o que você faz de melhor.
Faça boa arte.
Faça-a nos dias bons também.
E,
em quinto:
Enquanto estiverem nisso, façam a sua arte.
Façam as coisas que só vocês podem
fazer.
O impulso inicial é copiar.
E isso não é uma coisa ruim.
A maioria de nós só descobre nossas
próprias vozes depois de termos soado como um monte de outras pessoas.
Mas uma coisa que você tem que ninguém
mais tem é você.
Sua voz, sua mente, sua estória, sua
visão.
Então escreva e desenhe e construa e
toque e dance e viva como só você pode viver.
No momento em que você sentir que,
possibilidade, você está andando na rua nu, expondo muito de seu coração e de
sua mente e do que existe em seu interior, mostrando demais de si mesmo.
Esse é o momento em que você pode estar
começando a acertar.
As coisas que fiz que mais funcionaram
foram as coisas das quais menos estava certo, as estórias as quais eu tinha
certeza de que ou funcionariam, ou, mais provavelmente, seriam o tipo de
fracasso embaraçoso que as pessoas se juntam para falar a respeito até o fim
dos tempos.
Elas sempre tiveram isso em comum:
olhando para em retrospectiva para elas, as pessoas explicam porque foram
sucessos inevitáveis. Enquanto as estava fazendo, eu não tinha ideia.
E ainda não tenho.
E onde estaria a graça de fazer alguma
coisa que você soubesse que iria funcionar?
E às vezes as coisas que fiz realmente
não funcionaram.
Há estórias minhas que nunca foram
reimpressas.
Algumas delas nunca sequer saíram da
casa.
Mas eu aprendi com elas tanto quando
aprendi com as coisas que funcionaram.
Sexto. Eu passarei
algum conhecimento secreto de freelancer.
Conhecimento secreto é sempre bom.
E é útil para qualquer um que alguma vez
já planejou criar arte para outras pessoas, em entrar em um mundo de freelance
de qualquer tipo.
Eu aprendi isso com os quadrinhos, mas
se aplica a outros campos também. E é isto:
As pessoas são contratadas porque, de
algum modo, elas são contratadas.
Em meu caso eu fiz algo que atualmente
seria fácil de checar, e me colocaria em problemas, e quando eu comecei,
naqueles dias pré-internet, parecia uma estratégia de carreira sensata: quando
editores me perguntavam para quem eu já tinha trabalhado, eu mentia.
Eu listei uma série de revistas que
soavam razoáveis, e soei confiante, e consegui os empregos.
Então transformei em uma questão de
honra conseguir escrever algo para cada uma das revistas que eu listei para
conseguir aquele primeiro emprego, de modo que eu não menti de fato, só fui
cronologicamente desafiado…
Você começa a trabalhar por qualquer
maneira que comece a trabalhar.
As pessoas se mantêm trabalhando, em um
mundo de freelances, e mais e mais do mundo de hoje é freelance, porque seu
trabalho é bom, e porque são fáceis de conviver, e porque elas entregam o
trabalho em tempo. E você nem precisa de todos os três.
Dois em três está bem.
As pessoas irão tolerar quão
desagradável você é se seu trabalho for bom e você o entregar no prazo.
Elas perdoarão o atraso do trabalho se
ele for bom, e elas gostarem de você. E você não precisa ser tão bom quanto os
outros se você é pontual e é sempre um prazer ouvi-lo(a).
Quando concordei em fazer este discurso,
eu comecei tentando pensar em qual tinha sido o melhor conselho que já tinha
recebido ao longo dos anos.
E ele veio do Stephen King, há vinte
anos atrás, no auge do sucesso de Sandman.
Eu estava escrevendo um quadrinho que as
pessoas amavam e estavam levando a sério. King gostara de Sandman e de meu
romance com Terry Pratchett, Belas Maldições (Good Omens), e ele viu a loucura,
as longas filas de autógrafos, tudo aquilo, e seu conselho foi esse:
“Isso é realmente ótimo. Você deveria
apreciar isso.”
E eu não aproveitei.
O melhor conselho que já recebi que
ignorei.
Ao invés disso, eu me preocupei com
aquilo.
Eu me preocupei com o próximo prazo, a
próxima ideia, a próxima estória.
