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sábado, 27 de novembro de 2010

O Professor Possível








Uma das coisas a que eu mais resisto na gestão desse blog é postar sobre o ofício de professor. Minha profissão está em crise. Muitos colegas estão largando o magistério ou mesmo repensando seriamente em largar as salas de aula e vender picolé na praia. As reclamações são muitas.
Entretanto (e me colocando também no rol dos descontentes) em noventa por cento das vezes não passa disso: reclamações. Como não vejo ninguém apresentar nem a curto, nem a longo prazo, algo que possa mudar o estado da educação no país, uma vez que nossa sociedade em geral não valoriza o estudo, acho chato e massante repetir toda hora o quanto tudo vai mal, como se fosse Lippi Har-Har a hiena sorumbática de um desenho animado antigo da Hanna Barbera. Assim, evito.
Meu grande amigo Professor Luiz Carlos Rodrigues (a quem devo também a dica do artigo que segue) sempre me diz: “Em seu trabalho espere muito do seu aluno, mas aceite o pouco que ele tem para te oferecer” e é o que eu procuro fazer.
Parafraseando a justificativa do Senhor Spock para o Capitão Kirk num episódio antigo de Star Trek ("The City on the edge of forever/A Cidade a beira da eternidade - essa é só para os nerds que leem o blog) não dá para fazer um tricorder com pedra polida e barro fofo (se não sabe do que estou falando vai no Google). Isso já dá o tom e a minha posição final em relação ao artigo que postarei hoje: NÃO EXISTE o professor ideal, existem apenas os professores possíveis.


SERÁ QUE EXISTE PROFESSOR(A) IDEAL?
Pouco serve idealizar educadores. Porém é possível apontar qualidades de gente de verdade, que faz um bom trabalho em condições reais
Luís C. de Menezes
Visitando escolas, encontro casos de excelência no trabalho coletivo de professores, assim como de atuações individuais excepcionais. No entanto, ao dar destaque a eles, tenho sido questionado por alguns leitores sobre eventuais idealizações de minha parte. Segundo eles, os personagens de meus exemplos provavelmente não teriam o mesmo desempenho se encarassem condições adversas, como violência, indisciplina e problemas de infraestrutura ou de ordem material.

Em respeito a essa preocupação, reitero que não falo de professores notáveis, com superpoderes e capazes de qualquer proeza, em qualquer situação. É preferível valorizar o trabalho de profissionais que fazem o possível nas circunstâncias que enfrentam, com os recursos de que dispõem.

Idealizações são artificiais, como as imagens tão comuns em propagandas de carro de luxo, que mostram ao volante um jovem atlético, sorridente e ousado, mesmo quando se sabe que a maioria dos proprietários é mais velha, séria e cautelosa. A intenção é facilitar a venda, associando esse virtual comprador ao produto.

A Educação, porém, não deve estar a serviço dos valores do mercado, e sim da sociedade. Logo, as qualidades que destacam professores nada têm de publicitárias. Eu as encontro em educadores que gosto de ver no comando das salas de aula brasileiras. Vejamos quais são, em minha opinião, essas características:

- Lucidez para não esperar alunos ideais, que já cheguem motivados, atentos e com os pré-requisitos desejados. Esses professores trabalham com os que de fato recebem e, na medida de suas possibilidades, enfrentam os desafios que se apresentam. Por isso, quase nunca se decepcionam ou se frustram.

- Respeito próprio para não aceitarem condições impróprias de trabalho, nem se limitarem a reclamar delas. Ao contrário, buscam transformá-las por saberem que um ambiente mais satisfatório para eles será também mais efetivo para o aprendizado de seus alunos.

- Comprometimento com a formação dos estudantes de modo que, além de ministrarem suas disciplinas, também se articulem com colegas e coordenadores em torno de ações educativas conjuntas. Sem isso, não se efetivaria o projeto pedagógico da escola.

- Consciência do próprio valor e da importância dos conhecimentos e das competências que promovem. Por isso, esses profissionais não se acomodam com o que já sabem, mas buscam aperfeiçoamento didático e cultural permanente. A partir dessa atitude, de recusa à passividade, esses docentes também rejeitam gestões pedagógicas burocráticas.

- Solidariedade para quem necessita de mais atenção, como alunos e colegas de trabalho em situação difícil.

- Coragem para intervir quando é' preciso tomar decisões complicadas, como mediar conflitos, mostrando que a atitude justa não é de indiferença ou neutralidade.


Professores que mesclam, em parte ou integralmente, essas qualidades realmente existem e constituem uma referência de conduta importante nas escolas em que trabalham. Por isso, as instituições que os recebem são privilegiadas. Esses profissionais não são geniais ou perfeitos, mas nunca paro de aprender com eles. Também não me canso de citá-los em conversas informais e palestras.