Não houve um momento nos próximos
quatorze ou quinze anos em que não estivesse escrevendo algo em minha cabeça,
ou imaginando a respeito.
E eu não parei e olhei em redor e
pensei, isso é realmente divertido.
Eu queria ter aproveitado mais.
Tem sido uma caminhada incrível.
Mas houve partes da trilha que eu perdi,
porque estava muito preocupado em as coisas darem errado, sobre o que viria
depois, para apreciar a parte em que estava.
Essa foi a lição mais difícil pra mim,
eu acho: relaxar e curtir a caminhada, porque a jornada o leva a alguns lugares
memoráveis e inesperados.
E aqui, nesta plataforma, hoje, é um
destes lugares. (E eu estou curtindo isso imensamente.)
Na verdade coloquei isso em parênteses. Só
para o caso de não estar, eu não diria.
Para todos os graduandos de hoje: eu
desejo a vocês sorte.
Sorte é útil.
Frequentemente vocês descobrirão que
quanto mais duro vocês trabalharem, e mais sabiamente, mais sortudos vocês
serão. Mas existe sorte, e ela ajuda.
Nós estamos em um mundo em transição
neste momento, se vocês estão em qualquer campo artístico, porque a natureza da
distribuição está mudando, os modelos pelos quais os criadores entregavam seu trabalho
ao mundo, e conseguiam manter um teto sobre suas cabeças e comprar alguns
sanduíches enquanto faziam isso, estão todos mudando.
Eu falei com pessoas do topo da cadeia
alimentar em publicações, vendas de livros, em todas essas áreas, e ninguém
sabe com o que a paisagem se parecerá daqui a dois anos, que dirá daqui a uma
década.
Os canais de distribuição que as pessoas
construíram ao longo do último século ou mais estão contínua mudança, para os
impressos, para artistas visuais, para músicos, para pessoas criativas de todos
os tipos.
O que é, por um lado, intimidante e, por
outro, imensamente libertador.
As regras, as suposições, os agora nós
devemos fazer de como você consegue expor seu trabalho, e o que você faz a
seguir, estão ruindo.
Os porteiros estão deixando seus
portões. Vocês podem ser tão criativos quanto precisarem para conseguir
visibilidade para seus trabalhos.
YouTube e a web (e o que quer que venha
depois do YouTube e da web) podem dar a vocês mais pessoas de audiência do que
a televisão jamais deu.
As velhas regras estão desmoronando e
ninguém sabe quais são as novas regras.
Então inventem suas próprias regras.
Alguém recentemente me perguntou como
fazer alguma coisa que ela achava que seria difícil, em seu caso, gravar um
audiobook, e eu sugeri que ela fingisse que ela era alguém que poderia fazê-lo.
Não fingir fazê-lo, mas fingir que era
alguém que podia fazer. Ela colocou uma nota para este efeito na parede do
estúdio, e disse que isso ajudou.
Então sejam sábios, porque o mundo
necessita de mais sabedoria, e se vocês não puderem ser sábios, finjam ser
alguém que é sábio, e então apenas se comportem como eles se comportariam.
E agora vão, e cometam erros
interessantes, cometam erros maravilhosos, façam erros gloriosos e fantásticos.
Quebrem regras. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem
aqui.
Abaixo
uma lista bem-humorada que enumera 12 sintomas do que seria o acordar
espiritual, imitando expressões frequentemente usadas em diagnósticos médicos e
descrições de doenças, mas aqui usadas para descrever comportamentos e
sensações mais que saudáveis, com leveza e espirituosidade.
Entre
os sintomas, é possível identificar aforismos parecidos com alguns já
publicados por autores populares, como Don Miguel Ruiz (9) e Deepak Chopra (1,
3, 10).
O
autor dessa lista é desconhecido e, mesmo a lista não tendo nenhuma
fundamentação identificada, traz reflexão e inspiração interessantes. Seguem os
sintomas:
1.
Uma tendência crescente de deixar as coisas acontecerem ao invés de fazê-las
acontecer.
2.
Ataques frequentes de alegria, sorrisos sem explicação e explosões de risos a
qualquer momento.
3.
Sensações de estar intimamente conectado aos outros e à natureza.
4.
Episódios frequentes de apreciação transbordante, quase vertiginosa.
5.
Uma tendência de pensar e agir espontaneamente no lugar do medo baseado na experiência
passada.
6.
Uma nítida habilidade de curtir cada momento.
7.
Uma perda da habilidade de se preocupar.
8.
Uma perda do desejo por conflito.
9.
Uma perda de interesse por tomar as coisas pessoalmente.
10.
Uma perda de apetite pelo drama e pelo julgamento.
11.
Uma perda de interesse em julgar a si mesmo.
12.
Uma inclinação em dar amor sem esperar nada em troca.
Sempre
que falamos de “Sacrifício de Animais”, nos vem à cabeça a imagem de satanistas
malignos torturando e matando gatos ou então macumbeiros bebendo cachaça e
fumando charutos, torturando e matando bodes e galinhas à torto e à direito sem
critério nenhum… pastores evangélicos e a mídia católica usam e abusam de
mentiras e estereótipos para jogar a opinião pública contra as religiões afros,
tentando ligar rituais de magia negra a seus cultos. No caso de animaizinhos, é
pior ainda, porque usa da boa fé das pessoas que se comovem com o “sofrimento
animal” para usá-las como massa de manobra religiosa.
A
questão é muito ampla e seria bom separar todas as variáveis, para que você não
seja manipulado pela mídia e pelas igrejas pseudo-evangélicas da próxima vez
que assistir a um noticiário na Rede Record a respeito de algum “ritual
satânico”.
Em
primeiro lugar, vamos separar todos os nomes e todas as possíveis variáveis:
1) Umbanda
Na
Umbanda, não há sacrifícios de NENHUM tipo de animal em NENHUMA circunstância.
Se a matéria jornalistica menciona qualquer morte, então NÃO É UMBANDA.
Entendeu? Foi difícil? Quer que eu desenhe?
2) Candomblé
No
Candomblé existem as Obrigações, nos quais os animais são “sacro-oficiados”
para um Orixá. No candomblé, esta parte do ritual, denominada de sacrifício,
não é propriamente secreta; porém não se realiza senão diante de um reduzido
número de pessoas, todos fiéis da religião ou convidados.
Quem
faz o sacrifício é um sacerdote treinado e especializado, chamado Axogun, ou
Azogun ou Azogue (da onde vem nossa palavra “Açougue”) que tem uma função
extremamente importante na hierarquia do templo. O Axogun não pode deixar o
animal sentir dor ou sofrer de maneira nenhuma, porque senão a oferenda não
seria aceita pelo Orixá.
O
objeto do sacrifício, que é sempre um animal, muda conforme o Orixá ao qual é
oferecido; trata-se, conforme a terminologia tradicional, ora de um animal de
duas patas, ora de um animal de quatro patas (galinha, pombo, bode, carneiro,
pato…)
Esse
sacrifício não é apenas uma oferenda aos Orixás. Todas as partes do animal vão
servir de alimento, nada é jogado fora. O couro do animal é usado para encourar
os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em partes; algumas partes são
preparadas para os Orixás e o restante é destinado aos demais. Normalmente há
uma festa no dia seguinte (o sacrifício é feito durante a madrugada e as carnes
preparadas durante a manhã para serem servidas no almoço – COZINHADAS (tem de
explicar tudo, porque vai que algum tosco acha que servem as carnes cruas?)).
TUDO é aproveitado: até a porção oferecida aos Orixás é posteriormente
distribuída entre os filhos da casa como o inché do Orixá.
É
usada para confraternização: unem-se os filhos a comer com o pai ou mãe,
havendo repartição do Axé gerado pelo Orixá. (após algum tempo que a comida
esteja no Peji ela fica impregnada pela energia do Orixá que está imantando
aquela festividade).
O
sacrifício no candomblé é a renovação do Axé, feito uma vez por ano para cada
Orixá da casa ou em circunstâncias especiais.
Os
animais usados nestas festas geralmente são criados em granjas e fazendas próprias,
livres e com cuidados especiais. Neste aspecto, não há absolutamente NENHUMA
diferença entre um fazendeiro mandar matar um boi para alimentar sua família em
um churrasco de alguma celebração e o ato do Sacrifício no Candomblé. Na
realidade, AMBAS as cerimônias possuem uma raiz ancestral comum.