Mas não é necessário, e nem sequer possível, reunir todos eles em um único tipo ideal. Além disso, minha seleção é muito variada e inclui gente expansiva e tímida, jovem e madura, comunicativa e reservada, simples ou descolada.

Você sabe que não se fazem estátuas de educadores assim, mas eles podem ser encontrados ensinando em qualquer escola, na sua, inclusive. E, quem sabe, usando seus sapatos.

Luis Carlos de Menezes é Físico e Educador da Universidade de São Paulo (USP). Fonte: Extraída na íntegra da Revista Nova Escola - Edição 234 / Agosto 2010.

A Ciência se Aproximando da Magia II

A maioria das tradições antigas afirmam que o mundo começou na água e que se não foi assim, ela estava lá nos primórdios da criação. Agora os cientistas parecem ter descoberto que os mitos de criação não estão tão errados assim... (claro, guardadas as devidas proporções de que plasma não é água, mas acho você entendeu onde eu quero chegar...)    

Universo era líquido logo depois do Big Bang
Redação do Site Inovação Tecnológica - 24/11/2010
Universo líquido
Logo depois do Big Bang, nos primeiros instantes de sua existência, o Universo primordial não era apenas muito quente e denso, mas também tinha a consistência de um líquido.

Os mini Big Bangs, reproduções em escala reduzida daquilo que deve ter acontecido quando nosso Universo foi criado, foram gerados quando íons de chumbo começaram a colidir depois de acelerados nos 27 km do anel do Grande Colisor de Hádrons.

A análise das primeiras colisões foi divulgada em dois artigos científicos divulgados preliminarmente, ainda não avaliados para publicação em periódicos revisados - embora os artigos sejam assinados por quase mil cientistas.

Plasma de quarks-glúons
O experimento ALICE, um dos quatro grandes detectores do LHC, desenvolvido especialmente para estudar os mini Big Bangs, detectou cerca de 18.000 partículas depois de cada colisão entre os íons de chumbo.

Os cálculos indicam que os choques estão gerando temperaturas de até 10 milhões de graus. A essas temperaturas, os cientistas calculam que a matéria normal derreta-se em uma espécie de "sopa" primordial, conhecida como plasma de quarks-glúons.

Os primeiros resultados das colisões de chumbo já descartaram uma série de modelos da física teórica, inclusive aqueles que previam que o plasma de quarks-glúons criado nesses níveis de energia deveria se comportar como um gás.

Embora pesquisas anteriores, feitas no acelerador RHIC, nos Estados Unidos, em energias mais baixas, indicassem que as bolas de fogo produzidas em colisões de núcleos atômicos se comportassem como um líquido, muitos físicos ainda esperavam que o plasma de quarks-glúons se comportasse como um gás nas energias muito mais elevadas do LHC.

Mas não foi isso o que aconteceu. "Estes primeiros resultados parecem sugerir que o Universo teria-se comportado como um líquido super-quente imediatamente após o Big Bang," diz o Dr. David Evans, coordenador do experimento ALICE.

Viscosidade do plasma
Outros pesquisadores, contudo, sugerem maior cautela. Peter Jacobs, outro membro da equipe, afirma que é muito cedo para traduzir as medições em uma afirmação taxativa sobre a viscosidade do plasma de quarks-glúons formado nas colisões do LHC.

"Nossa medição do fluxo elíptico é final, mas serão necessárias muitas discussões com os teóricos antes que saibamos o que esses resultados significam em termos de viscosidade," diz Jacobs.

O detector ALICE foi especialmente projetado para estudar as condições do Universo primordial, logo depois do Big Bang.
A equipe também descobriu que, nessas colisões frontais de núcleos atômicos, produz-se mais partículas sub-atômicas do que alguns modelos teóricos previam.

A bola de fogo resultante da colisão dura apenas um período muito curto de tempo, mas quando a "sopa" esfria, os pesquisadores são capazes de ver milhares de partículas saindo.

É o caminho dessas partículas que é visto nas imagens. Analisando esses "detritos", os cientistas tiram conclusões sobre o comportamento da própria sopa.

Detectores do LHC
Embora a referência seja sempre feita ao LHC, que é o acelerador como um todo, suas peças principais são os sensores que detectam os resultados dos impactos das partículas que colidem.

São quatro aparelhos: ALICE (A Large Ion Collider Experiment), LHCb (LHC Beauty), ATLAS (A Toroidal LHC Apparatus) e CMS (Compact Muon Solenoid).


Bibliografia:
Elliptic flow of charged particles in Pb-Pb collisions at 2.76 TeV
The ALICE Collaboration
17 Nov 2010
http://xxx.lanl.gov/abs/1011.3914

Charged-particle multiplicity density at mid-rapidity in central Pb-Pb collisions at sqrt(sNN) = 2.76 TeV
The ALICE Collaboration
19 Nov 2010
http://xxx.lanl.gov/abs/1011.3916



A Ciência se Aproximando da Magia I

Por Shmuel Lemle
Einstein disse:

"A natureza nos mostra apenas a cauda do leão. Mas não tenho dúvidas de que o leão pertence a ela, embora não possa se revelar de uma vez só, devido a seu enorme tamanho".