3) Quimbanda
A
Quimbanda é a ramificação da Umbanda na qual atuam predominantemente os exus e
pombagiras, também chamados de “Guardiões” ou “povos de rua”. Eles fazem uso
das chamadas “forças de Esquerda”, a Coluna do Rigor na Árvore da Vida, o que
não significa que sejam malignos.
Como
os Exus precisam desfazer trabalhos de magia negra que muitas vezes envolvem
ameaças de mortes, doenças e ataques astrais graves, pode ser necessário, em
alguns casos mais extremos, o sacrifício de algum animal, para que a energia
vital seja usada como fio condutor daquele trabalho. Normalmente, é a própria
entidade quem faz o sacrifício e é cuidado para que o animal não tenha dor.
4) Satanismo
Satanismo
LaVeyano não envolve nenhum tipo de adoração ou sacrifício, usando “Satã” como
um símbolo dos valores carnais e terrenos, inerentes à natureza humana. Anton
LaVey fundou a primeira e maior organização de suporte religioso, a Church of
Satan (Igreja de Satã) em 1966, e escreveu as crenças e práticas satanistas
publicadas sob o título de The Satanic Bible (A Bíblia Satânica) em 1969.
Em
A Bíblia Satânica, Anton LaVey descreve Satã como uma força motivadora e
balanceadora na natureza. Satã também é descrito como “A Chama Negra”,
representando a personalidade e os desejos mais íntimos da pessoa. Satã é visto
como um sinônimo da natureza e, metaforicamente, com certos conceitos de um
deus ou divindade suprema. Em seu mais importante ensaio, Satanism: The Feared
Religion (Satanismo: A Religião Temida), o atual líder da Igreja de Satã, Peter
H. Gilmore, deixa isso bem claro:
“Os satanistas
não acreditam no sobrenatural, nem em Deus e nem no Demônio. Para o satanista,
ele é seu próprio Deus. Satã um símbolo do homem vivendo da forma como dita sua
natureza carnal e magnífica. A realidade por trás de Satã é simplesmente a
força obscura e evolucionária da entropia que permeia toda a natureza e dá os
meios para a sobrevivência e propagação inerente a todas as coisas vivas. Satã
não é uma entidade consciente a ser adorada, mas uma reserva de poder dentro de
cada ser humano para ser tomada à vontade. Assim, qualquer conceito de
sacrifício é rejeitado como uma aberração cristã — no Satanismo não há
divindades por quais se sacrificar”.
Basicamente,
são quase ateus somados a uma crítica pesada aos hipócritas cristãos mas, como
vocês podem ver, sem sacrifícios.
5) Voodoo
O
Voodoo verdadeiro é muito parecido com o Candomblé, com a diferença que, como
nas colônias caribenhas as famílias de escravos eram mantidas unidas, a
mitologia e o folclore são mais organizados, sem a necessidade do sincretismo
que houve no Brasil. No Voodoo, o templo é chamado Honfour e o sacerdote é
chamado de Hougan e trabalha com os Iwas (espíritos). A divindade criadora é
chamada de Bondye (“Bom Deus”) e os principais Iwas são papa Legba, Erzuli,
Ogou, Azaka, Marasa, Guede, Baron Samedi e outros, todos com correspondência
direta com os nossos orixás e linhas de trabalho (farei uma Árvore da Vida
sobre o Voodoo em breve). O único sacrifício que existe é feito em festas, nos
mesmos moldes que o Candomblé. Os animais são mortos para que sua carne seja
consumida nas festividades, sem desperdícios.
Resquícios
dos antigos rituais de sacrifício animal ainda são evidentes em muitas
culturas, como nas touradas ibéricas, o Kapparos no Yom Kippur, ou aos
procedimentos de abate ritual como o Shechita no Judaísmo, o Dabihah no Islamismo
e o Korbania na Igreja Ortodoxa Grega.
Todos estes procedimentos, porém, incluem o consumo dos animais como alimento.
Trata-se de dedicar aquela morta ao Plano Espiritual, respeitando e valorizando
a vida daquela criatura que irá nos nutrir…
Isto
colocado, agora começam as tosquices:
6) Kiumbanda ou
Magia Negra
São
grupos muito pequenos e, por razões óbvias, se mantém escondidos. Leis vindas
de evangélicos e ateus não vão detê-los. É tão ridículo quanto achar que
criminosos vão entregar suas armas em campanhas de desarmamento. Na Kiumbanda,
os magos usam sacrifício de animais em magia negra, utilizando-se da energia e
da dor (carga emocional primitiva) para ativar os rituais. Funciona da seguinte
maneira. Nos terreiros deste tipo estão os chamados Eguns, ou “fora-da-lei” que
trabalham como mercenários, vampirizando a energia vital dos seguidores dos
cultos. Ai existe uma espécie de “troca”. Dão algum poder para o chefe (que, na
verdade, é só o escravo que arruma mais escravos para a seita) como amarrações,
feitiços de proteção, ataques astrais e poderes mínimos enquanto sugam o que
conseguem da energia. Os “pais-de-santo” fazem essas macumbas para terceiros e
ganham um dinheiro com isso… são basicamente o lixo do lixo astral. Como estas
entidades não têm muito poder, precisam de sacrifícios para usar o poder das
outras criaturas em seus feitiços e também pedem sacrifícios para usarem a
energia para sobreviverem mais.
Estes
são os responsáveis pelos restos de animais que vocês vêem nas encruzilhadas,
resultados de magias de separação, amarrações ou ataques a outras pessoas.
Normalmente são utilizados para alimentar kiumbas que, depois, vão fazer a
separação do casal vítima dos feitiços.
7) Satanistas de
Facebook
Existem
grupos de pessoas desequilibradas mentalmente que se consideram “satanistas” e
alguns desses grupos até têm eguns e kiumbas como mentores (que sempre usam
nomes pomposos como “rei”, “maioral”, “chefe dos chefes”, etc.) e muitos usam
nomes cheios de firula, como “Lineamento Universal Superior” ou “Ordem dos Filhos
da Sabedoria” ou “Nova Ordem Mundial” mas que, na verdade, servem apenas como
pilhas energéticas e escravos astrais para demônios mequetrefes. Muitas vezes,
os chefes desses templos cobram mensalidades e ameaçam qualquer um que esteja
lá de morte, destruição e um monte de baboseiras se não cumprirem suas ordens.
Os membros desses grupos normalmente são pessoas fracas e desajustadas, que
procuram algum tipo de “poder” mas acabam apenas servindo como carcaça
comestível para os eguns. O satanista que me fez as ameaças patéticas, por
exemplo, participa da matança de bodes (não é ele quem mata porque ele tem
medo) e bebe sangue de galinha preta em seus rituais. É um pobre coitado
vampirizado, mas, na cabeça dele, é um “grande mago negro”.
Estes
grupos fazem sacrifícios em seus rituais, envolvendo sofrimento de animais.
8) Vodu pra Jacu
Também
conhecido como “Vodu de Hollywood”. Este é o Vodu que não existe! No começo do
século XIX, quando os negros começaram a se instalar no sul dos Estados Unidos,
na região da Louisiana, a Igreja começou a demonizá-los, tal qual os
evangélicos fazem hoje com a Umbanda. Alguns livros e textos foram lançados com
mentiras e bizarrices sobre as práticas dos negros, que incluíam bonecos com
espetos, crânios, caveiras, zumbis, negros pintando caveiras no rosto, tarots e
sacrifícios de todos os tipos. É uma miscelânea de maluquices de vilões de
filme do 007 que não se parece em nada com o verdadeiro Hoodoo ou Voodoo.
O
problema com isso é que muito traficante, para manter um aspecto sinistro e
“sobrenatural” em suas organizações, utilizou-se destas mentiras midiáticas
para encobrir assassinatos de rivais ou de desafetos com um verniz “religioso”,
para incutir terror nos supersticiosos.
Isso
é mais comum na América Central e Sul dos Estados Unidos. Ainda não temos
coisas assim aqui no Brasil e, de qualquer jeito, eles não matam animais, só
membros de outras gangues…
Existem
doentes mentais que sacrificam animais para magia negra? SIM. O que não podemos
fazer é sermos manipulados pela mídia para ligar estas mortes à religiões
afro-brasileiras bem estabelecidas, como querem seus detratores.