A cauda do leão, segundo Einstein, é o universo que percebemos. E o leão é a teoria unificada que os cientistas procuram com o intuito de explicar tudo. A ciência moderna chegou a apresentar a teoria das supercordas.

Segundo esta teoria, o universo é formado por cordas minúsculas que vibram. Como as cordas de um instrumento, como um violino, onde diferentes vibrações produzem diferentes notas e sons, no caso das supercordas surgem diferentes vibrações que produzem diferentes partículas como quarks, elétrons, prótons e neutrinos.

É interessante notar que, segundo a teoria científica, o universo é composto por dez dimensões, exatamente como afirmava o antigo livro de Cabala, o "Livro da criação":

"Dez sefirot (dimensões) do nada: sua medida é dez que não tem fim. Dez sefirot do nada: dez e não nove, dez e não onze".
Retirado da coluna "Cabala" da revista Diversão do Jornal Extra (sim, jornal Extra também é cultura!)


Para saber o que é sefirot:


Sephiroth (cujo singular é Sephira) são as dez emanações de Ain Soph na cabala. Segundo a cabala, Ain Soph é um princípio que permanece não manifestado e é incompreensível à inteligência humana. Deste princípio emanam os Sephiroth em sucessão. Esta sucessão de emanações forma a árvore da vida.

Os Sephiroth emanados são, na sequência:



Há ainda um décimo primeiro Sephira, chamado Daath, que representa o abismo, o caos, e normalmente não é representado na árvore da vida, sendo um considerado um portal para as qliphoth, as sephiroth adversas.

Na árvore da vida os Sephiroth estão alinhados em três pilares conectados entre si por meio de vinte e duas ligações. Também se dispõem em três camadas triangulares e sucessivas, cada uma delas associada a um mundo (Atziluth, o Mundo das Emanações; Beriah, o Mundo das Criações; e Yetzirah, o Mundo das Formações), mais Malkuth na base (correspondendo a Asiyah, o Mundo das Ações).
Obtido em "http://pt.wikipedia.org/wiki/Sephira"

Eu não gosto de arte pós-Moderna

Eu não gosto de arte pós-Moderna. Ponto. Algumas são interessantes e tal... Mas algumas cheiram a rematada picaretagem, culminando que hoje qualquer oportunista com bons contatos (e um bom amigo que escreva uma crítica favorável) consegue ser chamado de "artista". Na imagem abaixo publicada na revista Domingo do JB no já distante ano de 1978, Luiz Fernando Veríssimo parece dizer o contrário. Pela minha interpretação (e aqui não estou querendo "psicologizar"o trabalho do mestre, estou apenas mostrando como eu vi/vejo o desenho) parece ser uma explicação para uma parcela da arte que se faz atualmente. De minha parte espero que seja assim mesmo e minha implicância com bambus pintados de azul e varais de embalagens de salgadinho sejam apenas a rabugice de um jovem senhor que não entende nada de arte.






sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O Fanatismo e o Fim da Biblioteca de Alexandria

          
Depois da morte de Maomé, iniciou-se o período dos Califas Perfeitos -chamados assim porque eram familiares  ou amigos íntimos do profeta-. Estes primeiros califas eram quatro: Abu-Bakr, Omar, Otmán e Ali. O segundo deles, Omar, conquistou e islamizou a Síria, Pérsia, Palestina e Egito. No ano 644 tomou a Alexandria, na qual se encontrava a Grande Biblioteca de Ptolomeu (1) composta por milhares de lendários papiros. Ante aquele tesouro e sobre o que fazer com ele, Omar, com uma lógica pateticamente religiosa, disse:

"Não existe mais que um livro verdadeiro: o Alcorão. Se os livros dessa biblioteca contêm coisas opostas ao Alcorão, são ímpios e há que queimá-los; e se dizem o mesmo que o Alcorão, são supérfluos e há que queimá-los também."

Segundo contam as crônicas antigas, estes livros serviram para manter acesas as caldeiras dos banheiros públicos durante seis meses. De modo que devemos ter muito cuidado com a lógica ou, melhor dizendo, com o uso da lógica para justificar nossos atos.

Nota 1 - Diferente do que ainda contam alguns livros de história, a Biblioteca de Alexandria teve segmentos destruídos em diversas ocasiões: a primeira causada acidentalmente por Julio César na caça a Pompeu, a segunda teria acontecido na guerra com Zenobia na época do imperador Aureliano, a terceira foi causada pelo bispo Teófilo que decidiu atacar todos os templos pagãos no reinado de Teodósio e finalmente a expansão islâmica que acabou com o pouco que restava.